Bolsa desvia da tensão política e fecha em alta pelo 3º dia consecutivo

18 de junho de 2020 - Por

Bolsa desvia do caso Queiroz e fecha em alta pelo 3º dia consecutivo

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Este texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: +0,6% (96.125 pontos)

Dólar: +2,1% (R$ 5,37)

Casos de coronavírus: 965.512 confirmados e 46.842 mortes*

Resumo:

  • Investidores se agarram na queda da Selic e resultado do IBC-Br para manter alta do Ibovespa, apesar da pressão política causada pela prisão de Fabrício Queiroz;
  • possível segunda onda de coronavírus preocupa mercados externos, colaborando para alta do dólar;
  • “prévia” do PIB mostra tombo de quase 10% na economia brasileira em abril, maior queda em 17 anos;
  • Câmara suspende pagamento de acordos trabalhistas pelo menos até dezembro;
  • percentual de famílias com dívidas bate novo recorde, diz CNC.

Depois de um ano de busca, o Brasil acordou com a notícia de que Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro e amigo de longa data de Jair Bolsonaro, foi preso na manhã desta quinta-feira (18). Apesar de bombástica para o setor político, a notícia passou batida pelo mercado financeiro, que se agarrou a dois pontos para se manter otimista e ajudar a Bolsa a fechar em alta hoje.

A primeira é a redução da taxa Selic da véspera, que por si animou os investidores a migrarem para a renda variável, comprando mais ações. A segunda foi a divulgação do IBC-Br de abril, como você verá mais adiante. Apesar de ter sido o pior índice em 17 anos, a chamada “prévia” do Produto Interno Bruto (PIB) foi um melhor do que os analistas do mercado estavam esperando, que era uma queda de 11%.

Com isso, o Ibovespa conseguiu driblar as baixas das bolsas internacionais, ainda causadas pelo medo de uma segunda onda do coronavírus. Nos Estados Unidos, os estados do Arizona, Carolina do Norte e Texas vêm registrando recordes de internações. Focos de surtos também vêm acontecendo em Pequim, China.

Apesar de ter passado pelo terceiro dia consecutivo de alta, o cenário externo contribuiu para que o dólar comercial subisse.

Vale dizer que a tensão política no cenário interno segue – e a questão continuará no radar do mercado por envolver a família do presidente da República. Queiroz foi encontrado em um sítio em Atibaia, interior de São Paulo, que pertence ao advogado Frederick Wassef, que defende Bolsonaro no caso da facada de Adélio Bispo.

Bolsa desvia do caso Queiroz e fecha em alta pelo 3º dia consecutivo

“Prévia” do PIB mostra tombo de quase 10% na economia brasileira em abril, maior queda em 17 anos

O nível de atividade da economia brasileira registrou queda de 9,73% em abril, ante a março, aponta o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), divulgado nesta quinta-feira pelo Banco Central (BC).

Este indicador é considerado uma “prévia” do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país –, usado para medir a evolução da economia.

Segundo o BC, essa foi a maior queda do IBC-Br desde janeiro de 2003, início da série histórica.

O número apresentado pelo BC reflete o impacto da pandemia do coronavírus sobre a economia, sentidos mais intensamente a partir de março. Este resultado já passou pelo ajuste sazonal, que nada mais é do que uma “compensação” para comparar períodos diferentes.

Câmara suspende pagamento de acordos trabalhistas pelo menos até dezembro

Se você foi demitida e fez um acordo para receber a rescisão de forma parcelada, talvez fique com o recebimento suspenso e só volte a receber em janeiro. Pelo menos de acordo com a medida aprovada pela Câmara dos Deputados aprovada nesta quarta-feira.

A emenda – incluída na Medida Provisória (MP) 927, que muda a legislação trabalhista durante o período de calamidade pública decretado por causa da COVID-19 – prevê que os pagamentos de acordos trabalhistas judiciais ou extrajudiciais serão suspensos pelo menos até 31 de dezembro para as empresas que foram obrigadas pelo poder público a parar as atividades total ou parcialmente durante a pandemia do coronavírus.

Essa medida valerá para acordos realizados em rescisão do contrato de trabalho, para quitar ações trabalhistas e para quem aderiu a planos de demissão voluntária (PDV).

Percentual de famílias com dívidas bate novo recorde, diz CNC

O percentual de famílias endividadas no Brasil quebrou um novo recorde, subindo para 67,1% em junho, aponta pesquisa divulgada esta quinta-feira pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Antes, o maior percentual havia sido alcançado em abril deste ano, quando ficou em 66,6%.

O levantamento aponta que o endividamento tem aumentado mais entre as famílias com menor renda. O percentual de endividados entre aquelas com rendimento mensal de até 10 salários mínimos cresceu de 67,4% em maio para 68,2% em junho. Já as famílias com renda acima de dez salários mínimos estão menos endividadas: este mesmo percentual caiu de 61,3% em maio para 60,7% em junho.

Já o percentual e famílias inadimplentes – ou seja, com dívidas em atraso –, alcançou 25,4% em junho, ante 25,1% em maio. Este é o maior nível desde dezembro de 2017. Destas, 11,6% declararam que permaneceriam inadimplentes, já que não têm condições de pagar o que devem – patamar mais alto desde novembro de 2012.

O cartão de crédito segue sendo o principal responsável pelo endividamento (76,1%), seguido por carnês (17,4%) e financiamento de veículos (11,7%).

Um outro levantamento – este do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) –, mostrou que 11,3% dos consumidores estão se endividando por causa de despesas essenciais, enquanto 15,5% afirmaram que estão usando recursos da reserva de emergência.

Somando os dois percentuais, percebe-se que 26,8% dos entrevistados estão em situação de estresse financeiro. O orçamento sob pressão é ainda mais recorrente na faixa de menor renda, que recebe até R$ 2,1 mil por mês, chegando a 30,5%.

*Até o fechamento do texto. Fonte: levantamento feito por jornalistas de G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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