Assédio no trabalho: psicopata corporativo ou mau-caráter? Como identificar e lidar com eles

22 de março de 2018 - Por

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Quando você se depara com uma pessoa sem escrúpulos, é comum chamá-la de psicopata – inclusive em ambientes de trabalho, quando há assédio moral ou sexual. Não é por acaso que o termo “psicopata corporativo” ganhou notoriedade, inclusive com alguns livros lançados. No entanto, será que esses indivíduos são, de fato, psicopatas?

Para entender, precisamos, primeiramente, saber o que é a psicopatia. Segundo Adriano de Lemos Laves Peixoto, Professor do Instituto de Psicologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Presidente da Associação Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho (SBPOT), trata-se de uma desordem da personalidade caracterizada por um conjunto de elementos afetivos, interpessoais e comportamentais – como falta de empatia e remorso, impulsividade e irresponsabilidade, egocentrismo, manipulação e enganação e comportamentos antiéticos e antissociais.

Psicopata ou mau-caráter?

De acordo com o periódico Psychology Today, existem diferenças na estrutura do cérebro de um psicopata e, para identificá-lo, é preciso uma extensa pesquisa clínica. Por isso, seria um erro usar o termo para descrever genericamente pessoas que cometem assédio no trabalho e são abusivas – resumidamente, são mau-caráter.

“Esse termo infla a percepção de prevalência de uma doença. Sim, existem psicopatas na sociedade e eles trabalham. Então é possível que, em algum momento, convivamos com algum deles. Entretanto, o índice de prevalência do Transtorno de Personalidade Antissocial (psicopatia) é baixo”, diz.

Assim, é possível encontrá-los, também, em posições de chefia. É o que defende Key Sun, especialista em Psicologia Legal e autor do Psychology Today. Para ele, isso acontece porque psicopatas sabem como “se vender” para pessoas de status mais elevado, levar crédito pelas conquistas alheias e são bons em usar o medo para ameaçar e confundir outras pessoas. Isso faz com que elas pareçam extremamente competentes, inteligentes, eloquentes e destemidos.

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“O mercado tende a apreciar várias destas características, confundindo-as com competência e alto preparo para assumir cargos de liderança”, afirma Amalia Sina, autora do livro “Psicopata Corporativo – Identifique-o e Lide Com Ele” (Ed. Évora) e diretora do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp – que ministrou uma palestra a respeito na última quarta-feira (21) no Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP).

Por outro lado, é perfeitamente possível encontrar um indivíduo que, mesmo sem nenhum transtorno de personalidade do tipo, use de artimanhas para se dar bem. “Esse tipo de comportamento está associado ao isolamento físico e social do indivíduo no ambiente de trabalho, retenção de informações e recursos relevantes para a realização do trabalho, sabotagem, crítica pública, fofoca maliciosa, atribuição de prazos e cargas de trabalho não razoáveis e excesso de monitoramento no ambiente de trabalho, de forma deliberada e intencional”, descreve Peixoto.

Aliás, pessoas com essas características – os vulgos canalhas – também podem galgar um cargo de chefia facilmente porque o próprio mercado de trabalho aprecia traços comumente associados a assediadores, como agressividade e desejo de poder.

Lidando com o assédio

Com ou sem transtorno, conviver com esse tipo de toxicidade pode lhe prejudicar, e muito. “O assédio é um forte estressor no ambiente de trabalho, sendo associado à depressão e ansiedade, estresse pós traumático, insônia, náusea e fadiga. Um chefe abusivo compromete o desempenho e a produtividade de sua equipe e cria um ambiente de trabalho desagradável”, aponta Peixoto.

Para ele, as mulheres podem ser tidas como vítimas preferenciais no contexto de trabalho, uma vez que, social e historicamente, somos encaradas como mais frágeis e incapazes de nos defendermos. Por isso, todo cuidado é pouco.

O primeiro passo é identificar se você está lidando com uma pessoa com um transtorno ou apenas mau-caráter. Leia e adquira conhecimento sobre o tema. “Aprender a ler pessoas com as características citadas é a base da capacidade de identificar o psicopata. Em adição, é importante estar preparado emocionalmente. O objetivo é não se tornar mais uma de suas vítimas”, ensina Amalia.

Apesar de você poder tomar essas atitudes individualmente, o assédio no trabalho deve ser visto como uma questão organizacional – ou seja, você não conseguirá fazer muita coisa sozinha se a empresa não enxergar o problema e enfrentá-lo.

Denunciar essa situação nem sempre é tarefa fácil. Aqui você confere algumas dicas de como proceder. O enfrentamento também pode ser feito com ajuda da Justiça do Trabalho, caso a situação não se resolva dentro da própria empresa.

“A organização não deveria permitir que uma chefia com essas características se instalasse. Mesmo que comportamentos mais agressivos sejam desejados em um contexto ou outro de trabalho, existe uma linha que não deve ser cruzada, uma vez que as consequências indesejadas ultrapassam eventuais benefícios”, finaliza Peixoto.

Fotos: Fotolia

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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