Como driblar a meritocracia e ter sucesso

22 de fevereiro de 2019 - Por

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Você acredita em meritocracia? Esse termo tão usado tem origem na palavra “mérito”, ou seja, merecimento. Assim, defende-se que as pessoas chegam em determinados lugares porque elas mereceram, e ponto final. Será?

Um novo estudo feito por Kevin Thom, economista da New York University, apontou que nascer em uma família rica garante mais o sucesso futuro do que suas próprias capacidades. Em outras palavras, de nada adianta você ser inteligente ou superdotada se você não tiver o suporte econômico necessário.

Nesta pesquisa, Thom percebeu que as chamadas “dotações genéticas” estão distribuídas quase igualmente entre as crianças de famílias de baixa e de alta renda, mas o sucesso não.

Meritocracia? Pobres e ricos têm as mesmas capacidades de aprendizado

Para chegar a essa conclusão, os estudiosos usaram uma base de dados genéticos de outra pesquisa, que avaliou o genoma de mais de 1 milhão de pessoas e mostrou a relação entre a genética e as capacidades de aprendizado de um indivíduo. Essa pesquisa, publicada no periódico Nature, concluiu que estes genes que conferem alta capacidade de aprendizado estão distribuídos em todas as classes sociais.

Porém, Thom e seus colegas perceberam que, dentre as pessoas nascidas em famílias pobres com esses genes, apenas 24% conseguem concluir o ensino superior. Este número salta para 63% quando falamos de indivíduos nascidos ricos.

Por outro lado, 27% das pessoas que não possuem esses genes, desde que nascidas em famílias ricas, conseguem se formar na faculdade – uma taxa mais alta do que os pobres dotados de genes favoráveis ao aprendizado que conseguem se formar. Na prática, o estudo aponta o seguinte: ainda que a pessoa seja muito inteligente e talentosa, a base econômica terá um peso muito forte no quanto ela irá avançar em direção ao sucesso.

“Se você não tem os recursos da família, até as crianças brilhantes – as crianças naturalmente dotadas – terão que enfrentar batalhas difíceis”, disse Thom em entrevista ao jornal Washington Post.

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Ser mulher x meritocracia

Outro estudo – este realizado por Reshma Saujani, fundadora da organização Girls Who Code – mostra que as diferenças entre a criação de meninos e meninas também impacta fortemente o sucesso futuro. De acordo com Saujani, meninas são ensinadas a evitar riscos e fracassos, ter um sorriso bonito, optar pelo seguro e tirar boas notas. Já os meninos são ensinados a ser agressivos, apostar alto, entrar em um campo de futebol mesmo não sabendo jogar.

Quando chegam à idade adulta, mulheres “jogam na retranca”, enquanto homens já estão habituados a assumirem riscos – e a serem recompensados por isso. “Nossa economia e sociedade estão perdendo muito com isso, pois estamos criando as meninas para serem perfeitas e os meninos para serem corajosos, e este é o principal motivo pelo qual as mulheres estão em menor número no Congresso, nos conselhos executivos, reuniões e nas organizações de forma geral”, afirma Rodrigo Iubel, professor de gestão de pessoas da IBE Conveniada FGV.

Em suma, o sucesso funciona como uma corrida na qual algumas pessoas começam na frente de outras. Este vídeo explica:

Como driblar a meritocracia?

Quando você nasce desprivilegiada em um sistema tão injusto – muitas vezes até cruel –, precisa fazer de tudo para superar essas barreiras sociais. Isso não significa que você não deixará de ser injustiçada mas, sim, que você terá que trabalhar múltiplas vezes mais do que aqueles que nasceram em famílias mais ricas. Se você for negra, também enfrentará o racismo no meio do caminho. Se você for homossexual ou bissexual, terá de encarar preconceito em relação à sua orientação sexual. Se você for trans, terá de peitar a transfobia.

Essas dicas resolverão o problema da desigualdade e as injustiças que o discurso da meritocracia impõe? Provavelmente não. No entanto, elas te darão força para lutar e ficar mais próxima do sucesso, independente da sua origem, cor de pele, orientação sexual ou gênero. Confira a seguir.

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1) Se você não pode contar com a meritocracia: estude!

Estudar é um dos atos mais subversivos e revolucionários que uma pessoa pobre pode fazer. Agarre-se aos livros, faça cursos gratuitos online – temos uma lista aqui –, aproveite a programação cultural de sua cidade e beneficie-se das políticas públicas. Podemos listar o ProUni, FIES, Sisu e diversas bolsas de estudo oferecidas pelas próprias universidades particulares, além de cursinhos populares. Não se esqueça dos centros culturais e bibliotecas públicas!

2) Seja a rainha do networking para driblar a meritocracia

O dinheiro pode te levar a muitos lugares, mas ter bons contatos também pode fazer muito pela sua carreira. Veja aqui algumas dicas. Você também pode abrir muitas portas participando de fóruns e debates dos assuntos que te interessam.

3) Não dependa da meritocracia, cuide do dinheiro que você tem

Quanto menor a sua renda, mais complicada fica a vida. No entanto, com educação financeira e organização, você pode fazer seu dinheirinho render mais e, com isso, se virar melhor para correr atrás dos seus sonhos. Para isso, indicamos o método 50/30/20. Veja esse vídeo e entenda como, mesmo ganhando um salário mínimo, é possível juntar dinheiro:

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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