Cheque especial: saiba como cancelar o seu limite

19 de dezembro de 2019 - Por

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A cobrança de tarifa de quem não usa o cheque especial está dando o que falar. A determinação do Banco Central estabelece que, a partir de 6 de janeiro, novos clientes com limite de crédito acima de R$ 500 devem pagar uma taxa de até 0,25% ao mês pela disponibilização do valor em conta. Para correntistas antigos, a medida valerá a partir de 1° de junho.

Dessa forma, se você tiver um limite de R$600 sem utilizar, o banco poderá cobrar R$0,25 por mês, que corresponde a 0,25% de R$ 100, que é o valor excedente dos R$ 500 isentos da tarifa. Em caso de utilização do limite, você paga uma taxa de juros de até 8% ao mês sobre o valor utilizado.

Cobrança de tarifa deverá ser comunicada um mês antes

Antes de começar a cobrança de tarifa, a nova regra do Banco Central determina que os bancos devem comunicar os clientes um mês antes. Há 80 milhões de clientes com limite acima de R$ 500. Outros 19 milhões de pessoas com cheque especial abaixo de R$ 500 e que estão isentos da tarifa, segundo o BC.

O banco pode aumentar o limite de crédito sem autorização do cliente?

Atualmente, o cheque especial é uma das modalidades de crédito mais caras do país, com juros de aproximadamente 12% ao mês. Geralmente, o serviço é adquirido e consta no contrato de abertura da conta corrente. A redução ou aumento do limite deve acontecer com o consentimento do cliente.

Se o valor do cheque especial aumentar ou reduzir sem a autorização do correntista, é
recomendável solicitar esclarecimentos e a regularização do limite diretamente no banco, segundo João Pedro Alves, especialista em Direito do Consumidor no Meirelles Milaré Advogados.

“Se o problema não for resolvido desta forma, poderá utilizar as ouvidorias dos bancos ou dos canais especializados em auxiliar o consumidor, como, o Reclame Aqui ou o consumidor.gov.br. Os correntistas podem ainda procurarem o Procon ou Banco Central para formalizarem suas reclamações”, orienta Alves.

Como cancelar o cheque especial?

A facilidade de acesso ao dinheiro pode representar um grande perigo para as suas finanças pessoais, mesmo com a redução dos juros. “É muito fácil de usar, não precisa solicitar, nem assinar nada e, no próprio extrato bancário se confunde como uma extensão do saldo. Além disso, a taxa de juros que ele cobra é muito alta, é a segunda mais alta, fica atrás somente do cartão de crédito”, alerta Viviane Ferreira, planejadora financeira CFP da Planejar.

Os clientes podem solicitar o cancelamento do cheque especial diretamente com o gerente do banco ou conta. “Cada banco possui o seu procedimento interno e alguns permitem cancelar até pela internet. O Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) dos bancos também podem ser acionados caso o correntista queira cancelar o seu cheque especial”, diz Alves.

Quando usar o limite de crédito?

O cheque especial é recomendado para situações pontuais e emergenciais, quando a pessoa sabe que vai conseguir repor o valor o mais breve possível. Caso não saiba como vai pagar, não utilize esse dinheiro, pois apesar da redução dos juros, a dívida cresce rápido e o risco de ficar endividada é muito alto. Se precisar de dinheiro e não tiver um valor guardado, considere outras opções como o crédito pessoal ou consignado.

“O crédito pessoal é bem mais barato que o cheque especial com uma taxa de juros média de 5,91% ao mês, que corresponde a 99,11% ao ano. O crédito consignado é ainda mais baixo, 2,49% ao mês, equivalente a 34,27% ao ano”, explica Ferreira.

Dicas para não ficar dependente do cheque especial

A facilidade pode te iludir todos os meses e você ficar presa no uso constante do cheque especial. Ferreira recomenda a organização do orçamento, redução dos gastos e renda extra para cobrir as despesas e não ficar dependente do limite de crédito.

É fundamental anotar todas as suas receitas e despesas no papel, planilha ou aplicativo. Fazer as contas, planejar quanto vai gastar na semana e mês de acordo com as possibilidades do seu bolso.

“Fazer cálculos mentais é a pior coisa que uma pessoa pode fazer para seu orçamento, porque você se esquece que já gastou determinado dinheiro e gasta de novo. Por isso que anotar, seja em planilha, caderno ou aplicativo é a forma mais confiável para ficar dentro dos gastos que se propõe.”, afirma.

Outra dica importante é fazer uma reserva de emergência para ter dinheiro e cobrir gastos inesperados ou mesmo oportunidades. “Uma parte pequena dessa reserva pode ficar em aplicação com resgate automático, que te ajuda a cobrir a conta em momentos de imprevisto, sem entrar no cheque especial”, conclui.

Fotos: AdobeStock

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Carol Nogueira
Carol Nogueira
Repórter do Finanças Femininas, fã de David Bowie e John Coltrane. Passa o tempo livre pesquisando textos da Sylvia Plath e assistindo séries na Netflix.
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