Apesar da tombo recorde do PIB, Bolsa sobe com promessa de reformas

1 de setembro de 2020 - Por

Apesar da tombo recorde do PIB, Bolsa sobe com promessa de reformas

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Este texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: +2,82% (102.167 pontos)

Dólar: -1,75% (R$ 5,38)

Casos de coronavírus: 3.919.452 confirmados e 121.727 mortes*

Resumo:

  • Bolsa contorna queda recorde do PIB e fecha em alta com promessa de reforma administrativa e aparente realinhamento entre Bolsonaro e Guedes;
  • PIB tem queda histórica de 9,7% no 2º trimestre e Brasil entra de novo em recessão;
  • Brasil chega perto de 122 mil mortes por coronavírus, mas média móvel de óbitos é a menor desde 20 de maio;
  • Auxílio Emergencial será esticado até dezembro, mas com valor menor;
  • MEIs não precisam mais de alvará e licença para funcionar a partir de hoje.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, fechou a terça-feira (1º) com a maior alta em quase três meses, apesar do tombo recorde que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil sofreu – o maior da história, como você verá adiante.

Entre as 75 ações listadas na B3, 67 encerraram o dia no azul. Os investidores viram Jair Bolsonaro, presidente da República, e Paulo Guedes, ministro da Economia, darem as mãos novamente – pelo menos aparentemente – com a divulgação de medidas em sintonia com a agenda de cortes de gastos públicos.

A primeira delas foi o anúncio da prorrogação do Auxílio Emergencial, como você verá mais para frente deste texto. Depois, ao lado do ministro e de lideranças parlamentares, Bolsonaro prometeu entregar ao Congresso uma proposta de reforma administrativa até quinta-feira (3).

Lembrando que, no começo de agosto, o agora ex-secretário de Desburocratização, Paulo Uebel, pediu demissão porque essa reforma não saía. O pedido foi um dos estopins para a grande aversão a risco e quedas que a Bolsa sofreu no mês passado.

Este conjunto de anúncios acalmou a fera interior dos investidores, mas ainda não foi suficiente para fazer a pulga sumir de trás da orelha – afinal, a reforma administrativa é apenas uma das medidas esperadas e, sozinha, não é capaz de controlar os gastos da forma esperada pelo mercado financeiro. Também é preciso aguardar o que será feito do Renda Brasil, programa de redistribuição de renda que o governo federal pretende criar para substituir o Bolsa Família.

Apesar da tombo recorde do PIB, Bolsa sobe com promessa de reformas

PIB tem queda histórica de 9,7% no 2º trimestre e Brasil entra de novo em recessão

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil sofreu um tombo recorde de 9,7% no 2º trimestre, ante ao 1º trimestre, divulgou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com este resultado, a economia brasileira entra oficialmente em recessão técnica – quando há redução na atividade econômica em dois trimestres consecutivos.

A queda, que acontece em meio à pandemia do coronavírus, é a mais intensa desde 1996, quando o IBGE começou a calcular o PIB trimestral. Antes, o recorde era do 4º trimestre de 2008 (-3,8%). Ante ao 2º trimestre de 2019, a queda foi de 11,4%.

“Ambas as taxas foram as quedas mais intensas da série, iniciada em 1996. No acumulado dos quatro trimestres terminados em junho, houve queda de 2,2% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores”, afirmou o IBGE no comunicado oficial.

Desta forma, a economia regride ao mesmo patamar do final de 2009 – ou seja, de antes da recuperação da última recessão, que aconteceu entre 2014 e 2016 –, quando o mundo vivia o auge de uma crise generalizada, cujo gatilho foi a onda de quebras na economia estadunidense.

De acordo com economistas ouvidos pelo portal G1, o tombo poderia ter sido ainda mais intenso se não houvesse a rede de auxílios elaborada pela equipe econômica.

Auxílio Emergencial será esticado até dezembro, mas com valor menor

Em anúncio feito nesta terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Auxílio Emergencial será prorrogado até dezembro. No entanto, o valor será de R$ 300, em vez dos R$ 600 distribuídos até então.

Por causa dessa mudança de valor, o Congresso precisará votar a medida provisória.

Apesar do anúncio das quatro parcelas extras, ainda não se sabe exatamente como elas serão pagas.

MEIs não precisam mais de alvará e licença para funcionar a partir de hoje

Microempreendedores individuais (MEIs) não precisarão mais de alvará ou licença de funcionamento, de acordo com resoluções aprovadas pelo governo em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

A medida, anunciada no dia 13 de agosto, passa a valer nesta terça-feira. O objetivo é desburocratizar o cenário de empreendedorismo, especialmente em um momento econômico tão delicado como este que a pandemia do coronavírus gerou.

Desta forma, o MEI precisará apenas concordar com o termo de ciência e responsabilidade, disponível na hora em que for se inscrever via Portal do Empreendedor do governo federal.

O próprio site emitirá um documento que autorizará início imediato das atividades. Contudo, o microempreendedor deverá estar ciente de que deve atuar de acordo com os aspectos sanitários, ambientais, tributários e de segurança pública definidos legalmente.

*Até o fechamento do texto. Fonte: levantamento feito por jornalistas de G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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