Apps de período menstrual compartilham dados de usuárias com Facebook

11 de setembro de 2019 - Por

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A ONG britânica Privacy International, que investiga e monitora a privacidade de dados na internet revelou que os aplicativos de período menstrual estão compartilhando dados sobre a saúde, vida sexual e o humor de milhares de mulheres com o Facebook.

Em reportagem publicada na última segunda (9) pelo BuzzFeed News, aplicativos como Maya e Period Tracker MIA Fem enviaram os tipos de contraceptivos utilizados, os ciclos menstruais mensais, sintomas como inchaço, dores, entre outros dados íntimos para o Facebook.

Geralmente, as mulheres utilizam esses aplicativos para monitorar a ovulação, período fértil e as chances de engravidar. O Maya da Plackal Tech tem mais de 5 milhões de downloads no Google Play. Já o Period Tracker MIA Fem, desenvolvida pela Mobapp tem mais de 2 milhões de usuárias em todo o mundo.

Dados pessoais para anunciantes

O compartilhamento de dados com a rede social acontece por meio do Kit de Desenvolvimento de Softwares do Facebook (SDK, em inglês), que ajuda os desenvolvedores de aplicativos a incorporar ferramentas e coletar informações dos usuários. Dessa forma, quando a pessoa fornece informações pessoais em um app, há possibilidade desses dados serem enviados ao Facebook por SDK.

O Maya informa o Facebook sempre que a usuária abre o aplicativo e envia dados para Facebook antes mesmo de você concordar com a política de privacidade do app, segundo a Privacy International.

“Quando o Maya pede que você digite como se sente e oferece sugestões de sintomas que você possa ter – como pressão arterial, inchaço ou acne -, é de se esperar que esses dados sejam tratados com cuidado extra”, afirmou o relatório. “Mas não, essas informações são compartilhadas com o Facebook”.

O levantamento também identificou que os aplicativos solicitam informações sobre o humor, a última relação sexual, tipo de contracepção utilizada e oferece um espaço para anotações extras, que também são compartilhadas com a rede social de Mark Zuckerberg.

Informações sobre o humor dos usuários são valiosas para os anunciantes, que utilizam os dados para segmentar estrategicamente as propagandas nos momentos de maior probabilidade de compra. Gestantes ou mulheres que pretendem engravidar provavelmente mudarão seus hábitos de compra.

O que dizem os aplicativos?

O BuzzFeed News também obteve uma declaração do MIA Fem enviada a Privacy International. Contudo, o desenvolvedor do app solicitou que o conteúdo não fosse publicado pelo portal por motivos de direitos autorais.

“Considerando que a divulgação não autorizada já ocorreu, pedimos a você que apague todo o material obtido erroneamente, sem prevaricação e atrasos. Aguardaremos sua confirmação do apagamento”, diz o aplicativo.

Já a Plackal Tech, proprietária do Maya, disse que não compartilha nenhum dado de identificação pessoal ou médico com o Facebook.

“O SDK do anúncio [kit de desenvolvimento de software do Facebook] nos ajuda a obter receita exibindo anúncios dos quais nossos usuários podem optar por assinar a versão premium da Maya”, disse a empresa em um email para a Privacy International e o BuzzFeed News.

“Todos os dados acessados ​​pelo Maya também são essenciais para o bom funcionamento do produto. A previsão de informações referentes aos ciclos menstruais é complexa e depende de milhares de variáveis ​.As informações de localização, cujo significado é destacado no relatório, nos ajudam a triangular variações regionais em períodos de ciclo e, assim, ajudam a melhorar a precisão de nossa previsão ao longo do tempo”, acrescentou no e-mail.

O porta-voz da rede social disse que a plataforma exige que os desenvolvedores de aplicativos devem ser claros com os usuários sobre as informações que estão compartilhando com o Facebook e tenham uma “base legal” para a divulgação e uso de dados.

“Temos sistemas para detectar e excluir certos tipos de dados, como números de previdência social, senhas e outros dados pessoais, como e-mail ou número de telefone”, afirma o porta-voz.

Violação da privacidade

O comportamento dos aplicativos levanta questões sobre o quanto os usuários podem consentir que essas informações privadas sejam compartilhadas com empresas externas como o Facebook, sobretudo, quando os aplicativos têm longos termos de serviço que poucos usuários se preocupam em ler.

Esse tipo de prática destaca como o consentimento não é um barreira suficiente contra violações da privacidade, segundo Lindsey Barrett, advogada da clínica de tecnologia de direitos de propriedade intelectual de Georgetown Law. “Ninguém lê políticas de privacidade porque acham que muitas delas são razoáveis, e mesmo se o fizesse, as políticas são mal escritas ou não lhes dirão o que precisam saber”, completa.

“Com quem mais o Facebook está compartilhando essas informações? Há uma questão de dignidade, mas há também uma questão de discriminação, que entram em jogo quando falamos sobre por que os direitos individuais à privacidade são importantes. ”, finaliza.

Matéria adaptada do portal BuzzFeed News.

Fotos: AdobeStock

 

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Carol Nogueira

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