Com saída de Teich, Bolsa tem queda de quase 2% nesta sexta (15)

15 de maio de 2020 - Por

Com saída de Teich, Bolsa tem queda de quase 2% nesta sexta (15)

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Esse texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: -1,84% (77.556 pts)

Dólar: +0,33% (R$ 5,83)

Casos de coronavírus: 212.198 confirmados e 14.455 óbitos*

Resumo:

  • Nelson Teich pede demissão do ministério da Saúde e aumenta clima de incerteza política;
  • Ibovespa fecha com queda de quase 2%; perda foi de 3,37% no acumulado da semana;
  • com a turbulência política, dólar retoma alta e fecha semana com alta acumulada de 1,73%;
  • prévia do PIB tem queda de 5,9%; Bank of America estima retração de 7,7%;
  • desemprego sobe no 1º trimestre, jovens são as principais vítimas;
  • auxílio emergencial: calendário para pagamento da 2ª parcela é divulgado, mas com mudanças;
  • Bolsonaro veta auxílio emergencial para motoristas de aplicativo e outros.

Esta sexta-feira (15) foi marcada por uma nova baixa no governo Bolsonaro: Nelson Teich, que deixa o ministério da Saúde após 28 dias de gestão. O pedido de demissão – que ocorre no meio da pandemia pelo coronavírus – caiu como bomba na Bolsa brasileira, que antes oscilava entre altas e baixas. Às 12h34, o Ibovespa caía 1,25%, a 78.023 pontos.

Apesar de Teich não ter tocado na causa da exoneração na nota à imprensa que deu por volta das 16h, fontes de diversos veículos indicam que a ruptura se deu porque o presidente Jair Bolsonaro disse que iria “exigir” que o agora ex-ministro alterasse o protocolo, de modo a recomendar o uso da cloroquina para pacientes com coronavírus em estágio inicial. Teich manteve seu posicionamento de não alterar o protocolo, uma vez que não há comprovação científica da eficácia.

A semana foi turbulenta para o Ibovespa: mudança de humores e muita tensão política colaboraram para uma queda de 3,37% no índice ao longo da semana. Já o dólar fechou acumulando alta de 1,73% ao longo da semana.

Prévia do PIB tem queda de 5,9%; Bank of America estima retração de 7,7% na economia brasileira

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central (BC), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), sofreu queda de 5,90% em relação a fevereiro. Os dados dessazonalizados – ou seja, sem considerar variações sazonais –, foram informados pelo BC nesta sexta-feira (15).

A contração representa o resultado negativo mais intenso desde o início da série histórica, que começou em 2003.

Com saída de Teich, Bolsa tem queda de quase 2% nesta sexta (15)

No resumo de ontem, mostramos um levantamento do Valor Data que previa este resultado. Mais uma vez, vale reiterar que março foi o primeiro mês de atividades econômicas afetadas pela pandemia do coronavírus. No entanto, a contenção só aconteceu a partir da metade do mês, o que aumenta as expectativas de que os números de abril sejam piores.

Ainda falando sobre PIB, o Bank of America (BofA) estima uma retração de 7,7% na economia brasileira neste ano. Em relatório também publicado nesta sexta, a entidade estima que a economia da América Latina encolha 6,8%.

A causa seriam os “sistemas de saúde precários, pouca margem de estímulo fiscal e alto grau de informalidade no mercado de trabalho”, que tornariam a América Latina “particularmente vulnerável à pandemia de coronavírus”, informou a Exame.

Desemprego sobe em 12 dos 27 estados no 1º trimestre, entre os jovens, chega a 27%

A taxa de desemprego avançou significativamente em 12 das 27 Unidades da Federação entre o 4º trimestre de 2019 para o 1º trimestre de 2020, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os demais 15 estados permanecem com resultados considerados estatisticamente estáveis.

Considerando dados do País inteiro, a taxa de desocupação do 1º tri deste ano foi de 12,2%, ante 11,0% no 4º de 2019.

As maiores taxas de desemprego foram observadas nos seguintes estados:

  • Bahia (18,7%);
  • Amapá (17,2%);
  • Alagoas (16,5%);
  • Roraima (16,5%).

Em São Paulo, a taxa pulou de 1,5% no 4º trimestre de 2019 para 12,2% no 1º de 2020.

Também chama atenção as altas taxas de informalidade. No Brasil inteiro, a média foi de 39,9% no 1º trimestre – um total de 36,8 milhões de trabalhadores. Os maiores percentuais ficaram com o Pará (61,4%) e com o Maranhão (61,2%).

Auxílio emergencial: calendário para pagamento da 2ª parcela é divulgado, mas com mudanças no recebimento

A portaria com as datas foi publicadas no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (15). O calendário começa nesta segunda-feira (18), seguindo até 13 de junho. O cronograma da 2ª parcela vale apenas para quem recebeu a 1ª parcela até 30 de abril – ainda não há informações do governo sobre o pagamento para quem a recebeu depois dessa data.

A mesma portaria redefiniu as regras para receber o dinheiro. Além dele ser depositado na poupança digital na Caixa para todos, não será permitido transferir os recursos para outras contas até a data de liberação dos saques. Na prática, conforme consta na portaria, eles “estarão disponíveis apenas para o pagamento de contas, de boletos e para realização de compras por meio de cartão de débito virtual.”

Bolsonaro veta auxílio emergencial para motoristas de aplicativo e impõe mais restrições

O presidente Jair Bolsonaro sancionou o projeto de lei (PL) que permite a ampliação do grupo de pessoas que se beneficiariam do auxílio emergencial de R$ 600, porém, impondo diversos vetos. A sanção foi publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira – a proposta aguardava a assinatura desde 22 de abril, quando foi aprovada pelo Senado Federal.

Os vetos de Bolsonaro incluem dispositivo que estendia a renda básica emergencial para diversas categorias, incluindo pescadores artesanais, agricultores familiares, assentados de reforma agrária; artistas e técnicos de espetáculo, cooperados de catadores de materiais recicláveis; taxistas, motoristas e entregadores de aplicativo.

A pedido do ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente ainda barrou trecho que abria a possibilidade de beneficiários do Bolsa Família acumularem os dois benefícios. Também ficou de fora o trecho incluído pelo Congresso que ampliava o benefício de duas cotas do recurso para pais solteiros que fossem os provedores da família.

O presidente, ainda, vetou trecho que permitia que fintechs pudessem operacionalizar o pagamento, de modo a funcionarem como um canal de repasse do auxílio emergencial.

*Até o fechamento do texto. Fonte: G1, via levantamento feito junto às secretarias estaduais de saúde

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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