A psicologia por trás da diferença salarial entre homens e mulheres

24 de setembro de 2018 - Por

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Não é nenhuma novidade que a diferença salarial entre homens e mulheres é uma realidade em diversos setores do mercado de trabalho. Mas você já pensou em como viver essa realidade afeta a nossa autoconfiança e nosso senso de valor? Essa foi a pergunta feita por Kit Warchol, do site Career Contessa. A resposta encontrada por ela é muito pior do que apenas sentir indignação ao ver a diferença salarial.

Tudo começou quando Warchol descobriu que ganhava muito menos do que um colega de trabalho do sexo masculino – a diferença chegou ao patamar de US$ 20 mil. Em sua carreira de quase 10 anos, esse foi o pontapé para ela começar a questionar a sua competência.

“No dia que eu descobri que meu colega ganhava tão mais do que eu, comecei a pensar que não era qualificada o suficiente. Achava que tinha negociado o meu salário de forma errada ou não tinha conseguido impressionar o meu chefe. Em suma, assumi imediatamente que tinha falhado”, relembra.

É impressionante o peso emocional de uma descoberta dessa, independentemente da diferença salarial. Mesmo que a autoestima não esteja necessariamente ligada ao patrimônio líquido, por que a mente dela foi direto para o motivo de não valer tanto quanto ele?

“A desigualdade tem consequências na autoestima e causa um impacto no estado psicológico, pois mexe com os sentimentos, emoções, desperta uma frustração e até sentimento de impotência. Nenhuma mulher se sente bem trabalhando nestas condições”, pontua a psicóloga e escritora Marilene Kehdi.

Sentir-se mal paga também prejudica a saúde

A diferença salarial entre homens e mulheres não afeta somente a insatisfação da profissional. De acordo com estudos publicados no artigo do The Globe and Mail, “sentir-se mal pago dobra a probabilidade de um trabalhador relatar estresse, depressão e problemas com emoções”.

O artigo também explica que surgem sintomas na saúde física, como dores de cabeça e insônia. “Quando ocorre essa situação, é comum que a mulher tenha o sentimento de inferioridade, acabe por perder sua confiança e segurança e, consequentemente, se sente incompetente e desmotivada. Por conta disso, é muito comum que essa mulher entre em conflito com ela mesma e sinta que não fez o suficiente”, comenta Barbara Brambila, terapeuta, especialista em constelação sistêmica e programação neurolinguística.

Saber que você recebe menos também gera ressentimento

A mesma publicação da Globe and Mail trouxe o resultado de um experimento realizado com dois macacos, que realizaram a mesma tarefa com o mesmo grau de habilidade (é possível assistir ao vídeo do experimento, em inglês, aqui). Um macaco recebeu apenas um pedaço de pepino, enquanto o outro uma deliciosa uva. O macaco que não recebeu a uva não se conforma, se joga no chão e sacode as grades da gaiola.

Isso demonstra que é natural reagir ao pagamento desigual com raiva e protesto. “Em pleno século 21 ainda existe a desigualdade salarial de gêneros e a pergunta ‘porque as mulheres ganham menos que os homens?’ continua sem uma resposta. E isso acontece porque não existe resposta que justifique essa desigualdade”, questiona Kehdi.

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Ironicamente, nossa expectativa de ‘justo’ significa que nós não negociamos

De acordo com Robin Pinkley, professor de administração da Cox School of Business da Southern Methodist University (EUA) e autor de Get Paid What You’re Worth (Seja pago pelo que você vale, em tradução livre) aponta que, embora possamos pensar que merecemos o que é justo, isso também trabalha contra nós.

O autor explica que as mulheres, em particular, acreditam que uma empresa lhes pagará o que merecem com base em suas capacidades. Isso significa que nós negociamos menos do que os homens, pois confiamos no sistema.

“As mulheres estão menos dispostas a negociar”, disse o Dr. Pinkley, em entrevista ao portal LearnVest. “Muitas vezes, elas antecipam que as organizações avaliarão com precisão seu potencial e as pagarão de acordo. Os homens, por outro lado, acreditam que cabe a eles explicar à empresa o que eles valem.”

Como a transparência salarial pode mudar a nossa percepção

Um artigo publicado no site Entrepreneur relatou que, mesmo que você seja mal paga, saber o quanto pode ganhar – e quais medidas você pode tomar para mudar isso – aumenta instantaneamente sua satisfação com trabalho.

Mesmo que recebamos menos, quanto mais entendermos como nosso pagamento se compara aos outros, mais satisfeitos estaremos com nossos empregos. Isso porque, de acordo com o artigo, não saber simplesmente nos incentiva a projetar – e nos torna mais propensas a nos sentirmos frustradas.

“Ainda existe muito preconceito nos ambientes corporativos e a falta de transparência salarial deixa claro o mundo machista no qual estamos inseridas. Quando a mulher entende que o problema não é o seu potencial e sim o mundo machista, ela passa a se empoderar, lutar e a buscar outras opções de emprego onde ela seja valorizada e vista por sua competência”, conclui Brambila.

Artigo adaptado de Career Contessa.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni
Gabriella Bertoni
Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
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