A diversidade que quero para os meus filhos

29 de junho de 2017 - Por

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*Priscila Lambach

Em um domingo pela manhã sai para caminhar na avenida Paulista, repleta de museus, cinemas, livrarias etc. A maior marca do endereço, no entanto, é a diversidade de pessoas que circulam por ali diariamente. Executivos, funcionários de consulados (adoro reparar em qual broche eles levam no paletó), donos de empresas, funcionários, advogados, artistas, bloggers, designers, jornalistas, enfim, pessoas de diversos estilos e padrões passam por lá.

Desde pequena essa diversidade me atraiu. Lembro-me das caminhadas com a minha mãe até uma rede de fast-food que ficava em um lindo casarão branco, o qual hoje abriga um banco espanhol. Já naquela época, eu gostava de ver o que a Paulista tinha a oferecer.

Sinto que o asfalto é um grande laboratório para mim. Estar entre as pessoas, estar junto da diversidade me faz refletir, questionar, pensar. Adoro isso. Quando vejo uma multidão reunida por uma causa, pessoas andando de um lado para o outro com suas famílias, cachorros, amigos. Ali, vejo amores nascendo, amores se desfazendo. Vejo abraços de pessoas que há anos não se encontram, vejo discussões calorosas. Vejo colegas de trabalho tomando sorvete, vejo skatistas, floristas, vendedores de brigadeiro. Estão todos inteiros, presentes, em um mesmo lugar.

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Tenho certeza de que esta adoração pela diversidade me fez crescer diferente.

E quando paro e penso o que quero ensinar para meus filhos, vejo sempre esse como o meu grande alvo: que eles saibam respeitar as diferenças.

Sim, desejo filhos leitores, escritores, que saibam raciocinar logicamente, que tenham noções formais de história, geografia etc. Mas, muito mais do que isso, desejo filhos críticos, reflexivos. Desejo filhos que não usem unicamente respostas prontas e do senso comum em uma discussão. Filhos pensantes, questionadores. Que eles tenham bom coração, sejam seguros de si, que acreditem na própria capacidade, ao mesmo tempo em que tenham certeza do quanto precisam do outro para serem eles mesmos. Desejo filhos que transformem a realidade.
Quero que meus sejam filhos autênticos e livres para serem eles mesmos. Desejo filhos responsáveis, íntegros, éticos.

Colocar todas essas expectativas nos pequenos não é justo, e posso arriscar dizer que não é certo. Porém, preciso aceitar o fato de que minha vontade poderá se tornar realidade por meio de atitudes, exemplos e estilo de vida.

Não sei o que será deles, nem de mim. Só sei que sinto cada vez mais que precisamos de relações mais respeitosas. E entendo que respeitar as diferenças é o primeiro passo rumo a um mundo muito melhor. Viva a diversidade!

*Priscila Lambach é administradora de empresas e pedagoga. Fala sobre desenvolvimento humano e formação pessoal feitos com poucos recursos, de forma criativa e eficiente – desfazendo a ideia de que para educar bem é preciso investir muito dinheiro.
Émail: contato@priscilalambach.com

Fotos: Shutterstock

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