Bolsa fecha em alta, mas crise política e coronavírus ainda preocupam mercado

27 de abril de 2020 - Por

Bolsa fecha em alta, mas crise política e coronavírus ainda preocupam mercado

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Esse texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: +3,86% (78.238 pts)

Dólar: -0,07% (R$ 5,66)

Casos de coronavírus: 66.501 confirmados e 4.543 óbitos (fonte: Ministério da Saúde)*

Resumo:

  • Bolsa reage a endosso de Bolsonaro a Paulo Guedes e opera em alta;
  • dólar quase bate novo recorde ao longo do dia, mas fecha em leve queda;
  • Brasil registra 338 novas mortes por coronavírus nas últimas 24 horas;
  • Auxílio emergencial: Caixa começa a liberar saques em dinheiro da poupança digital nesta segunda;
  • mercado financeiro prevê queda de 3,34% do PIB em 2020.

Depois de uma sexta-feira de caos no mercado financeiro por conta da demissão de Sérgio Moro, os investidores puderam respirar nesta segunda (27). No começo do dia, ainda havia desconfiança: afinal, o presidente Jair Bolsonaro iria ou não manter Paulo Guedes, ministro da Economia, em seu cargo?

Mais tarde, Bolsonaro declarou: “O homem que decide economia no Brasil é Paulo Guedes”. O endosso acalmou o mercado e ajudou a Bolsa a subir. Este movimento foi reforçado pelas altas no mercado internacional, o que devolveu ao Ibovespa as perdas que aconteceram na sexta-feira (24).

Lembrando que a desconfiança dos investidores de que Guedes poderia sair do cargo não vieram apenas da demissão de Moro mas, também, do Plano Pró-Brasil – baseado no aumento de gastos públicos e liderado pela Casa Civil, não pela equipe econômica.

O mercado segue de olho em possíveis tensões políticas causadas pelo evento de sexta-feira, assim como em um possível novo corte na taxa Selic. Além disso, a preocupação com os impactos do coronavírus na economia mundial segue no radar. Este e outros fatores ainda pressionam o dólar, que voltou a subir nesta segunda.

Observa-se, ainda, a postura de Bolsonaro em relação à pandemia. Para que se tenha ideia, em entrevista coletiva virtual, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou ver “consequências nefastas” do presidente do Brasil diante das atitudes do presidente.

O número de infectados pelo COVID-19 no Brasil ultrapassou a marca dos 60 mil. Nas últimas 24 horas, registramos 338 novas mortes e 4.613 novos casos de pessoas contaminadas – sem contar as subnotificações, que preocupam a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Auxílio emergencial: Caixa começa a liberar saques em dinheiro da poupança digital

A partir desta segunda-feira (27), a Caixa Econômica Federal (CEF) começou a liberar os saques em dinheiro do auxílio emergencial para quem o recebeu nas poupanças digitais do banco – pessoas que não recebem Bolsa Família e não possuem conta em outro banco.

Bolsa fecha em alta, mas crise política e coronavírus ainda preocupam mercado

Até então, o valor da renda básica emergencial só podia ser usado como débito ou transferência. Nem todos podem sacar o dinheiro hoje, visto que a Caixa está liberando a retirada com base na data de nascimento, até 5 de maio.

Essa restrição só vale para quem está recebendo o auxílio emergencial pela poupança digital criada pela Caixa. Aqueles que obtiveram o depósito em outra conta bancária ou no lugar do Bolsa Família não têm restrição ao saque.

Por que você precisa saber? Para programar como você utilizará o auxílio emergencial. Caso você ainda não possa sacar, vale usar os recursos de forma digital, ou seja, pagando boletos e faturas pelo código de barras e transferindo para contas de outros bancos.

Coronavírus: mercado financeiro prevê queda de 3,34% do PIB em 2020

Mais uma vez, os economistas entrevistados pelo Banco Central (BC) para elaboração do Relatório Focus aumentaram sua expectativa de recessão na economia brasileira. Na semana passada, previam encolhimento de 2,96%. Já no boletim divulgado nesta segunda (27), a projeção passou para -3,34%.

A expectativa pessimista vem da observação dos profissionais de mais de 100 instituições financeira, que percebem os impactos do coronavírus na economia do mundo inteiro.

O relatório também apontou que os analistas do mercado financeiro esperam inflação de 2,20% para 2020. Na semana passada, a previsão era de 2,23%. Se a previsão se cumprir, o Brasil ficará abaixo do piso da meta determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 2,5%.

Segundo o relatório divulgado pelo BC, os analistas do mercado financeiro reduziram a estimativa de inflação para 2020 de 2,23% para 2,20%. Foi a sétima redução seguida do indicador.

Por que você precisa saber? Quando um país entra em recessão, todos seus habitantes sofrem, direta ou indiretamente, especialmente os mais pobres. Há perda de emprego, diminuição no poder de consumo, entre outros efeitos preocupantes.

*Até o fechamento do texto

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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