Bolsa foge da “maldição de maio” e tem melhor resultado desde 2009

29 de maio de 2020 - Por

Apesar do coronavírus e queda no PIB, Bolsa tem melhor maio desde 2009

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Este texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: +0,52% (87.402 pontos)

Dólar: -0,85% (R$ 5,34)

Casos de coronavírus: 450.079 confirmados e 27.276 óbitos*

Resumo:

  • apesar dos impactos do coronavírus na economia, Ibovespa foge da “maldição de maio” e fecha o mês em alta;
  • EUA mantém acordo comercial com China e Bolsa reage bem nesta sexta-feira (29); Trump também anunciou rompimento com OMS;
  • PIB do Brasil cai 1,5% no 1º trimestre; ministério da Economia prevê queda maior no 2º trimestre;
  • cresce pessimismo com a economia, aponta pesquisa Datafolha
  • Receita paga primeiro lote de restituição do Imposto de Renda 2020 nesta sexta-feira.

A sexta-feira (29) começou com apreensão na Bolsa por causa da divulgação do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no 1º semestre e das crescentes tensões entre Estados Unidos e China, conforme relatamos há dias.

O clima apreensivo contaminou o Ibovespa, que ficou negativo a maior parte do dia na espera da coletiva de imprensa com Donald Trump, presidente dos EUA, marcada no dia anterior.

Quando a fala finalmente ocorreu, foi menos dura do que o esperado: Trump anunciou que manterá acordo comercial com a China, o que aliviou as perdas das bolsas de Nova York. Bom para o Ibovespa, que acompanhou o movimento. O dólar, que antes estava subindo, passou a cair.

O motivo da briga é uma lei de Segurança Nacional para Hong Kong aprovada pelo Legislativo chinês na última quinta-feira (28). A administração de Trump avalia que a lei tolheria direitos e liberdade de expressão das pessoas na ilha.

No mesmo discurso, o presidente americano também rompeu relações com a Organização Mundial da Saúde (OMS), apesar de não deixar claro como isso acontecerá.

Desta forma, o pregão desta sexta-feira fecha um mês de altas emoções. Apesar do impacto econômico da pandemia do coronavírus no mundo inteiro, a Bolsa fugiu da chamada “maldição de maio” – “lenda” criada a partir do histórico de baixas nas bolsas de valores neste mês –, tendo alta acumulada de 6,36% nessa semana e de 8,58% no mês, resultando no melhor maio desde 2009. Em 2020, o Ibovespa teve queda acumulada de 24,42%.

O dólar acumula queda de 4,44% na semana; no mês, 1,90%. Já em 2020, a alta acumulada é de 33,08%.

PIB do Brasil cai 1,5% no 1º trimestre; ministério da Economia prevê queda maior no 2º trimestre

Os primeiros reflexos do impacto da pandemia do coronavírus na economia apareceram com clareza no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que caiu 1,5% no 1º trimestre, ante o último trimestre de 2019, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

PIB do Brasil cai 1,5% no 1º trimestre

“A queda do PIB do primeiro trimestre deste ano interrompe a sequência de quatro trimestres de crescimentos seguidos e marca o menor resultado para o período desde o segundo trimestre de 2015 (-2,1%). Com isso, o PIB está em patamar semelhante ao que se encontrava no segundo trimestre de 2012”, informou o IBGE em comunicado.

Se comparado ao PIB do 1º trimestre de 2019, a queda foi de 0,3%. Já no acumulado em 12 meses, registrou aumento de 0,9%, comparado aos trimestres imediatamente anteriores.

De acordo com o IBGE, o que mais pesou na queda do PIB foi o recuo de 1,6% nos serviços, setor que representa 74% do PIB. A indústria sofreu queda de 1,4%, enquanto a agropecuária cresceu 0,6%.

“Aconteceu no Brasil o mesmo que ocorreu em outros países afetados pela pandemia, que foi o recuo nos serviços direcionados às famílias devido ao fechamento dos estabelecimentos. Bens duráveis, veículos, vestuário, salões de beleza, academia, alojamento, alimentação sofreram bastante com o isolamento social”, explicou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Vale, ainda, destacar a queda de 2% no consumo das famílias, que pesa 65% no cálculo do PIB, de acordo com Palis.

Em nota, o ministério da Economia espera um resultado ainda pior no 2º semestre: “Os efeitos danosos sobre a saúde da população brasileira e da nossa economia ainda persistem. Dessa forma, o resultado econômico da atividade no segundo trimestre será ainda pior. As consequências são nefastas para a população, com aumento do desemprego, da falência das empresas e da pobreza.”

Lembrando que o PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

Cresce pessimismo com a economia, aponta pesquisa Datafolha

Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira mostra que o pessimismo com a economia brasileira aumentou por causa do impacto da pandemia do coronavírus.

Segundo levantamento, 68% dos entrevistados afirmaram acreditar que a pandemia vai afetar a economia por muito tempo, contra 56% em abril. Já 27% acham que a economia será afetada por pouco tempo, 2% acreditam que o coronavírus não prejudicará a atividade econômica e 3% declararam não saber.

O Datafolha também perguntou sobre a reação do governo para combater o impacto negativo da pandemia sobre a economia. Enquanto 15% dos entrevistados acreditam que o governo fez mais do que deveria, 37% acham que o governo fez o que deveria e 45% acham que o governo fez menos do que deveria.

Ao todo, o instituto ouviu ouviu 2.069 adultos por telefone celular entre segunda (25) e terça (26). A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Receita paga primeiro lote de restituição do Imposto de Renda 2020 nesta sexta-feira

Pela primeira vez na história, a Receita Federal (RF) paga o primeiro lote de restituição do Imposto de Renda no próprio mês de maio: ele foi realizado nesta sexta, a partir das 9h. Também é a primeira vez que a RF realiza o pagamento antes do prazo final da entrega da declaração, que encerra em 30 de junho devido à pandemia do coronavírus.

O primeiro lote contempla 901.077 contribuintes com prioridade legal, entre eles idosos acima de 80 anos, entre 60 e 79 anos e com alguma deficiência física ou mental ou moléstia grave.

Lembrando que o valor da restituição fica disponível no banco durante um ano. Caso não haja resgate dentro deste prazo, o contribuinte precisará pedi-la por meio do Formulário Eletrônico – Pedido de Pagamento de Restituição, ou diretamente no e-CAC, no serviço Extrato do Processamento da DIRPF.

*Até o fechamento do texto. Fonte: G1, via levantamento feito junto às secretarias estaduais de saúde

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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