A dieta da presidente Dilma

6 de abril de 2015 - Por

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Bom dia, meninas! Na coluna Em $uma de hoje, a jornalista Naiara Bertão fala sobre os desafios da presidente Dilma Rousseff e o impasse travado entre os poderes Executivo e Legislativo.

Já são três meses de Dilma 2.0 e cinco pós-eleição. Muita água rolou nesse período. Muita água literalmente porque a presidente Dilma Rousseff deve ter bebido muita água para conseguir emagrecer mais de 10 quilos desde o pleito, em outubro do ano passado. Ela tinha uma meta clara: aparecer nas fotos da posse, em 1º de janeiro, mais enxuta. Se nos últimos anos ela se esbanjou de guloseimas, pratos gordurosos e não se preocupou com a qualidade de seu consumo, agora o quadro mudou – no prato e no seu governo.

A meta de perder peso ela cumpriu, mas, agora, o desafio é maior: enxugar o peso da máquina pública e economizar 1,2% do PIB (Produto Interno Bruto) ou nada menos do que R$ 66,3 bilhões em 2015. Considerando que no primeiro bimestre do ano o resultado fiscal ficou negativo em R$ 17,76 bilhões, a presidente e seu companheiro, Joaquim Levy, ministro da Fazenda, precisam não só poupar R$ 66,3 bi, como também tampar esse rombo de R$ 17,7 bi.

Dilma e Levy têm falado insistentemente da necessidade de ajuste fiscal, até para que as temidas agências de classificação de risco não nos reprovem e tirem o nosso selo de investimento seguro. Especula-se que a dieta restritiva do governo tenha como meta uma economia de consumo de R$ 80 bilhões, dinheiro que vinha sendo esbanjado até então. Na outra ponta, o governo tenta aumentar as receitas tirando todos os benefícios que deu a setores nos anos anteriores.

O problema é que, para chegar na meta de superávit primário (os tais 66,3 bilhões), o Planalto não consegue sozinho e precisa da aprovação do Congresso (Câmara dos Deputados e Senado) para uma série de medidas, inclusive aquelas mudanças no benefício de seguro desemprego que Levy falou no início do ano. E, como muito acontece no Brasil, cada um quer defender seus interesses e a aprovação está cada vez mais trabalhosa.

dilma

 

O embate entre Executivo e Legislativo está cada vez mais intenso, com o risco de uma paralisia decisória, onde nada se decide no país. Até surgiram questionamentos sobre uma possível saída de Levy. Por enquanto, ele se mostra firme na tentativa de convencer os congressistas de que o regime é essencial para a economia brasileira não enfartar. Mas a briga promete ser boa em um momento que a popularidade da presidente despenca.

Se conseguir equilibrar a balança fiscal, das contas públicas, o governo Dilma 2.0 vai ganhar auto-estima para seguir em frente e quiçá melhorar a confiança dos empresários e consumidores de que nem tudo está perdido.

Da posse, em 1º de janeiro, a 1º de abril a inflação disparou, o desemprego aumentou, a indústria se contraiu e as perspectivas para a economia em 2015 não param de cair (já estão em 1% negativo). Dilma já mostrou que tem muita força de vontade para encarar uma dieta de pouquíssimas calorias (para quem quer saber, é a Ravenna), mas ela precisará mostrar um auto-controle muito maior para aguentar as pressões externas e saber dizer ‘não’ – a sustentabilidade está aí.

 

Crédito das fotos: José Cruz/Agência Brasil

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Naiara Beltrão
Naiara Bertão
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