Baixa autoestima atinge 56% dos brasileiros desempregados, diz estudo

Baixa autoestima atinge 56% dos brasileiros desempregados, diz estudo

Só quem passa ou já passou pelo desemprego sabe o quão angustiante essa situação pode ser. Segundo um levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 56% dos brasileiros desempregados desenvolveram o sentimento de baixa autoestima após perderem o emprego. Já a ansiedade atingiu 70% dos entrevistados.

A pesquisa revelou ainda que 45% declararam sentir vergonha perante a família e amigos próximos, 67% sentem insegurança em não conseguir um emprego, 64% se sentem mais estressados, 60% estão desanimados e 59% sentem medo. Para o estudo, divulgado no início de abril, foram entrevistados 600 desempregados acima de 18 anos, de ambos os gêneros e de todas as classes sociais nas 26 capitais e no Distrito Federal.

“É relativamente comum que pessoas desempregadas sofram com sentimentos como ansiedade, insegurança, estresse e angústia, impactando ainda mais sua qualidade de vida. Casos de depressão, síndrome do pânico e afins são recorrentes em cenários adversos como este. Aliado a isso, pessoas com suas emoções afetadas também podem adotar comportamentos diferentes, tornando-se mais violentas e arredias ou mesmo deprimidas e isoladas”, comenta Alexandre Prado, especialista em desenvolvimento humano.

Desemprego: problema que também atinge a saúde

A análise apontou que os entrevistados passaram a apresentar alteração no sono (54%), mudanças no apetite (47%) e menos vontade de sair de casa (57%). A falta de emprego também provocou enxaqueca frequente (45%) e alteração na pressão arterial (35%). Para descontar a ansiedade, 16% dos entrevistados relataram vício em álcool, cigarro ou compulsão alimentar.

Todos esses problemas estão diretamente ligados à autoestima, um sentimento poderoso capaz de influenciar na saúde do corpo. Ela é uma das habilidades emocionais envolvidas na composição do quoeficiente de inteligência emocional de um indivíduo. “Além disso, é fator essencial para desenvolver o seu índice de bem-estar geral e felicidade. Quando a autoestima está baixa, várias habilidades emocionais são afetadas, com ênfase para as que denominamos de autorrealização. Isso significa que, nestes casos, a pessoa pode não ter vontade de se desenvolver e dar o melhor de si, não solucionando seus problemas diários de forma eficiente”, pontua Renata Aranega, especialista em inteligência emocional.

Baixa autoestima reflete nos relacionamentos interpessoais

Problemas financeiros e alto nível de estresse são fatores que influenciam no relacionamento com amigos e familiares. Seis em cada dez entrevistados (57%) que perderam o emprego disseram se sentir com menos vontade de sair de casa, enquanto 21% reconhecem que têm se mantido recluso e afastado das pessoas. Em situações mais extremas, 11% dos desempregados passaram a cometer agressões verbais contra amigos e familiares e 8% partiram até mesmo para agressões físicas.

Para Renata, durante esse processo, é importante utilizar técnicas e atitudes que ajudarão a se manter em um patamar saudável, mesmo que isso pareça difícil. “Identifique quem a conhece bem o suficiente para opinar sobre seus pontos fortes e suas fraquezas. Peça a eles que os listem com observações ou exemplos específicos e, depois, compare as listas. Assim, você consegue identificar oportunidades para repetir os exemplos positivos que constam no seu feedback. Isso te ajudará a resgatar a autoestima.”

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Autoestima: como recuperar a sua, apesar do desemprego?

Se você está desempregada e se identificou com alguns desses dados, seguir alguns passos poderá te ajudar a recuperar sua autoestima e te deixar mais forte para buscar uma recolocação no mercado de trabalho. É importante estar atenta às suas limitações e buscar formas de utilizá-las a seu favor.

 

“Se tem dificuldade de falar em público, com informática ou em fechar algum negócio, trabalhe essas questões para minimizá-las. É preciso encarar esses problemas e observar suas fraquezas e limitações. Assim, a pessoa se sente mais segura para realizar o que deseja. Se você está desempregada, procure cursos online e gratuitos e use essas ferramentas para ajudá-la a encontrar um novo emprego. Isso também irá elevar a sua autoestima”, aconselha a psicóloga Cláudia Melo.

Manter o foco no que deseja e estabelecer um plano para a sua recolocação é fundamental. “Crie ou atualize o currículo, faça um bom networking, realize pesquisas na internet, cadastre-se em sites especializados e, principalmente, prepare-se. Tem muita gente capacitada disponível no mercado. Aqueles que vão se recolocar primeiro são os mais qualificados e atualizados, e que podem agregar mais valor aos futuros empregadores”, ressalta Prado.

“A gente vê, por exemplo, essa juventude extremamente empreendedora, que faz o seu próprio negócio e consegue se virar. Isso cabe para todo mundo. Analise o que você quer e quais são as suas oportunidades. Ter uma postura de negativismo não vai ajudar em nada. Seja realista, coloque o pé no chão e veja no que pode melhorar”, conclui Ligia Molina, coach de carreira e professora de gestão de pessoas da IBE Conveniada FGV.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni

Gabriella Bertoni

Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
Fale comigo! :) gabriella@financasfemininas.com.br

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