Até onde o dólar vai subir?

24 de março de 2015 - Por

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Quando vemos um bombardeio de notícias negativas sobre a economia do nosso pais, a primeira reação é o medo. É o impasse político entre o executivo e o legislativo que comprometem a credibilidade do governo, a inflação que continua alta, os juros que seguem subindo e por último, mas não menos importante, o dólar em um patamar elevadíssimo.

A moeda americana valorizada é motivo de preocupação não só para quem tem viagens marcadas, mas para a população em geral, porque de certo modo também pressiona a inflação. A moeda em alta eleva os preços dos importados e, por consequência, o produtor nacional também opta por elevar seus preços ao consumidor final.

E com o dólar tão sensível não só às intempéries quem vem acontecendo no Brasil, mas também em função do fortalecimento da economia americana, fica na gente uma dúvida angustiante: até que ponto a moeda vai subir?

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Acomodação

O professor de economia da IBE-FGV, Paulo Ferreira, acredita que este patamar de elevação não deve ter sustentação por muito tempo. “Isso é uma coisa momentânea. Pode levar um, dois meses, mas tranquilamente esse preço se acomoda até o final do primeiro semestre”, avalia.

Apesar de não ser possível dizer com precisão até que ponto a cotação pode chegar, o especialista avalia que a lógica da moeda não é muito diferente do que acontece com outros bens. “Tem o exemplo dos imóveis para ilustrar. O preço sobe até um limite, mas em algum momento ele para de subir porque senão não serão vendidos”, afirma.

O professor acrescenta ainda que esses movimentos especulativos sempre acontecem, seja com a moeda ou outro bem que estiver em alta, em algum momento eles precisam voltar à estabilização. “Tivemos há cerca de cinco ou seis anos um momento em que o dólar chegou ao patamar de de R$ 4,00, depois de um tempo caiu para R$ 1,90. Muitos investidores neste momento de incerteza estão estocando moeda, com receio dela voltar para este patamar. Quando a economia der sinais de um pouco mais de segurança eles desovam esses dólares e o mercado volta a se ajustar”, pontua o professor.

Segundo o especialista, não fossem os problemas domésticos, a moeda americana poderia estar cotada na casa dos R$ 2,80 ou R$ 2,90. “Juntou o bom momento da economia americana, que fez o dólar valorizar no mundo inteiro, com as crises que estamos enfrentando aqui no Brasil, tudo isso fez a moeda disparar”.

A sensibilidade da moeda pode ser percebida pelas últimas notícias. Na semana passada, a moeda teve um rápido momento de recuo quando o Banco Central americano anunciou que havia possibilidade de não aumentar os juros no primeiro semestre. Em contrapartida, no dia seguinte, o dólar voltou a subir de preço por conta do mau humor gerado no mercado com uma nova tensão política – desta vez o bate-boca na Câmara dos Deputados que resultou na saída do ministro da Educação, Cid Gomes.

O momento ainda é ruim, nós bem sabemos. O que nos resta fazer é esperar que essa onda de acontecimentos negativos abaixe, porque por enquanto ela parece estar chegando em seu ápice.

 

Crédito das fotos: Shutterstock

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