Álbum da Copa: trocar figurinhas pode dar educação financeira às crianças

16 de junho de 2018 - Por

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A cada quatro anos, gerações se reúnem em torno de um só objetivo: preencher o álbum de figurinhas da Copa. A troca de figurinhas é uma brincadeira lúdica para todas as idades, mas traz um valor a mais para os pequenos – inclusive quando o assunto é educação financeira.

“Pode-se utilizar o álbum para incutir na criança a ideia de orçamento, no momento em que você estabelece para ela um limite temporal de gastos para adquirir as figuras”, exemplifica o economista Sergio Dias.

Na prática, funcionaria do mesmo jeito que acontece com nós, adultos: temos um orçamento para bancarmos nossas contas por determinado tempo. No caso deles, serão alguns reais para comprar suas figurinhas. Aqui, as crianças aprenderão que não podem comprar todas que veem pela frente, pois dinheiro é um recurso finito.

Para economizar – ou quando a grana acaba –, elas terão que aprender a se virar se quiserem completar o álbum da Copa. “É nesse momento que a criança também aprende a lidar com suas frustrações, a persistir quando não encontra a figurinha que tanto precisa e tem dificuldade até nas trocas de figurinhas”, diz a psicóloga Lidiane Silva.

Falando nisso, essa é uma outra oportunidade de aprendizado. Além de aprender a negociar – o que também envolve conceitos de valor, pois há figurinhas mais raras que outras –, há melhora na socialização, o que é ótimo para crianças tímidas ou muito restritas aos mundos da casa e escola.

Como usar o álbum da Copa para ensinar educação financeira

As estratégias dependerão da idade da criança. De acordo com Silva, os pequenos são capazes de guardar seu dinheiro a partir dos 6 anos, porém, ainda haverá dificuldade em administrá-lo porque ainda não existe a compreensão do longo prazo. Essa noção apenas se desenvolverá a partir dos 11 ou 12 anos.

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“Cabe aos pais aproveitar essa oportunidade e ensinar o valor desde a aquisição do álbum, de cada pacotinho de figurinha, e a soma total de todos os gastos. Cada figurinha estragada, colada errada ou perdida deve ser vista como um prejuízo e isso deve ficar claro para a criança”, aponta Silva.

Quando a criança tem irmãos, a brincadeira fica ainda mais divertida e pedagógica. “Neste caso, poderiam ser estimuladas as noções de parceria, sociedade, compartilhamento, etc.”, diz Dias.

Para a psicóloga, os ensinamentos vão além da educação financeira. “Essa interação deve ser o momento de se trabalhar as parcerias entre eles, podendo aumentar o vínculo de amizade, o respeito mútuo e contribuir com o fim das implicâncias e briguinhas que são comuns entre irmãos”, completa.

Os pais devem ajudar os filhos a completarem o álbum de figurinhas?

Obviamente, há limites para a intervenção dos pais. No começo do mês, um pai postou em seu Facebook como vem lidando com essa questão – e a publicação viralizou:

Resumidamente, ele comenta que está usando o álbum de figurinhas como uma ferramenta para preparar seus filhos para as frustrações da vida e lhes ensinar o valor das coisas.

“Faltam umas 50 a 100 figurinhas para completar, ele não tem mais dinheiro no cofrinho e ele já se embananou todo nas primeiras trocas (trocou por figurinhas que já tinha, por exemplo), embora eu tenha passado todas as dicas de como executar essas atividades [sic]”, escreveu.

Por outro lado, muitos pais estão assumindo completamente a atividade, se esquecendo que trocar figurinhas e completar o álbum são apenas brincadeiras que podem ser usadas para fins pedagógicos. Do contrário, todas essas lições serão substituídas por algo extremamente contraproducente e, pior, de efeito contrário ao esperado.

“O intuito é ensinar e motivar. Não podemos esquecer que o importante nessa fase de preencher o álbum é a brincadeira e sociabilização, aos pais, cuidado para não cobrar demais ou brigar por conta da dificuldade em aprender sobre finanças, esse quesito é secundário na brincadeira”, alerta Silva.

Se você também gostar de preencher o álbum da Copa e trocar figurinhas, a psicóloga recomenda que cada um tenha seu álbum, cabendo aos pais orientarem a criança. Vocês podem fazer isso juntos, desde que mantendo a autonomia.

“Aproveitem esse momento em que o mundo está na expectativa da Copa do Mundo e, mesmo que não se interessem pelo assunto, tirem um tempo para interagir com seus filhos, durante o preenchimento do álbum, durante os jogos e levem essa prática por toda a vida”, finaliza Silva.

Fotos: Fotolia

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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