Brasileiro conhece Bolsa de Valores, mas prefere poupança, diz estudo

2 de agosto de 2018 - Por

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Quando você pondera sobre guardar dinheiro, o que vem na sua memória? Se a poupança for a primeira opção, você pensa como a maioria da população brasileira. De acordo com uma pesquisa encomendada ao Datafolha pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), 32% dos entrevistados citaram a caderneta como um tipo de investimento conhecido.

Em segundo lugar dos investimentos mais conhecidos estão as ações – elas foram citadas espontaneamente por 11% dos entrevistados. Na segunda fase do levantamento, quando a pergunta veio acompanhada de alternativas, as ações seguiram na segunda colocação, com 77%, enquanto a poupança se manteve em primeiro lugar, com 92%.

Para o levantamento, foram entrevistadas 3.374 pessoas em todo o Brasil, distribuídas em 152 municípios, com a população economicamente ativa, inativos que possuem renda e aposentados, das classes A, B e C, a partir dos 16 anos.

De acordo com Sérgio Dias, economista e consultor do Sebrae, as ações da Bolsa de Valores são mais conhecidas pelos brasileiros devido à maior divulgação que ocorre nas mídias escrita e televisiva. “Já a poupança recebe muita divulgação por parte dos bancos. Como o investimento em ações requer acompanhamento, conhecimento e paciência, acaba ficando fora do alcance da maioria. Por outro lado, a caderneta de poupança, embora ofereça uma remuneração muito baixa, recebe a atenção da maioria dos pequenos investidores pela sua facilidade de operação e liquidez imediata, com um risco praticamente nulo.”

Não é porque as pessoas conhecem que elas investem

Nós sempre falamos da importância de diversificar seus investimentos e de como fazer investimentos mais arriscados. Entretanto, essa não é a realidade da maioria dos brasileiros. De acordo com a mesma pesquisa, 37% afirmaram fazer aplicações na caderneta de poupança. Com uma diferença representativa, aparecem os planos de previdência privada, na segunda colocação, com 3% da preferência. Fundos de investimento e títulos privados ficam empatados na sequência, com 2% cada. Ações, títulos do tesouro, moedas digitais e os títulos de capitalização têm 1% de participação cada.

“Poupar dinheiro é uma questão de hábito. O trabalhador tem um salário e é dali que precisa sobrar algum recurso ao final do mês. Essa diferença é o que as famílias podem poupar e investir. Hoje existe uma gama de possibilidades de investimentos. O ponto importante é saber sobre o retorno do capital investido (ou rentabilidade), mas também estar atento ao risco”, pontua Uirá Sorbo Semeghini, professor de economia da IBE Conveniada FGV.

Para ele, o medo de perder dinheiro faz com que as pessoas deixem passar oportunidade de gerar mais renda. “O brasileiro é um povo muito trabalhador e sonhador. Somos um país de renda média, o dinheiro aqui é muito suado, difícil de conquistar e, para agravar, ainda estamos atravessando um longo período de recessão econômica, uma das mais severas de toda a nossa história. Por tudo isso, não sobra muito para ser investido e, quando sobra, o brasileiro ainda teme investir em papéis mais voláteis, como ações e fundos de investimentos”, acrescenta.

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Educação financeira pode mudar a sua realidade econômica

Os dados da pesquisa da Anbima mostram que o conhecimento do brasileiro sobre ações não está diretamente relacionado ao seu apetite por risco. Dos entrevistados, 42% afirmaram que pretendem aplicar ou continuar aplicando na poupança, enquanto apenas 2% têm interesse em comprar ações.

“É fundamental buscar informações sobre investimentos em publicações especializadas, corretoras e até mesmo nos bancos. Porém, o mais importante é saber qual é o seu perfil de investidora (mais agressiva, moderada ou conservadora) e definir bem o seu objetivo. Crie o hábito de poupar e ir se arriscando aos poucos. Assim, é possível aprender a investir na prática e criar uma carteira de investimentos diversificada”, ressalta Semeghini.

Para Dias, o desconhecimento do mercado financeiro somado à propensão ao consumo apenas agrava o medo do brasileiro na hora de investir. “Antes de fazer aplicações, tenha um planejamento financeiro e determine o percentual de sua receita que pretende destinar para isso. Depois, busque informações sobre todas as opções de investimento disponíveis no mercado financeiro, comparando os riscos, taxas de remuneração e condições de liquidez”, conclui.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni
Gabriella Bertoni
Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
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