Como a greve dos caminhoneiros impacta a sua vida?

25 de maio de 2018 - Por

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A greve dos caminhoneiros, iniciada na última segunda-feira (21/05), causou impacto em todo o País. A categoria cruzou os braços contra o aumento do valor dos combustíveis – em especial o diesel, que subiu 50% desde julho de 2017. Os consumidores já sentem o impacto do protesto, por conta dos bloqueios em importantes rodovias de 22 Estados e no Distrito Federal. Em alguns lugares, já foi registrado a falta de gasolina e até de alimentos em supermercados.

Para tentar remediar a situação, a Petrobras anunciou, na quarta-feira (23/05), um corte de cerca de 10% no preço do diesel nas refinarias durante 15 dias. Já a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que elimina a cobrança do PIS-Cofins sobre o diesel até o fim do ano – porém, o texto ainda precisa passar pelo Senado. Até o fechamento desta edição, os caminhoneiros permaneciam em greve.

Enquanto isso, a equipe econômica do presidente Michel Temer busca brechas no Orçamento para abaixar os impostos que incidem sobre os combustíveis. Mas, de fato, o quanto isso impacta diretamente no dia a dia de todas nós?

Impacto: quilômetros de congestionamento e falta de gasolina

Não é difícil encontrar alguém que tenha presenciado quilômetros de congestionamento para abastecer o carro ou visto gôndolas de supermercados vazias. Nas redes sociais, é possível encontrar diversos relatos de pessoas com dificuldade em chegar ao trabalho ou sem encontrar mantimentos. Até voos precisaram ser cancelados por falta de combustível.

O problema atual teve início em 2016, quando entrou em vigor a política de reajustes da Petrobras. Desde então, a igualdade de preços com o mercado internacional provocou mais de 121 reajustes. Outro ponto que contribuiu para o aumento do valor dos combustíveis foi a alta do dólar (R$ 3,64) – o barril de petróleo, hoje, custa US$ 79. Em cerca de 20 dias, a estatal reajustou o preço da gasolina nas refinarias por 12 vezes seguidas.

No entanto, a Petrobras anunciou, na terça-feira, uma redução de 2,08% no preço da gasolina. Mas porque esse desconto não chega às bombas dos postos de combustível?

“O desconto até chega aos consumidores, mas em um montante muito baixo, apenas cerca de R$ 0,23. Para que o valor da gasolina diminua de fato, precisaria ocorrer a redução do PIS-Cofins, mas o problema está exatamente aí. Se o governo abaixar esses impostos, irá ferir a constituição. Para diminuir o PIS e a Cofins, é preciso cortar outras despesas previamente, e o governo não anunciou quais serão”, comenta Ricardo Balistiero, economista e coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia.

Para o especialista, não há como diminuir o valor do combustível de forma substancial em curto prazo. “Por uma razão muito simples. As ações da Petrobras vão cair muito mais. Nesses últimos meses, a política tarifária acompanhou o preço do petróleo no mercado internacional. O governo não consegue regular o que acontece no mundo, e o petróleo realmente saiu de US$ 45 para acima de US$ 70”, pontua.

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Até onde chegou o impacto da greve?

O impacto da paralisação é grande em várias regiões do Brasil. Cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre anunciaram redução na frota de ônibus, por conta da falta de combustível. Já as empresas aéreas adotaram planos de contingenciamento nos aeroportos.

Em Minas Gerais, produtores rurais perderam pelo menos 500 mil litros de leite nos três primeiros dias da greve. Em momentos como este, percebemos a ação de comércios oportunistas, que aumentam o preço por conta da alta demanda. Em Brasília, o litro da gasolina chegou a custar R$ 9,99.

Na opinião de Balistiero, o fim da greve depende somente de um acordo entre o Executivo e os representantes dos caminhoneiros. “Se a greve continuar pelos próximos dias, teremos dificuldade em encontrar uma saída de curto prazo. Isso vai gerando um movimento oportunista em várias frentes. Há uma greve dos caminhoneiros e acontece, ao mesmo tempo, de várias empresas também pararem. E isso não é greve, é locaute, já que os empresários não fazem greve. O que prejudica e muito a população que fica sem acesso a alguns serviços”, ressalta.

Falta de abastecimento não é motivo para pânico

Ver as prateleiras dos supermercados vazias e os postos fechando por falta de combustível é motivo de medo para os consumidores. Porém, estocar comida e encher o tanque do carro neste momento pode não ser a melhor opção. Balistiero acredita que esse comportamento apenas colabora para o aumento dos preços e que não há motivo para pânico, uma vez que essa é uma situação passageira.

“Isso é pura lei da oferta e da procura. O maior problema é que somos movidos ao pânico. Ficar duas horas na fila para encher o tanque e correr para estocar alimento apenas fará com que os preços aumentem ainda mais. É preciso relembrar de casos passados, como o surto da febre amarela, quando as vacinas acabaram nos postos devido à grande procura. Neste momento, é importante ter calma para esperar a situação passar”, conclui.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni
Gabriella Bertoni
Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
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