Como a diversidade de gêneros beneficia as empresas

21 de novembro de 2016 - Por

igualdade_de_genero_empresas

quem ama, compartilha!

As empresas têm cada vez mais tomado consciência da importância da diversidade de gêneros para sua eficácia e produtividade. Diversos dados mostram que a representatividade feminina se traduz não só em benefícios sociais marcantes, mas também em impactos positivos sobre a competitividade das próprias empresas. Apesar de a presença de mulheres no mercado de trabalho fortalecer-se gradativamente, no que diz respeito à representação em cargos de liderança e remuneração, os desafios ainda são grandes.

O estudo “Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 maiores empresas do Brasil e suas ações afirmativas”, do Instituto Ethos, mostra que a presença feminina diminui drasticamente conforme subimos a escala da hierarquia empresarial. Enquanto elas representam 55,9% dos aprendizes e 58,9% do estagiários, só compõem 13,6% do quadro executivo e 11% do conselho de administração. Já a pesquisa International Business Report (IBR) – Women in Business, realizada pela Grant Thornton, mostrou que 53% das empresas do País não têm mulheres em cargos de liderança.

Para Margareth Goldenberg, consultora executiva do Movimento Mulher 360, que reúne grandes empresas em prol da paridade de gêneros, ainda há muito o que melhorar quando o assunto é igualdade. “Temos indicações de empresas associadas com equilíbrio próximo de 50% nos cargos de liderança, mas a maioria das mulheres ainda têm dificuldades para crescer nas corporações”, explica.

Também é preciso encarar o fato de que as mulheres ganham menos que os homens quando ocupam os mesmos cargos, enfrentam a dupla jornada de trabalho e sofrem com os estereótipos do ambiente corporativo – que ainda vê com desconfiança a maternidade, por exemplo, e a capacidade feminina de liderar grandes corporações, como mostra esta pesquisa da Bain & Company.

“Percebo que a mulheres acreditam que precisam estar mais preparadas que os homens para ocupar as mesmas posições dentro das empresas, talvez pelo sentimento ‘inconsciente de inferioridade’ que as acompanha desde os primórdios da humanidade. Elas precisam se libertar deste sentimento, pois têm se diferenciado em termos de formação, capacitação e relacionamento interpessoal”, coloca a diretora da Associação Brasileira de Recursos Humanos – Seccional São Paulo (ABRH-SP), Edna Bedani.

A psicóloga e professora da Universidade Mackenzie Campinas, Nereida Salette da Silveira, defende que as políticas organizacionais raramente são desenhadas para atender à realidade das mulheres. Para ela, “cabe também às empresas identificar onde estão as barreiras estruturais e culturais e, na medida de suas possibilidades, buscar derrubá-las”.

Quem ganha com a igualdade de gêneros?
Além de promover a formação de uma sociedade mais justa e estável e melhorar a qualidade de vida no País, o empoderamento econômico feminino tem papel fundamental na construção de uma economia sólida e negócios mais dinâmicos para as empresas.

igualdade_de_genero_empresas_interna

“A maior presença de mulheres nas organizações proporciona diversidade de pontos de vista, ideias e perspectivas de mercado. Isso possibilita uma melhor resolução de problemas, fornece acesso a diferentes fontes de informação, diminui a rotatividade da força de trabalho, melhora a reputação dentro e fora da organização”, defende Nereida.

Um estudo da Peterson Institute for International Economics mostrou que a presença feminina em cargos de liderança pode melhorar o desempenho das empresas e aumentar a sua lucratividade. A pesquisa indica que o aumento para 30% de mulheres em posições de liderança pode ser associado a um crescimento de 15% na lucratividade. Outro dado, da consultoria McKinsey, aponta que a equidade de gêneros daria força à economia mundial.

Para a diretora da ABRH-SP, os resultados são mensuráveis pois há ganho em desempenho nas empresas. “Um ambiente criativo traz como benefício a atração e retenção de profissionais com talentos diferenciados que impulsionam a inovação e melhoria da produtividade, com impacto direto na alta performance e nos resultados financeiros da empresa.”

 

Fotos: Shutterstock

Gostou do nosso conteúdo? Clique aqui e assine a nossa newsletter! 

Se você tem alguma dúvida sobre sua vida financeira ou uma boa história sobre dinheiro para contar pra gente, mande um e-mail!

quem ama, compartilha!

Mariana Ribeiro
Mariana Ribeiro
Jornalista com sotaque e alma do interior. Longe das finanças, passa o tempo atrás de música brasileira, rolês baratos e ônibus vazios. Acredita que o mundo seria outro se as pessoas tentassem se ver.
Fale comigo! :) mariana@financasfemininas.com.br

Leia em seguida

mulheres-na-musica-iniciativas-apoiam-a-producao-artistica-feminina

22 de agosto de 2019

A produção artística das mulheres vem furando a bolha do machismo e conquistando espaço no mercado musical, que ainda é dominado por homens. O projeto”Por elas que fazem a música”, da União Brasileira de Compositores (UBC), aponta que apenas nove mulheres figuraram a lista dos 100 maiores arrecadadores de direitos autorais da música brasileira em […]

vieses-inconscientes-desigualdade-de-genero-carreira-01

3 de abril de 2019

Você não sabe, mas já pode ter sido prejudicada ou mesmo prejudicado alguém por causa de um viés inconsciente. Mas o que é isso? Como se proteger? Descubra!

cotas-mulheres-cargos-lideranca-conselho-administrativo-mercado-de-trabalho 01

17 de janeiro de 2019

Além de reduzir desigualdade de gênero no mercado de trabalho, cotas para mulheres em conselhos administrativos melhoraria a economia. Entenda.

SIGA O INSTAGRAM @financasfemininas