Aleitamento materno: como as empresas podem ajudar as mães?

Aleitamento materno: como as empresas podem ajudar as mães?

Voltar ao trabalho depois da licença-maternidade é um drama para as novas mães, seja pelo medo de ser demitida ou por se preocuparem com o aleitamento materno. Cada vez mais mulheres entendem a importância da amamentação, porém é difícil encontrar empresas que compreendam essa necessidade.

Não é à toa que Luiza Freire, do Espírito Santo, ficou tão perplexa quando voltou de sua licença-maternidade – cheia daqueles medos tão comuns às mães no mercado de trabalho. Chegando na empresa, uma grata surpresa: a companhia inaugurou uma sala de aleitamento uma semana antes de seu retorno.

“Estava todo mundo empolgado, querendo que eu estreasse a sala logo, desde o pessoal da supervisão e coordenação até da operação”, conta ela, que é monitora de atendimento na Sollo Brasil Contact Center. Sua filha, Bianca, tinha apenas quatro meses quando a mamãe voltou ao trabalho.

O espaço era todo decorado com papel de parede, quadros, luz baixa, ar condicionado e geladeira com enfeites – além de conter itens essenciais para o aleitamento, como álcool em gel, poltrona acolchoada, tomada para bomba elétrica, cortina para manter a privacidade das lactantes e fita adesiva para identificação do leite.

Luiza foi a primeira funcionária da empresa a usar a sala. “Infelizmente, muitas antes de mim não tiveram a oportunidade de ter acesso a um espaço bom desses e acabaram optando por um desmame precoce, introduzindo fórmula, porque não tinham onde ordenhar”, lamenta.

Aleitamento materno nas empresas

O lamento de Luiza tem motivo. A Organização Mundial da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até, pelo menos, 6 meses de idade. O desmame precoce pode trazer uma série de consequências para a saúde do bebê, comprometendo sua imunidade e desenvolvimento.

Essa preocupação com a saúde da criança faz com que muitas mães até mesmo desistam de trabalhar. As que continuam empregadas, muitas vezes, se submetam a empregos que pagam menos em prol da flexibilidade – e ficam a jornada toda pensando nos pequenos. De acordo com um estudo recente, a maternidade é a principal causa da desigualdade salarial entre os gêneros.

Algumas empresas entenderam essa necessidade e perceberam que todos saem ganhando quando há uma atenção ao aleitamento materno e ao bem-estar de mãe e bebê.

“Percebemos que as salas ajudam as mães a se sentirem muito melhor. O fato de terem esse conforto e a tranquilidade de garantir a saúde de seus filhos traz também, como consequência, um ambiente mais tranquilo e mais produtivo”, diz Fernanda Kessler, líder de RH da Dell, que implantou Salas de Apoio à Amamentação em suas unidades de Eldorado do Sul (RS) e Hortolândia (SP), em 2015.

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Luiza e a pequena Bianca, que havia acabado de mamar

Essas medidas são especialmente importantes em empresas com grande força de trabalho feminina, como o Grupo Boticário, que foi reconhecido pelo Ministério da Saúde como a primeira empresa do Paraná a implantar integralmente a estratégia Mulher Trabalhadora que Amamenta.

“Os programas estão diretamente relacionados ao compromisso do Grupo Boticário com o empoderamento da mulher para a igualdade de gêneros, porque colocam mães e pais como corresponsáveis pelo desenvolvimento da criança e respeita o
momento da mulher que se torna mãe”, defendeu a empresa, em comunicado.

Em todas as iniciativas citadas, as mães não amamentam a criança diretamente no peito durante o expediente. Elas usam as salas para retirar o leite e armazená-lo corretamente. Depois, é só levar para casa e deixar para a criança se alimentar no dia seguinte.

Na Nestlé Brasil também há uma iniciativa semelhante. “As colaboradoras em fase de lactação recebem instruções sobre armazenamento correto do leite retirado e os procedimentos para a extração. Elas também ganham um kit com uma cartilha informativa, um kit de coleta, frascos para armazenamento e bolsa térmica para preservar o leite congelado no trajeto da empresa para casa”, expôs a empresa por meio de comunicado.

Lactante: conheça seus direitos!

O Ministério da Saúde dispõe de uma cartilha para lactantes – clique aqui e veja. Segundo o documento, todas as mulheres com carteira assinada têm direito a duas pausas especiais, de 30 minutos cada, para amamentação ou retirada do leite durante a jornada de trabalho, até o sexto mês de vida do bebê. Elas não anulam os intervalos regulares para repouso e alimentação.

Acreditar que essas pausas atrapalham o trabalho da funcionária é pura ignorância. “Minha produtividade continua a mesma, porque apesar de ter as pausas amparadas pela CLT, eu consigo tirar a quantidade de leite que eu preciso mais rápido do que os 30 minutos. Com a salinha ficou mais rápido ainda, porque não preciso me preocupar em achar um local adequado”, afirma Luiza.

Quando a saúde do filho exigir, o período de 6 meses para as pausas para aleitamento poderá ser ampliado, a critério do médico.

No documento, o Ministério da Saúde recomenda que, para manter a amamentação, é essencial esvaziar as mamas, extraindo o seu leite em intervalos regulares. Quanto mais você o retira, mais leite será produzido. Quando você estiver com o bebê, é importante oferecer-lhe o peito.

O Ministério da Saúde também dispõe de uma lista com as empresas com salas de apoio à amamentação credenciadas.

Fotos: Fotolia e Acervo Pessoal

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Ana Paula de Araujo

Ana Paula de Araujo

Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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