Como a quantidade de endividados impacta a economia do País?

16 de agosto de 2018 - Por

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O número de endividados tem crescido cada vez mais nos últimos anos, principalmente devido à crise econômica. Prova disso é que 64 milhões de brasileiros terminaram o primeiro semestre do ano com dívidas, de acordo com o SPC Brasil. Mas você já pensou em como que a sua dívida pode impactar a economia do Brasil?

O alto índice de inadimplência impacta diretamente os cofres públicos. Entretanto, o que está por trás desse endividamento pode ser uma série de sintomas negativos relacionados à economia, como a alta taxa de desemprego e a má distribuição de renda entre a população. Tudo isso contribui para prejudicar a capacidade de pagamento da população, ou seja, os brasileiros enfrentam maior dificuldade para honrar os seus compromissos financeiros.

“Esse endividamento acaba reduzindo o nível de consumo, o que é muito ruim para o governo. É um sistema em cadeia: a administração pública arrecada menos e o PIB tende a perder ritmo de crescimento. Em geral, uma população muito endividada pode significar uma recessão e, consequentemente, há um menor arrecadamento de impostos”, comenta Anderson Pellegrino, professor de economia da IBE Conveniada FGV.

Calote: como as instituições financeiras lidam com isso

Tanto as grandes dívidas quanto as pequenas inadimplências afetam negativamente o mercado financeiro por uma razão bem simples: a inadimplência significa dar um calote. E, para recompor as perdas geradas por essa dívida, é cobrado mais de quem paga tudo em dia.

“É muito comum o entendimento no Brasil de que aquele que paga um empréstimo bancário em dia, acaba pagando juros por ele e por quem está em atraso. Ou seja, se eu não pago, alguém vai pagar duas vezes para repor ao banco aquilo que ele não receberá de quem não pagou”, pontua Pellegrino.

O sentido geral é: a inadimplência maior significa mercado financeiro cobrando juros mais altos de quem quer dinheiro emprestado. Assim, ele ameniza o risco de calote e de inadimplência ao se proteger com juros mais altos.

O que é melhor: poupar demais ou de menos?

Sabe aquela história de que tudo em excesso faz mal? Para a economia também funciona da mesma forma. Quando o número de investimento na poupança está muito alto, significa menos dinheiro injetado no mercado. Sendo assim, o consumo – que é uma espécie de mola propulsora da economia e que faz o PIB crescer – diminui, a arrecadação cai e a economia desacelera.

Por outro lado, com um volume pequeno de dinheiro poupado ocorre a escassez de crédito, ou seja, pouco dinheiro disponível para quem precisa tomar empréstimo. Isso atrapalha, por exemplo, o empresário que pretende ampliar o seu negócio.

“Além de ter pouco dinheiro disponível, os juros bancários ficam mais altos. Pouco dinheiro disponível e muita procura impacta todas as ramificações da economia. Isso se torna um fator desestimulante da atividade econômica, seja pela ótica do consumo, do investidor ou do empresário”, explica Pellegrino.

Segundo o especialista, para lidar com essa situação, o governo aumenta ou diminui a taxa SELIC – que é a taxa básica de juros da economia. Isso acaba por impactar o retorno do investimento, ao atrair ou afastar os investidores e eventualmente mexer na carga tributária.

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Como ajudar a economia a girar

Sempre buscamos o investimento mais rentável de acordo com o nosso perfil de investidora e nossos objetivos. Mas como o tipo de investimento influencia a economia brasileira?

De acordo com Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, o melhor investimento para o governo é o Tesouro Direto, por onde o governo financia a dívida pública. Porém, independentemente de qual modalidade a investidora escolher, o dinheiro sempre ajudará a movimentar a economia.

“Quando se investe em produtos de renda fixa, como a poupança, o dinheiro vira crédito para os bancos. Já as ações ajudam as grandes empresas a investirem no País. Todo tipo de investimento ajuda a movimentar a economia de diversas maneiras”, pondera Kawauti.

Para ela, quando há um maior número de endividados, aumentar os impostos nunca é uma boa saída, uma vez que as pessoas ficarão com o orçamento ainda mais apertado. “O incentivo para a queda de dívidas se dá através da educação financeira. Além disso, se tivéssemos um desemprego menor, ocorreria uma queda no número de inadimplentes. Tudo está conectado”, conclui Kawauti.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni
Gabriella Bertoni
Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
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