Alta do dólar: quais os impactos no seu bolso?

3 de outubro de 2019 - Por

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A alta do dólar tem deixado muitas pessoas preocupadas, sobretudo, quem planeja uma viagem internacional ou tem o hábito de comprar produtos importados. A moeda americana fechou acima de R$ 4 em todas as sessões de setembro de 2019 e chegou a atingir R$4,18, representando alta moderada de 0,32%, segundo a Agência Reuters. No pregão de ontem, 2, o dólar comercial fechou em queda de 0,67% e chegou a R$ 4,13.

A expectativa do mercado é terminar 2019 com o dólar a R$ 4, de acordo com o Boletim Focus, publicado pelo Banco Central (BC). Esse patamar está longe do ideal e nada indica uma queda abaixo desse valor. Para entender as motivações do aumento e os impactos na sua vida, conversamos com algumas especialistas no assunto.

O que provocou a alta do dólar?

Existe um conjunto de fatores relacionados à política externa que contribuem com o aumento da moeda americana. A primeira é a crise na Argentina que está enfrentando problemas para saldar sua dívida externa, com tentativas de renegociação junto ao FMI (Fundo Monetário Internacional). Além da crise econômica, o país ainda passa por um período de incertezas com o resultado da eleição presidencial disputada entre o atual presidente, Maurício Macri e o candidato Alberto Fernández que tem como vice, a ex-presidente Cristina Kirchner.

Outro elemento que tem pressionado o câmbio é guerra comercial entre Estados Unidos e China, que já dura meses e ameaça o surgimento de uma recessão mundial. A valorização da moeda americana também está relacionada com a instabilidade na União Européia (UE) quanto ao acordo do Brexit que prevê a saída do Reino Unido da UE.

Por fim, o cenário interno tem participação na volatilidade do câmbio, de acordo com Nadja Heiderich, coordenadora do Núcleo de Estudos de Conjuntura Econômica da FECAP. “A lenta recuperação da economia brasileira, a demora na aprovação da Reforma da Previdência que atrasa outras reformas estruturais na economia e as incertezas institucionais provocadas por decisões do STF com aprovações de projetos pelo Congresso, como a Lei de Abuso de Autoridade e a aprovação da lei que muda as regras eleitorais são alguns fatores”, diz.

Contudo, Heiderich pondera que os esforços do Brasil em se aproximar dos EUA e fechar acordos comerciais com outros países, como China, Cingapura, Coreia do Sul, Egito e demais países do Oriente Médio, podem favorecer a queda da taxa de câmbio.

“Uma vez que nossas exportações aumentarão, possibilitará maior entrada de dólares e quanto aos investidores estrangeiros, eleva as suas expectativas de crescimento econômico, favorecendo o fluxo de investimento de dólares”, explica.

Como o dólar alto impacta o seu bolso?

A elevação da moeda americana pode aumentar os preços e, por isso, afetar o bolso de todos. A alta do dólar pode gerar inflação na economia brasileira, segundo Simone Pasianotto, economista da Reag Investimentos.

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“O pão francês vendido nas padarias brasileiras utiliza trigo como insumo, que é importado. Dessa forma, uma valorização do dólar pode acarretar na alta do preço do pão para o consumidor final. Há outros casos nos quais essa relação é ainda mais direta, como celulares e computadores. Esses itens são produzidos no exterior e o produto final é importado pelo Brasil”, explica.

O valor do combustível também sofre com o aumento do dólar e, consequente, vai impactar o preço final da gasolina nos postos. Além disso, as consequências também aparecem na economia geral, de acordo com Pasianotto.

“Se o governo ou empresários têm empréstimos nessa moeda e há uma valorização da cotação, a dívida ficará maior em moeda nacional. Esse fato pode gerar efeitos negativos na economia brasileira”, afirma.

Como diminuir os efeitos da alta do dólar?

A principal dica é evitar comprar produtos importados e quando possível, substituir o consumo por bens da produção nacional que podem ser mais baratos. “É uma tarefa bastante difícil para uma economia como a nossa, inserida globalmente no comércio internacional”, destaca Pasianotto.

Para quem está planejando uma viagem internacional, o truque é pesquisar os preços praticados nas diferentes casas de câmbio e ir comprando aos poucos a moeda americana para não sofrer tanto com as oscilações.

Fotos: AdobeStock.

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Carol Nogueira
Carol Nogueira
Repórter do Finanças Femininas, fã de David Bowie e John Coltrane. Passa o tempo livre pesquisando textos da Sylvia Plath e assistindo séries na Netflix.
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