Bolsa dribla apreensões com contas públicas e fecha em alta

20 de agosto de 2020 - Por

Bolsa dribla apreensões com contas públicas e fecha em alta

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Este texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: +0,61% (101.467 pontos)

Dólar: +0,43% (R$ 5,55)

Casos de coronavírus: 3.470.517 confirmados e 111.443 mortes*

Resumo:

  • Bolsa vira de última hora e fecha em alta depois de Maia defender manutenção do veto ao aumento salarial de servidores públicos;
  • ontem, o Senado derrubou o veto de Bolsonaro à mesma questão;
  • seguindo visão pessimista do Fed, número de pedidos de seguro desemprego nos EUA volta a subir;
  • Brasil alcança 111 mil mortes por coronavírus;
  • desemprego durante pandemia tem alta de 20,9% entre maio e julho, aponta IBGE;
  • cerca de 4 milhões buscaram empréstimos com piora da situação econômica;
  • violência patrimonial cresceu na pandemia, em especial contra mulheres, diz Datafolha

Depois de passar maus bocados ao longo do dia, a Bolsa conseguiu virar o jogo e fechar em alta nesta quinta-feira (20). Mais cedo, a situação havia ficado intensa: todos os conflitos que já repercutiam ontem esquentaram, criando um clima de dúvidas.

A começar pelas contas públicas, de onde vem parte das incertezas dos investidores. Na véspera, o Senado derrubou um veto do presidente Jair Bolsonaro que freava o reajuste salarial dos servidores públicos durante dois anos. Como esta seria uma medida do governo para reduzir os gastos, barrar o veto acabou acendendo as dúvidas sobre a saúde fiscal do País. Por isso, o Ibovespa – principal índice de ações da B3 – já abriu sentindo os efeitos negativos.

Contudo, horas mais tarde, Rodrigo Maia, presidente da Câmara, afirmou ser “muito importante” a manutenção do veto. A fala criou expectativa nos investidores de que o veto seja mantido na casa, ajudando o índice a subir. Como a votação ainda não havia sido finalizada até o fechamento da Bolsa, a decisão deve repercutir no pregão de amanhã.

No cenário externo, o começo do dia também foi de apreensão, ainda repercutindo a visão pessimista do Fed – Federal Reserve, o banco central estadunidense – sobre a recuperação econômica dos Estados Unidos por conta da pandemia. Os dados semanais de seguro desemprego no país confirmaram a visão, já que foram registrados 1,106 milhão de pedidos ante os 971.000 da semana passada.

A situação lá fora só começou a melhorar depois que o conselheiro econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, declarou que os EUA seguem comprometidos com o acordo comercial com a China.

Tanto Brasil quanto Estados Unidos – talvez o globo inteiro – seguem sentindo os efeitos do coronavírus na economia. Por aqui, já são mais de 111 mil mortos e 3,4 casos confirmados, com aumento no Distrito Federal, Amazonas e Bahia, de acordo com o consórcio de veículos de imprensa*.

Bolsa dribla apreensões com contas públicas e fecha em alta

Desemprego durante pandemia tem alta de 20,9% entre maio e julho, aponta IBGE

Diante da pandemia do coronavírus – e seus impactos econômicos –, o número de desempregados no Brasil subiu 20,9% entre maio e julho, mostraram dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo a pesquisa, o Brasil fechou o mês de julho com 12,2 milhões de desempregados, aproximadamente 2,1 milhões a mais do que no mês de maio (cerca de 10,1 milhões de pessoas). Desta forma, a taxa de desemprego no País passou de 12,4% em junho para 13,1% em julho.

O levantamento mostrou, ainda, que o país perdeu 1,9 milhões de trabalhadores informais em três meses. Além disso, 3,2 milhões de trabalhadores afastados ficaram sem remuneração em julho.

Estes dados fazem parte da Pnad Covid19, versão da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua feita com apoio do Ministério da Saúde.

Cerca de 4 milhões buscaram empréstimos com piora da situação econômica

Com a crise financeira provocada pelo coronavírus, cerca de 4 milhões de brasileiros acabaram recorrendo a algum tipo de empréstimo entre maio e julho, de acordo com informações divulgadas nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também como parte da Pnad Covid19.

Destes, 3,3 milhões foram concedidos, enquanto os 762 mil restantes (19%) foram negados. 59,2% dos que não conseguiram pertencem às duas classes de rendimento mais baixas, ou seja, que recebem menos de um salário mínimo.

Violência patrimonial cresceu na pandemia, em especial contra mulheres, diz Datafolha

Além do desemprego, outro índice preocupante tem aumentado durante a pandemia: a incidência de episódios de violência patrimonial no Brasil, de acordo com pesquisa encomendada pelo C6 Bank ao Datafolha.

A violência patrimonial acontece quando uma pessoa tenta controlar a vida de outra por meio de ameaças ligadas a dinheiro e bens da família – algo especialmente usado contra mulheres e idosos. Essas vítimas também costumam ser desestimuladas a controlar as finanças da casa, mesmo sendo plenamente capazes de fazer isso.

De acordo com o Datafolha, houve aumento de 47% nos relatos de impedimento a participar das decisões de compra de produtos e serviços para a casa; alta de 37% nas afirmações de desestímulo a tomar medidas de controle do orçamento familiar; 37% no aumento de relatos de recursos financeiros para necessidades pessoais negados.

Também houve aumento nos casos de pessoas que tiveram seus cartões usados sem o consentimento por pessoas de seu convívio (24%), assim como de ameaças de corte de recursos vindas de alguém da família, dependendo de suas atitudes pessoais (+18).

Para chegar a essa conclusão, o Datafolha ouviu 1.503 homens e mulheres com mais de 16 anos de todas as classes sociais e regiões do País.

O mesmo estudo já havia mostrado que os efeitos financeiros da pandemia, assim com os profissionais e psicológicos, são mais profundos em mulheres, pretos e pardos e para cidadãos de classes mais baixas.

*Até o fechamento do texto. Fonte: levantamento feito por jornalistas de G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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