Baixa autoestima: um impulso de consumo

Baixa autoestima: um impulso de consumo

*Carolina Camocardi

O prazer daquela comprinha sempre ajuda a levantar a autoestima. Isso é o que todos pensam e sentem na pele quando saem das lojas felizes com sacolas na mão. Mas será que comprar traz felicidade? Mesmo que momentânea, pode-se chamar essa sensação de felicidade?

Segundo o mestre budista Lama Michel Rinpoche qualquer momento que não se sustente por si só, não pode ser considerado felicidade. Percebe-se bem isso quando poucos minutos após sair da loja você sente a vontade de comprar novamente, ou seja, algo não foi preenchido.

E é nessa vontade que o poder do marketing desperta o desejo de uma nova necessidade. A intenção de consumo das famílias (ICF) aumentou neste começo de ano, mesmo com mais de 53% de famílias endividadas no estado de São Paulo, como aponta os dados das pesquisas de endividamento e inadimplência do consumidor, divulgadas pela Fecomércio-SP. Parte da propensão do aumento de consumo está ligada às liquidações, segundo a federação.

Além do impacto financeiro, é preciso contabilizar o emocional. Aquela falsa percepção de aumento na autoestima na verdade é a falta dela. E quanto mais criamos hábitos negativos de consumo, mais entramos no ciclo de baixa autoestima.

Se o consumo e autoestima andassem de mãos dadas, seríamos as pessoas mais felizes do mundo, mas isso não acontece. Segundo pesquisa da American Psychological Association, o consumo aumentou entre a população americana nos últimos 50 anos, mas os americanos não se sentem mais felizes.

auto-estima

Na verdade, quem dá as mãos ao consumo desenfreado é a baixa autoestima. Quem se valoriza, se contenta com seu modo de ser e expressa confiança em ser quem é, não precisa provar nada ao mundo e nem se comparar a ninguém. Mas quem tem percepção negativa de si mesmo busca aprovação externa e alimenta o sentimento de inferioridade. Para se sentir pertencente, usa o mecanismo de consumir mais e mais e se sente, mesmo que momentaneamente, realizada e feliz.

Mas a felicidade vem do autoconhecimento, assim como a autoestima. Só ter consciência desse processo já é um grande passo. “Comprar o estado de espírito na magreza não deixa ninguém magra”, brinca a psicanalista especializada em compulsão Alessandra Cejkinki. “Você pode até comprar a calça e se sentir mais magra, mas de fato não está”, explica a terapeuta rindo. A mente cria armadilhas e por isso é importante o processo de autoconhecimento.

*Carolina Camocardi é personal stylist e trabalha com o conceito da imagem consciente. Desenvolve consultorias personalizadas com foco no autoconhecimento da própria imagem, desconstrução de paradigmas e reorganização visual e conceitos. 

Fotos: Fotolia

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