Com Selic a 6,5%, poupança ganha da maioria dos fundos

Com Selic a 6,5%, poupança ganha da maioria dos fundos

Pela 12ª vez consecutiva, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu reduzir a taxa Selic, que foi de 6,75% para 6,50% nesta quarta-feira (21). Essa é a menor taxa de toda a série histórica do BC, iniciada em 1986.

A nova redução afetará o rendimento das cadernetas de poupança, que se tornarão mais atrativas, de acordo com simulações feitas pela Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade). Sim, você leu certo: se antes muitos economistas torciam o nariz para essa aplicação, prestar atenção nela agora pode ser uma boa em alguns casos – principalmente em comparação aos fundos de investimento de renda fixa com taxas de administração salgadas, superiores a 1% ao ano.

Por que a poupança?

“Existe uma regra no sistema financeiro nacional que diz que quando a Selic está em 8,5% ou menos, a poupança deve apresentar rendimento equivalente a 70% da taxa básica mais a taxa referencial (TR)”, diz Anderson Pellegrino, Professor de Economia da IBE-FGV.

Além disso, essa aplicação não sofre com tributação, ao contrário de fundos de renda fixa. Neles, quanto menos tempo o dinheiro permanecer investido, maior a alíquota de Imposto de Renda incidente. Há, ainda, as taxas de administração cobradas pelas instituições financeiras, que podem chegar a 4%.

De acordo com a Anefac, as poupanças terão rendimento de 0,37% ao mês com a Selic a 6,5% ao ano. Com esse número em mente, eles fizeram uma simulação, comparando o rendimento mensal de fundos de renda fixa de acordo com o prazo de aplicação e taxa de administração.

O prazo de aplicação é importante porque ele determina qual será a incidência de IR. Lembrando que as alíquotas são:

Até 6 meses: 22,5%

Entre 6 meses e 1 ano: 20%

Entre 1 e 2 anos: 17,5%

Acima de 2 anos: 15%

Confira a simulação da Anefac:

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Fonte: Anefac / Arte: Finanças Femininas

Verde: poupança é melhor investimento

Vermelho: fundo é melhor investimento

Azul: poupança e fundo têm o mesmo rendimento

Essa diferença acontece porque é comum encontrar taxas de administração elevadas em fundos de renda fixa e DI, especialmente nos bancos de grande porte.

A hora do fundo de emergência

Se você ainda não tem um fundo de emergência turbinado, pode ser uma boa aproveitar a oportunidade. Isso porque, neste momento econômico, a poupança é uma ótima aplicação para deixar aquele dinheiro a ser usado em caso de emergência.

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“A grande vantagem da poupança não se refere à rentabilidade, mas sim à disponibilidade do recurso. Ela permite o acesso para esse dinheiro inclusive nos finais de semana, em caso de urgência, o que as outras modalidades não oferecem”, comenta André Bona, educador financeiro do Blog de Valor.

Por isso, Pellegrino defende a poupança para quem precisa de uma reserva para uso cotidiano e/ou de curtíssimo prazo (3 meses). “Pelo menos por ora. Se, por acaso, a Selic ultrapassar os 8,5% novamente, a poupança voltará a perder a atratividade. Porém, isso não deve acontecer em pelo menos um ano.”

E agora, onde invisto?

Se o objetivo for fazer seu dinheiro render e você puder deixá-lo investido mais de seis meses, o bom e velho Tesouro Direto continua uma boa opção, de acordo com Pellegrino. “Se a investidora conseguir uma taxa de administração boa, ou até mesmo optar por corretoras que não a cobram, ela terá vantagens a partir de seis meses de investimento, quando a alíquota de IR diminui.”

Títulos atrelados à Selic são mais indicados para médio prazo, enquanto o IPCA+ é recomendado para o longo prazo, visto que pode trazer perdas se a investidora retirar o dinheiro antes do prazo final. Por isso, só coloque seus recursos nele se você tiver certeza que não precisará dessa grana tão cedo.

Já Bona defende que, enquanto investimento, a poupança perde para diversas opções também conservadoras no mercado. “Os investimentos em renda fixa, no geral, perdem rentabilidade quando a taxa de juros cai. Porém, é importante observar que a valorização do capital não se dá pela rentabilidade nominal do investimento, mas sim pela rentabilidade real, que é aquela rentabilidade acima da inflação. Então, pode ser melhor ganhar 7% ao ano com inflação de 3% do que ganhar 15% ao ano com inflação de 12%.”

Em outras palavras, apesar da queda da Selic, não há motivos para pânico: ainda dá para fazer seu dinheiro render. “Para a investidora que procura investimentos em plataformas abertas, é muito fácil encontrar fundos DI e de renda fixa com taxas até inferiores a 0,5% ao ano”, finaliza Bona.

Fotos: Fotolia

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Ana Paula de Araujo

Ana Paula de Araujo

Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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