Anúncio do Fed ajuda Bolsa, mas medo de segunda onda de coronavírus continua

15 de junho de 2020 - Por

Bolsa diminui perdas, mas medo de segunda onda de coronavírus continua

quem ama, compartilha!

Este texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: -0,45% (92.375 pontos)

Dólar: +1,92% (R$ 5,14)

Casos de coronavírus: 873.963 confirmados e 43.485 mortes*

Resumo:

  • Novos casos de coronavírus em países que flexibilizaram a quarentena assustam mercado financeiro;
  • anúncio do Fed ajuda a reduzir perdas nas bolsas de Nova York; Ibovespa acompanha ritmo e recupera parte das perdas ao final do pregão;
  • Mansueto Almeida anuncia demissão da secretaria do Tesouro Nacional; substituto é o economista Bruno Funchal;
  • economia brasileira deve retrair 6,51% em 2020, projetam economistas;
  • pandemia leva a redução e congelamento de salários e demissões, diz pesquisa;
  • Aneel prorroga suspensão de cortes de energia por falta de pagamento.

Apesar de um início de pregão em queda livre, o Ibovespa conseguiu diminuir as perdas e fechar esta segunda-feira com baixa de 0,49%.

Pela manhã, o susto com os novos casos de coronavírus nos lugares que flexibilizaram a quarentena – como em alguns estados dos Estados Unidos, além de Tóquio (Japão) e Pequim (China) – aumentaram o medo de uma segunda onda da pandemia no mundo inteiro, o que impactou as bolsas globais no início da manhã desta segunda-feira. Para que se tenha ideia, a Bolsa chegou a cair 2,11% por volta das 12h, com o dólar também em ascensão.

Por aqui, a notícia de que Mansueto Almeida, agora ex-secretário do Tesouro Nacional, deixará o governo em agosto também abalou o mercado. No entanto, horas depois, o ministro da economia Paulo Guedes escolheu seu substituto: o economista Bruno Funchal, diretor de Programas do Ministério da Economia e ex-secretário de Fazenda do Espírito Santo.

Apesar de o anúncio do nome ter ajudado a acalmar o mercado brasileiro, o maior responsável por reduzir as perdas no Ibovespa foi o anúncio do Fed de que seu programa de injeção de dólares nos mercados irá não apenas recomprar cotas de ETFs – aqueles fundos que replicam índices –, mas também os papéis de dívidas das empresas americanas.

A notícia animou as bolsas de Nova York, ajudando a Bolsa brasileira a se recompor um pouco das perdas do dia.

Como os países que estão reabrindo suas economias nos mostram, não se deve menosprezar a ameaça de uma segunda onda do coronavírus. O Brasil já perdeu oficialmente mais de 43 mil pessoas para a doença, além dos mais de 873 mil casos confirmados.

Economia brasileira deve retrair 6,51% em 2020, projetam economistas

Pela 18ª vez seguida, os economistas do mercado financeiro revisaram para baixo a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano – de 6,48% na semana passada para 6,51% –, mostra o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central.

Economia brasileira deve retrair 6,51% em 2020, projetam economistas

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos em um país e serve para avaliar o desempenho de sua economia. As projeções pessimistas acontecem principalmente por causa da pandemia do coronavírus, que vem impactando a economia ao redor do globo.

O levantamento foi realizado na semana passada, por meio de pesquisa com os profissionais de mais de 100 instituições financeiras.

Os economistas também revelaram suas expectativas de inflação para 2020. Nesta semana, estimou-se 1,60%, contra 1,53% da semana passada.

Caso a previsão realmente se concretize, este será menor nível já registrado desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 1995. Até então, o menor patamar foi em 1998 (1,65%).

Pandemia leva a redução e congelamento de salários e demissões, diz pesquisa

Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira revelou o que muitos brasileiros sentem na prática: empresas afetadas pela pandemia tiveram que reduzir salários, congelar contratações e planejam fazer demissões.

Batizado de Pesquisa sobre Estratégias de Capital Humano frente aos Impactos da Covid-19, o levantamento foi feito pela empresa de consultoria Willis Towers Watson em diversos países na América Latina entre os dias 7 e 14 de abril, ouvindo 635 empresas em toda a região – 176 no Brasil.

O portal G1 destacou as seguintes informações:

  • 54% acredita que a Covid-19 terá impacto negativo em seus negócios até os próximos 12 meses;
  • 20% a 30% das empresas implementaram ou consideram implementar reduções salariais conforme o nível organizacional, com reduções também na faixa de 20% a 30%;
  • 36% estão planejando ou considerando demitir;
  • 49% reduziram ou adiaram aumentos de mérito e 19% consideram ou planejam;
  • 32% congelaram salários e 19% consideram ou planejam;
  • 10% reduziram salários e jornada de trabalho e 47% consideram ou planejam;
  • Um quarto das empresas alterou as datas de revisão salarial e outras 27% estão considerando fazê-lo;
  • Quase dois terços congelaram ou postergaram novas contratações;
  • Cerca de metade das empresas concedeu férias obrigatórias;
  • 10% reduziram a projeção de pagamento de bônus/PLR e 33% consideram ou planejam
  • 92% estabeleceram novas restrições à política de viagens.

Além disso, cerca de metade das empresas tem mais de 75% de seus colaboradores trabalhando remotamente (home office). Antes da crise, eram apenas 2%. Para 69% das empresas, ainda não há uma data para finalizar os sistemas de trabalho flexíveis por causa da incerteza da situação.

Aneel prorroga suspensão de cortes de energia por falta de pagamento

Escolher entre os tantos boletos para pagar tem sido a realidade de muitos brasileiros, ainda mais desde que a crise provocada pela pandemia do coronavírus começou. Diante deste cenário, nesta segunda-feira, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu prorrogar até 31 de julho a proibição de cortes no fornecimento de energia elétrica por falta de pagamento.

Antes, a suspensão – aprovada em março – valeria até 23 de junho. Residências urbanas e rurais e serviços considerados essenciais, como hospitais, estão protegidos do corte de energia.

Além dos cortes, a mesma resolução também autorizou medidas como a permissão para que as distribuidoras diminuam o número de leitoristas na rua (como medida para evitar contágio por coronavírus) e emitam a fatura considerando o consumo médio dos últimos 12 meses, assim como autorização para o consumidor fazer a própria leitura dos medidores (a chamada autoleitura).

*Até o fechamento do texto. Fonte: levantamento feito por jornalistas de G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde

Fotos: AdobeStock

Gostou do nosso conteúdo? Clique aqui e assine a nossa newsletter!

Se você tem alguma dúvida sobre sua vida financeira ou uma boa história sobre dinheiro para contar pra gente, mande um e-mail!

quem ama, compartilha!

Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) [email protected]

Leia em seguida

Bolsas do mundo fecham no azul, mas Ibovespa fica no zero a zero

3 de agosto de 2020

Crescimento da indústria na zona do euro e China impulsionaram as bolsas do mundo, mas o Ibovespa amargou o zero a zero. Entenda o motivo.

Bolsa cai 2%, mas fecha o mês no azul pela quarta vez consecutiva

31 de julho de 2020

Apesar da queda do dia, esperança com uma possível vacina contra o coronavírus ajudou julho a fechar em alta. Saiba o que mais rolou no mercado financeiro.

Bolsas do mundo todo fecham em queda com tombo recorde do PIB dos EUA

30 de julho de 2020

A economia dos EUA derreteu 32,9% no 2º trimestre de 2020 e foi a gota d’água para que as bolsas de valores do mundo todo caíssem. Entenda.

SIGA O INSTAGRAM @financasfemininas