Como a tecnologia pode mudar a sua relação com os bancos?

14 de junho de 2018 - Por

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Você já ouviu falar de blockchain, open banking, APIs e inteligência artificial? Os bancos têm usado essas tecnologias cada vez mais para otimizar as relações com os clientes. Tudo isso pode, em um primeiro momento, parecer um bicho de sete cabeças. Mas elas estão mais presentes nas nossas vidas do que podemos imaginar.

Nesta semana, durante Congresso de Tecnologia da Informação para Instituições Financeiras (Ciab) promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), várias instituições apresentaram novidades que estão sendo incorporadas pouco a pouco na rotina dos clientes. Em breve, por exemplo, o Banco do Brasil pretende disponibilizar a transferência de dinheiro de modo instantâneo, pelo chat do Facebook.

Um banco turco trabalha hoje com uma tecnologia capaz de disponibilizar um empréstimo em 45 segundos. Todas essas mudanças mostram que vivemos um momento de disrupção e transformação digital. Mas, para onde a tecnologia financeira pode, de fato, nos levar?

“A maneira como as pessoas consomem produtos financeiros hoje é bem diferente do que há 20 anos e vai ser diferente se compararmos com o universo que vem pela frente. A gente não sabe mais quem é o nosso mercado competidor. Temos bancos digitais que desafiam o modelo de negócio das agências; temos as fintechs, as GAFAs [Google, Amazon, Facebook e Apple]. Tudo isso já é uma realidade”, comentou Sergio Biagini, sócio da Deloitte Brasil, empresa de auditoria e consultoria empresarial.

Open Banking: uma infinidade de oportunidades

Em 2004, o PayPal lançou o sistema PayPal API, que oferece formas de pagamento online e possui mais de 153 milhões de clientes em todo o mundo. Por ele, é possível gerenciar faturas, processar transações e gerenciar contas – tudo sem o auxílio de um banco. Começava aí a revolução do Open Banking.

O banco francês Crédit Agricole foi um dos primeiros a adotar o sistema, seguido do Open Banking Working Group (OBWG), plataforma do Reino Unido de acesso compartilhado de dados bancários privados. A função dessa tecnologia é basicamente oferecer serviços financeiros inovadores, personalizados e com menos burocracia.

A diferença, a partir de agora, será a forma de como as instituições financeiras irão lidar com com as transformações iminentes, uma vez que essa modalidade abre possibilidade de parcerias e a inserção de novos produtos e serviços.

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“O potencial de transformação no B2B (Business to Business, sigla utilizada no comércio eletrônico para definir transações comerciais entre empresas) é tão grande quanto foi o da internet na forma como nos comunicamos. A diferença é que, com o blockchain, não conectamos um ponto ao outro, mas muitos pontos, e com a conexão segura de dados como elemento-chave ”, pontua Marie Wieck, gerente geral de blockchain da IBM.

P2P: a revolução no mercado brasileiro, mas que precisa de regulamentação

Hoje em dia é bem comum transferir fundos para outras pessoas diretamente do seu celular ou computador. Isso é possível graças ao modelo de pagamento online P2P (peer-to-peer, ou pessoa para pessoa, em tradução livre). No Brasil, ainda falta a regulamentação por parte do Banco Central, para que ele possa ser amplamente oferecido no mercado.

José Pedro Paro Neto, presidente da Mastercard da América do Sul, avalia que isso deve mudar em breve. “Acreditamos que esta regulação deve estar pronta até o final do ano e que veremos os primeiros serviços disponíveis a partir de 2019”, previu.

A discussão do mercado financeiro gira em torno das mudanças que esse sistema pode gerar no setor, uma vez que, em teoria, os serviços poderiam ser oferecidos por qualquer empresa que disponha de meios digitais para isso. Para o consumidor, isso significa mais agilidade nas transações financeiras.

“O mundo de transações financeiras também passa a ser um mundo imediatista. E, neste cenário, os atores são forçados a evoluírem para participar das necessidades do dia a dia. Isso se dará por meio dos aplicativos. O mundo hoje está baseado em criatividade e agilidade”, pontuou Fabiano Funari, vice-presidente sênior da Wipro, empresa de tecnologia da informação.

Para Funari, a participação das instituições financeiras será por meio de novos modelos de negócio, tecnologias móveis e trocas de mensagens. Ao unir a tecnologia e a regulamentação, o mercado passará por uma grande explosão de negócio. “Do ponto de vista tecnológico, está claro que temos um ambiente bastante evoluído. Já do ponto de vista de regulamentação, temos que entender que uma vez que o modelo seja definido, o mercado deve ter um impulsionamento maior, recebendo mais investimentos. Os países que trataram de forma ágil a parte regulatória estão liderando este setor”, conclui.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni
Gabriella Bertoni
Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
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