Classe C controla o orçamento e tem evitado endividamento, diz pesquisa

Levantamento aponta que 85% dos consumidores da classe C controlam o orçamento e não querem comprometimento com dívidas longas. Mudança de comportamento é pertinente com o momento que passa a nossa economia. leia mais

Aquele estereótipo de que a classe C abusa do crédito e compromete-se mais do que devia com dívidas caiu por terra.  Com um crescimento de 45 mihões para cerca de 100 milhões de pessoas nos últimos dez anos, a classe C passou por vários padrões de comportamento financeiro conforme o contexto da economia do país. Prova de que esta classe social possui um padrão de consumo ponderado é o fato de que 85% dos consumidores controla o orçamento o nível de endividamento. O dado faz parte de pesquisa feita pela Boa Vista SCPC em parceria com o Programa Finanças Práticas sobre o novo perfil da classe C, divulgada nesta quinta-feira.

A pesquisa contou com a participação de 1.000 entrevistados de todas as regiões do país. Apesar do recorte ser majoritariamente masculino (70% homens e 30% mulheres), a pesquisa reforça um comportamento comum quanto ao público feminino: o papel de atuar como gestora das finanças da casa.

Dentre os aspectos levantados nos hábitos de consumo, 35% das mulheres se disseram consumistas, enquanto o percentual do público masculino foi de 27%. No entanto, o diretor da Boa Vista SCPC, Dorival Dourado, ressalta que esse padrão não remete ao consumo por impulso. “A mulher de forma geral, principalmente aquela que possui jornada dupla (em casa e no trabalho), define as prioridades de gasto e é quem fica responsável pela gestão financeira da casa, com ou sem filhos. No caso de ter crianças, ela é quem cuida principalmente do vestuário e dos gastos com educação. Então esse percentual mais elevado em relação ao público não significa necessariamente um consumo com si mesma”, afirmou.

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Cuidados com as finanças pessoais

Entre os dados apontados na pesquisa, vale destacar que 80% dos consumidores tem o hábito de pechinchar antes de comprar. Além disso, 73% usa a internet como ferramenta de pesquisa antes de efetivamente comprar alguma coisa. O comprometimento a longo prazo também tornou-se uma preocupação, sendo que 77% dos entrevistados buscam prazos menores para o pagamento parcelado.

Segundo Dourado, a conscientização da classe C veio através do próprio aprendizado. “Até 2011 e 2012 tivemos o crescimento da inadimplência e um grande número de financiamentos, principalmente de automóveis. Hoje as pessoas estão mais atentas pela vivência e pela prática. As pessoas sabem que não é fácil limpar o nome. O cenário econômico e político também influi muito nisso, temos aumento da inflação, crédito mais restrito, aumento dos juros e a possibilidade de aumentar o desemprego”, explicou. O economista da instituição, Flávio Calife, acrescentou ainda que as novas medidas econômicas anunciadas pelo governo (que encarecem o crédito) devem ajudar a manter a tomada de crédito desacelerada.

A pesquisa mostrou também que a conscientização da família como um todo sobre finanças tem sido prioridade para a classe C. Dos entrevistados, 64% busca os meios de comunicação para controlar os gastos pessoais (programas de TV, sites de educação financeira, etc). Além disso, 86% compartilha informações sobre finanças pessoais com os membros da família.