5 hábitos financeiros adquiridos na crise

5 hábitos financeiros adquiridos na crise

Provavelmente você, ou alguém próximo, mudou alguns hábitos financeiros depois da crise econômica que se iniciou em 2014. Cortar gastos no supermercado, em compras de supérfluos e despesas com lazer, entre outros, passou a fazer parte da nova rotina das famílias brasileiras.

Essas transformações passaram a ser comuns para 72% dos brasileiros. É o que mostrou uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Foram entrevistados 805 consumidores nas 27 capitais, todos acima de 18 anos, de ambos os gêneros e de todas as classes sociais.

“Na crise econômica vimos o aumento do desemprego, empresas que fecharam, pessoas com dívidas e dificuldade em honrar seus compromissos. Porém, como em toda crise, também existe a chance de observar oportunidades. Ela tem um grande potencial transformador, tanto na sociedade quanto nos indivíduos. No sentido individual, a crise é um bom estimulante da mudança de hábitos financeiros. É uma oportunidade de revisão de hábitos em geral, no que diz respeito ao dinheiro”, pontua Anderson Pellegrino, professor de Economia da IBE Conveniada.

Confira quais foram os principais hábitos financeiros que mudaram nos últimos quatro anos:

1 – Compras de produtos supérfluos e gastos com lazer

Em meio à crise econômica, não há dinheiro que sobreviva aos inúmeros boletos. Neste momento, tornou-se imprescindível priorizar o que é necessário para o bem-estar da família e deixar de lado o que te levaria a arcar com longas parcelas do cartão de crédito. O descontrole no uso do cartão é porta para o pior dos problemas financeiros: uma dívida descontrolada com juros altíssimos.

Dos entrevistados, 55% afirmaram que passaram a evitar compras de bens supérfluos – entre os mais velhos, esse número aumenta para 60%, enquanto os pertencentes às classes A e B representam 69%. Outros 55% também reduziram os gastos com lazer. Somente 19% garantiram não ter feito mudanças.

2 – Pesquisar preços e aproveitar promoções

Ir ao mercado com uma lista de compras e estar preparada para procurar promoções são ótimas táticas para diminuir o valor mensal gasto no supermercado. Seja por conta da redução da renda familiar ou pelo aumento dos preços nas gôndolas, 54% passaram a fazer pesquisas de preço antes de adquirir um produto e 52% ficaram mais alertas às promoções e buscaram preços menores.

É importante manter este hábito para garantir que a economia continue. “Compare mais preços, busque fornecedores diferentes e oportunidades de compras em promoção. Se for comprar algo, um bem ou um serviço, peça desconto, tente negociar valores, consulte mais de um fornecedor”, aconselha Pellegrino. “Esse comportamento, quando se está com dinheiro de sobra, é substituído por compras por impulso”, alerta.

3 – Menos consumo em casa

Não é novidade que a crise chegou até as despensas das casas brasileiras. Porém, não foi apenas no supermercado que o consumo diminuiu. Economizar nos serviços de luz, água e telefone tornou-se realidade para 51% dos entrevistados. Os que procuraram substituir produtos por marcas similares mais baratas representam 46%, enquanto 44% passaram a controlar os gastos pessoais e/ou da família e 43% passaram a evitar parcelamentos muito longos.

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“Na crise, você percebe a importância de ter um bom controle dos seus gastos e da renda, e de fazer um bom equacionamento das suas despesas. É o momento ideal para se começar a criar planilhas. Assim, é possível identificar exatamente o tamanho da sua receita, dos gastos e o quanto essa relação se mostra equilibrada ao longo do tempo. Identifique inclusive os vilões: quem tem maior peso, quem representa gastos supérfluos e quem corresponde aos gastos essenciais”, comenta Pellegrino.

 

4 – Sem dívidas: um sentimento de satisfação

Sabemos que estar endividada não influencia apenas na conta bancária, mas também em vários aspectos da vida pessoal. A pesquisa indicou que quatro em cada dez entrevistados (42%) disseram estar aliviados e tranquilos por não estourarem o orçamento. O sentimento é de alegria para os 36% que conseguiram manter pelo menos o essencial.

Em contrapartida, 32% disseram sentir frustração por deixar de comprar certos produtos que gostam. Outros 21% se sentem constrangidos por não poderem dar para a família o que eles desejam.

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5 – Economizar, mesmo sem crise

Os anos de crise no Brasil foram suficientes para mudar os hábitos financeiros das pessoas por muito mais tempo. Mesmo com a economia apresentando uma leve melhora, oito em cada dez (83%) consumidores pretendem manter essas práticas. Apenas 8% responderam que irão abandoná-las no primeiro sinal de mais dinheiro na conta.

Saber lidar com o dinheiro em tempos de crise poderá garantir maior tranquilidade em momentos de aperto. Esse processo de aprendizado atingiu 52% dos que conseguiram administrar melhor o orçamento, enquanto 51% dizem ter aprendido a economizar dinheiro. Controlar impulsos de compras já é realidade para 50% dos entrevistados e 47% aprenderam a fazer compras melhores.

Porém, não foi todo mundo que demonstrou interesse em continuar com a economia no dia a dia. O desejo de recuperar o antigo padrão de vida levaria 44% dos entrevistados a abandonar as práticas adquiridas. Para 26% deles, mais segurança em relação ao futuro bastaria para não controlar mais os gastos.

Para o futuro: poupe dinheiro

Nos últimos anos, poupar dinheiro foi a atitude menos adotada entre os brasileiros, mencionada por apenas 26% dos entrevistados. Movimento totalmente compreensível quando as prioridades de consumo das famílias mudam. A dica mais valiosa para Pellegrino é aprender a poupar em momentos de tranquilidade, para não ter grandes problemas em épocas de crise.

“A crise te lembra o quanto é importante ter disciplina para poupança, principalmente quando vai tudo bem. Na época da crise, essa poupança te ajudará a ter um pouco mais de alívio e permitirá uma reestruturação diante de uma situação ruim. Faça com que a disciplina seja parte da sua rotina orçamentária, ou seja, separe uma parte da sua receita e a direcione para algum tipo de aplicação”, conclui.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni

Gabriella Bertoni

Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
Fale comigo! :) gabriella@financasfemininas.com.br

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