Com Selic a 6,5%, poupança ganha da maioria dos fundos

13 de fevereiro de 2019 - Por

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Desde que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa Selic para 6,5% ao ano – a menor taxa de toda a série histórica do BC, iniciada em 1986 –, houve uma mudança no rendimento das cadernetas de poupança, que se tornaram mais atrativas, de acordo com simulações feitas pela Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade). Sim, você leu certo: se antes muitos economistas torciam o nariz para essa aplicação, prestar atenção nela agora pode ser uma boa em alguns casos – principalmente em comparação aos fundos de investimento de renda fixa com taxas de administração salgadas, superiores a 1% ao ano.

Por que a poupança?

“Existe uma regra no sistema financeiro nacional que diz que quando a Selic está em 8,5% ou menos, a poupança deve apresentar rendimento equivalente a 70% da taxa básica mais a taxa referencial (TR)”, diz Anderson Pellegrino, Professor de Economia da IBE-FGV.

Além disso, essa aplicação não sofre com tributação, ao contrário de fundos de renda fixa. Neles, quanto menos tempo o dinheiro permanecer investido, maior a alíquota de Imposto de Renda incidente. Há, ainda, as taxas de administração cobradas pelas instituições financeiras, que podem chegar a 4%.

Quer entender melhor? Então, veja a explicação da Carol Sandler:

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De acordo com a Anefac, as poupanças terão rendimento de 0,37% ao mês com a Selic a 6,5% ao ano. Com esse número em mente, eles fizeram uma simulação, comparando o rendimento mensal de fundos de renda fixa de acordo com o prazo de aplicação e taxa de administração.

O prazo de aplicação é importante porque ele determina qual será a incidência de IR. Lembrando que as alíquotas são:

Até 6 meses: 22,5%

Entre 6 meses e 1 ano: 20%

Entre 1 e 2 anos: 17,5%

Acima de 2 anos: 15%

Confira a simulação da Anefac:

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Fonte: Anefac / Arte: Finanças Femininas

Verde: poupança é melhor investimento

Vermelho: fundo é melhor investimento

Azul: poupança e fundo têm o mesmo rendimento

Essa diferença acontece porque é comum encontrar taxas de administração elevadas em fundos de renda fixa e DI, especialmente nos bancos de grande porte.

A hora do fundo de emergência

Se você ainda não tem um fundo de emergência turbinado, pode ser uma boa aproveitar a oportunidade. Isso porque, neste momento econômico, a poupança é uma ótima aplicação para deixar aquele dinheiro a ser usado em caso de emergência.

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“A grande vantagem da poupança não se refere à rentabilidade, mas sim à disponibilidade do recurso. Ela permite o acesso para esse dinheiro inclusive nos finais de semana, em caso de urgência, o que as outras modalidades não oferecem”, comenta André Bona, educador financeiro do Blog de Valor.

Por isso, Pellegrino defende a poupança para quem precisa de uma reserva para uso cotidiano e/ou de curtíssimo prazo (3 meses). “Pelo menos por ora. Se, por acaso, a Selic ultrapassar os 8,5% novamente, a poupança voltará a perder a atratividade. Porém, isso não deve acontecer em pelo menos um ano.”

E agora, onde invisto?

Se o objetivo for fazer seu dinheiro render e você puder deixá-lo investido mais de seis meses, o bom e velho Tesouro Direto continua uma boa opção, de acordo com Pellegrino. “Se a investidora conseguir uma taxa de administração boa, ou até mesmo optar por corretoras que não a cobram, ela terá vantagens a partir de seis meses de investimento, quando a alíquota de IR diminui.”

Títulos atrelados à Selic são mais indicados para médio prazo, enquanto o IPCA+ é recomendado para o longo prazo, visto que pode trazer perdas se a investidora retirar o dinheiro antes do prazo final. Por isso, só coloque seus recursos nele se você tiver certeza que não precisará dessa grana tão cedo.

Já Bona defende que, enquanto investimento, a poupança perde para diversas opções também conservadoras no mercado. “Os investimentos em renda fixa, no geral, perdem rentabilidade quando a taxa de juros cai. Porém, é importante observar que a valorização do capital não se dá pela rentabilidade nominal do investimento, mas sim pela rentabilidade real, que é aquela rentabilidade acima da inflação. Então, pode ser melhor ganhar 7% ao ano com inflação de 3% do que ganhar 15% ao ano com inflação de 12%.”

Em outras palavras, apesar da queda da Selic, não há motivos para pânico: ainda dá para fazer seu dinheiro render. “Para a investidora que procura investimentos em plataformas abertas, é muito fácil encontrar fundos DI e de renda fixa com taxas até inferiores a 0,5% ao ano”, finaliza Bona.

Fotos: Fotolia

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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