Arrebentei o cartão… e agora?

10 de outubro de 2013 - Por

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O mês foi mais turbulento que o esperado, as contas se acumularam e há pouco dinheiro em caixa. Aposto que uma das opções consideradas para manter os gastos no mesmo patamar, mesmo com o acúmulo de faturas vencidas, é usar o cartão de crédito. Ou então você teve um dia de louca no shopping e quis levar tudo para casa, afinal, você merecia muito… Nessas horas, o cartão parece o seu melhor companheiro, mas logo você descobre que, na verdade, está confiando no inimigo.

Poder usar o cartão de crédito é uma excelente opção, mas só se você for uma pessoa organizada. Com ele, dá para centralizar o pagamento dos seus gastos e aproveitar as vantagens de milhas e outras promoções. Tudo isso é maravilhoso, desde que você consiga manter as faturas sempre em dia.

estourei meu cartão de crédito

Me descontrolei e estourei minha fatura, e agora?

Vamos passo a passo. Primeiro fique ciente da grande armadilha que é ficar devendo no seu cartão de crédito. Os juros cobrados mensalmente pelos bancos e operadoras são mais que absurdos. Para se ter uma ideia, algumas opções disponíveis no mercado chegam a cobrar até 15% de juros por mês, ou seja, mais que o dobro da inflação acumulada em 12 meses, que está no patamar de 6%. No ano, isso chega a mais de 200% – ou seja, a sua dívida TRIPLICA em 12 meses! Ninguém merece…

Se acontecer de ficar devendo a sua fatura, o ideal é que você procure o banco ou a operadora o quanto antes para tentar uma negociação da dívida. O Procon-SP esclarece que a empresa não é obrigada a aceitar a negociação, mas nada te impede de pelo menos tentar.

Quando você vai pagar a fatura do mês, sempre é dada uma opção de pagamento mínimo do valor total. Em um mês vermelho, muita gente acaba fazendo essa escolha. O grande problema é que você vai pagar juros em cima de juros. Por exemplo, imaginemos que você ficou devendo R$ 100 na fatura do cartão de setembro e deixou para quitar no mês seguinte. Vamos considerar que seu banco aplique a taxa de juros mensais de 15%, isso significa que, ao final de outubro, sua dívida será de R$ 115. Se você não conseguir liquidar em outubro, os próximos 15% vão incidir sobre R$115. É uma bola de neve que só vai crescendo!

É justamente em função deste exemplo que nós reforçamos que o ideal é fazer o possível para conseguir uma negociação. Desta forma, você não fica obrigada a pagar a dívida com um efeito cascata tão forte.

negocie seu cartão de crédito

Não consigo negociar a dívida do cartão, o que faço?

Bem, como dissemos, as administradoras não têm obrigação de negociar dívidas, mas fique calma. Uma outra alternativa é estudar (com bastante cautela para não se complicar mais!) a tomada de um empréstimo para quitar a dívida. Como os juros do cartão são muito altos, você tem mais possibilidades de conseguir pagar o banco em condições melhores. Como funciona? Você precisa encontrar um empréstimo pessoal que cobre juros menores. Com este dinheiro mais barato em mãos, você paga a dívida do cartão. Isso não resolve o problema, mas te ajuda a fazê-lo crescer mais devagar. Assim você ganha um fôlego.

Cobranças por telefone

Dever o cartão de crédito com certeza te gera transtorno tanto no celular, quanto no telefone fixo. Os bancos e as administradoras de cartões contratam empresas de cobrança que ficam por conta de ligar para você todos os dias. Mas fique bem atenta à forma como estão te cobrando porque são praticadas muitas irregularidades. O ideal é que você sempre negocie pessoalmente. Por telefone, é bem possível que façam o máximo para te convencer a aceitar condições de parcelamento da dívida totalmente desfavoráveis.

Se forem feitas ameaças, relate imediatamente aos órgãos de defesa, como o Procon. Qualquer tipo de cobrança que te exponha a constrangimentos é proibido pelo Código de Defesa do Consumidor.

Pagamento pelo cheque especial

Esta é a segunda armadilha que você precisa ter atenção para não cair. Se o pagamento das suas faturas estiver autorizado em débito automático, é possível que a operadora do cartão lance mão do seu cheque especial para cobrir o buraco. Isso é trocar seis por meia dúzia – os juros praticados aqui também são astronômicos. Se não for uma mulher organizada, o ideal é que você não deixe essa opção habilitada.

E agora, já sabe como proceder para pagar seu cartão? Conte para nós a sua experiência. 

Se você tem alguma dúvida sobre sua vida financeira ou uma boa história sobre dinheiro para contar pra gente, mande um e-mail!

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Carol Sandler
Carol Sandler é fundadora do Finanças Femininas, a maior plataforma online do Brasil de empoderamento feminino através da educação financeira. Apresenta o quadro "Carol, cadê meu dindin" semanalmente no programa SuperPoderosas, da TV Band. Autora do livro "Detox das Compras (Saraiva, 2017) e coautora do livro “Finanças Femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva, 2015), junto com o economista Samy Dana. Estudou Jornalismo na PUC-SP e Economia e Relações Internacionais no Institut d’Études Politiques de la France, em Paris. Colunista do site da revista CLAUDIA e do portal Tempo de Mulher.

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