Cheque especial: cuidados após a nova regra do Banco Central

5 de dezembro de 2019 - Por

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A partir de janeiro, os clientes com até R$ 500 reais de limite no cheque especial deverão pagar até 8% de juros do valor utilizado, segundo determinação do Conselho Monetário Nacional (CMN). A medida ainda permite cobrança de até 0,25% ao mês pela disponibilização do cheque especial, no caso de clientes com limite acima de R$ 500.

Por exemplo, se você tiver um limite de R$600 sem utilizar, o banco poderá cobrar R$0,25 por mês, que corresponde a 0,25% de R$ 100, que é o valor excedente dos R$ 500 isentos da tarifa. Em caso de utilização do limite, você paga uma taxa de juros de até 8% ao mês sobre o valor utilizado.

A nova regra do cheque especial passará a valer em 6 de janeiro de 2020 para novos contratos. Já os clientes com  crédito disponível, a cobrança da tarifa será permitida a partir de 1 º de junho do próximo ano. Vale salientar que a cobrança da taxa de juros é feita diariamente e 8% corresponde ao mês todo, podendo variar de acordo com o  banco.

Segundo o Banco Central (BC), aproximadamente 19 milhões de pessoas com cheque especial têm limite inferior a R$500 e não pagarão a tarifa. No entanto, você sabe como utilizar o limite do seu cheque especial? Quais os cuidados para não ficar enrolada? Veja as dicas para não se endividar.

Quando utilizar o cheque especial?

Sempre falamos sobre o risco de endividamento com o cartão de crédito e o limite disponível em conta. A redução da taxa de juros do cheque especial não significa que você poderá utilizar esse dinheiro em qualquer situação, como para comprar uma bolsa que estava na promoção.

Nadja Heiderich, coordenadora do Núcleo de Estudos de Conjuntura Econômica da FECAP, alerta que mesmo com a limitação do juros a taxa continua bem alta, aproximadamente 150% ao ano. “Se você deixar um débito no cheque especial por mais de um ano, o valor vai dobrar. É necessário tomar cuidado para não ser algo recorrente, porque não é um tipo de crédito que o consumidor pode recorrer de maneira constante ao longo dos meses. É um valor de emergência. Para créditos mais longos, existem opções mais baratas”, afirma.

O uso do cheque especial é indicado para situações pontuais e emergenciais, quando a pessoa sabe que vai conseguir repor o valor o mais breve possível. Se você não sabe como vai pagar, não utilize esse dinheiro, pois a dívida cresce rapidamente e o risco de ficar endividada é muito alto.

Controle financeiro para não se endividar

Fazer o controle dos gastos e cuidar do seu dinheiro são princípios básicos para não ficar endividada, sobretudo, nesse final de ano com presentes de natal e amigo secreto. Faça um orçamento mensal com a sua renda e despesas que incluem aluguel, contas de água, luz, telefone, supermercado, entre outros. Heiderich recomenda separar um valor residual para emergências e só utilizar o cheque especial em situações imprevistas.

“Jamais utilize o cheque especial para comprar sapato, por exemplo. Por mais que você consiga 5% de desconto na compra, você vai pagar 8% de juros no final do mês. Você paga mais por adquirir itens pela vontade”, diz.

Fotos: AdobeStock

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Carol Nogueira
Carol Nogueira
Repórter do Finanças Femininas, fã de David Bowie e John Coltrane. Passa o tempo livre pesquisando textos da Sylvia Plath e assistindo séries na Netflix.
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