Como duas mulheres transformaram lixo em moda consciente

20 de abril de 2018 - Por

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Pensar em modelos de moda consciente e refletir sobre o impacto da produção de lixo são duas pautas igualmente importantes em um mundo pautado pelo consumismo. Nesse sentido, mulheres talentosas encontraram uma saída sustentável para trabalhar com moda, reinventar materiais usados e ainda colaborar com a renda de quem vive de materiais recicláveis.

A Revoada, fundada por duas amigas, é uma marca do Rio Grande do Sul que utiliza câmaras de pneus e náilon de guarda-chuva como matéria prima para a criação de peças exclusivas. O principal objetivo é estimular o consumo consciente com base em uma economia circular.

“Tudo começou comigo, na área da comunicação, com minha sócia, Itiana Pasetti, da área da moda, e com uma vontade de trabalhar com sustentabilidade. Nós tínhamos experiência no mercado formal e começamos a pensar em como podíamos aplicar esse conhecimento na área sustentável. Percebemos que não fazia sentido colocar mais um produto no mundo. Então, foi a partir do descarte que vimos a possibilidade de fazer algo. Procuramos no lixo a matéria prima para o nosso produto e demos uma nova vida a esse resíduo”, conta Adriana Tubino, co-fundadora do projeto.

Alinhar vida profissional com vontade de fazer a diferença

Em 2013, as sócias sentiram vontade de mudar o rumo profissional, mas não tinham dinheiro suficiente para dar início ao projeto. Após um aporte de R$ 150 mil de três investidores anjos, as gaúchas conseguiram colocar no mercado sua primeira linha de produtos.

Como forma de retribuir a ajuda, as empresárias remuneram os catadores e borracheiros por produtos antes inutilizados – além de retirarem materiais poluentes do meio ambiente. “A gente compra essas câmaras das borracharias e dos catadores e os remuneramos para que virem nossos fornecedores. Antes, tudo isso ia para o lixo”, comenta Adriana.

Impacto social: sucesso que vem da consciência

Finalizando seu quinto ano de existência, a Revoada conquistou números surpreendentes. Já são 8 toneladas de câmaras de pneus e 10 mil unidades de guarda-chuva reinventados. Elas contam com mais de 27 mil produtos vendidos para o Brasil e outros países, e um faturamento de R$ 350 mil em 2017. Nesse tempo, cerca de 50 mil pessoas foram atingidas, entre clientes, fornecedores, palestras e redes sociais.

Isso sem contar o impacto social. O projeto é responsável pela geração de renda e capacitação profissional de catadores de lixo e borracheiros, através da compra direta dos resíduos, e de cooperativas de costureiras e pequenos ateliês, com a produção dos produtos. Durante esses quatro anos, os fornecedores das matérias primas e os responsáveis pela produção faturaram R$ 300 mil.

“Todo nosso percurso é pautado pela sustentabilidade. Uma vez com o material em mãos, precisamos lavá-lo por conta da contaminação. Mas fazemos isso com captação de água da chuva. Já a montagem é feita em uma cooperativa de mulheres costureiras e pequenos ateliês. Nosso intuito é gerar renda”, explica Adriana.

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Produtos de qualidade também para a natureza

A escolha das câmaras de pneu se deu por conta da similaridade com o couro, e o tecido do guarda-chuva se torna o forro dos produtos. Na natureza, a borracha demoraria mais de 500 anos para se decompor.

“Quando os produtos ficam prontos, saem como uma tag que explica todo esse processo de produção. A gente pede para os clientes nos ajudarem na logística reversa, ao entrar em contato conosco e devolvê-los quando não os quiserem mais. Assim, nós os transformamos em insumo para asfalto, isolamento acústico e parachoque de carro”, ressalta Adriana.

Mudança de vida: descubra o que te faz vibrar

A Revoada é um exemplo claro de que podemos fazer o que quisermos. Investir em um nicho pouco explorado pode dar medo no início, mas são iniciativas como esta que têm a capacidade de mudar o mundo. “Tudo é uma grande descoberta. Às vezes queremos iniciar um projeto e ter a certeza do sucesso, mas na verdade não sabemos de nada. É uma intuição. Se tem alguma coisa que te toca e te dá vontade de trabalhar, é aí que você precisa investir. Explore o assunto e suas habilidades. As pessoas precisam descobrir o que elas gostam de fazer”, pontua Adriana.

Oportunidade de crescimento: Chivas Venture 2018

Todo esse trabalho social e de sustentabilidade já gera bons frutos para as sócias gaúchas. Elas foram as vencedoras da etapa brasileira do Chivas Venture 2018, competição que marca a quarta temporada de busca e investimento em uma geração de startups orientadas ao sucesso por meio de mudanças significativas em suas comunidades.

Como recompensa, elas participaram do Programa de Aceleração em Oxford, na Inglaterra. Agora, elas se preparam para concorrer com outros 29 países rumo ao prêmio de 200 mil dólares. “O concurso é uma oportunidade incrível em vários sentidos. Só de estar representando o Brasil já é uma honra enorme. A semana de aceleração em Oxford já foi um super presente. Isso tudo uma grande descoberta”, diz Adriana.

Para votar no projeto, acesse o site do Chivas e apoie essa causa.

Fotos: Divulgação/Revoada

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Gabriella Bertoni
Gabriella Bertoni
Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
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