Como ensinar aos seus filhos o valor do dinheiro

22 de março de 2013 - Por

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Dinheiro é um assunto delicado em todas as idades. Nem sempre quem está à nossa volta se relaciona com dinheiro da mesma forma que a gente. A situação fica mais delicada nas relações amorosas – e quando tem filhos envolvidos, então, nem se fala.

É preciso conversar sobre dinheiro, por mais difícil que isso possa ser. Com um papo franco e aberto tudo fica mais simples. Fazendo isso fica mais fácil educar seus filhotes a gerirem melhor o dinheiro.

Para te ajudar nessa difícil tarefa, conversamos com Cássia D’Aquino, criadora e coordenadora do Programa de Educação Financeira em inúmeras escolas do Brasil. Estudos mostram que crianças que aprendem a lidar com dinheiro desde cedo têm melhor desempenho escolar e costumam a não entrar em frias como drogas ou sexo inseguro – por aprenderem o valor das escolhas.

Veja as dicas que a especialista nos deu:

Filho de peixe, peixinho é…
Repense suas atitudes antes de rotular sua filha como gastona e consumista porque ela adora ir no shopping. Lembre-se que as crianças fazem o que seus pais lhe ensinam!

“As crianças querem presentes, mas isso é normal, todo mundo tem desejos. Os pais não podem ficar angustiados porque o filho quer e quer. A criança querer não é um problema, o problema é quando os pais resolvem dar tudo”, explica Cássia, e emenda: “É muito mais difícil aos pais não dar o presente do que dar tudo”.

Então, se você é louca compulsiva por bolsas, é possível que ela compre sem muito discernimento também. Uma criança só reproduz o que ela escuta e vê diariamente. “Os pais têm que tomar cuidado em como influenciam no consumismo. E principalmente nos desdobramentos que se tem depois”, diz Cássia D’Aquino.

A hora certa para conversar sobre grana
A principal dúvida dos pais é de quando começar a falar de dinheiro. Para ter a noção exata tenha uma boa convivência com ele e preste atenção nas atitudes do pequeno. Fique atenta assim que a criança começar a pedir presentes.

“O primeiro pedido acontece quando a criança tem por volta dos dois anos e meio. Ou seja, mesmo tendo essa idade já entenderam o que é dinheiro, que os pais têm esse tal dinheiro e que isso serve para conseguir coisas coloridas e cheirosas”, explica Cássia.

Assim que perceber isso, vá com calma e respeite a condição de aprendizado de seu filho. “Aos poucos introduza o assunto e mostre o funcionamento disso”, orienta Cássia.

As principais lições do dinheiro
“Dinheiro não é assunto para crianças”, defende Cássia. Então como ensinar educação financeira para suas crianças? A ideia, segundo ela, é tratar de quatro pontos básicos:

Ganhar – Elas precisam entender como faz para ganhar dinheiro. Uma forma bacana pode ser estimular os talentos dos seus filhos, para que eles vejam valor naquilo que sabem fazer bem. Não é a maior alegria quando encontramos algo em que somos bons e podemos pensar em construir uma carreira em torno daquilo? Pois bem, o mesmo vale para as crianças. Um dia, elas vão precisar entender o que gostam de fazer para escolher uma profissão que possa trazer um retorno financeiro.

Gastar – Com o dinheiro em mãos, as crianças precisam saber quais são as melhores compras e como usar o seu dinheirinho de uma forma inteligente. Fazer escolhas é algo que se aprende – e fazer boas escolhas é fundamental para se tornar um adulto responsável.

Poupar – Por mais que seja gostoso comprar, você precisa ensiná-los a guardar o dinheiro. Explique que é importante esperar para ter aquele objeto que deseja. Saber adiar os prazeres é importante para se ter um controle maior sobre o tempo e as expectativas.

Valorizar – Com as três lições feitas, explique que o dinheiro não é tudo na vida. Mostre quais são os valores morais da família e o que tudo isso representa. “Isso é ensinar que o dinheiro não é a coisa mais importante de tudo”, afirma Cássia. E o fundamental: ensinar que todo o ganho e uso de dinheiro tem que ser feito de uma forma ética.

Dilema: mesada é um bom negócio?
Existem mães que acreditam que dar uma quantia mensalmente para o filho vai ajudar na sua educação financeira. “Dar ou não dar mesada é um opinião pessoal de cada família e só deve ser feita se os pais acharem de extrema importância”, explica Cássia.

Se você optar por dar uma mesada, a idade indicada é a partir dos 6 anos, uma época em que a criança começa a sentir gosto pela organização. Comece com uma semanada. Dê um calendário para que a criança lide bem com as datas de recebimento. Assim saberá quais são os dias de ganho, ficando mais fácil de compreender e se organizar.

Já a mesada é um grau mais elevado para as criança com dinheiro. “Só recomendo mesada a partir dos 11 anos de idade”, completa Cássia. Mesmo assim tenha cautela em trabalhar com isso dentro de casa para não perder o controle da situação.

Datas com presentes significativos
Para criar um adulto consciente e que saiba mexer no dinheiro eduque-o a vida inteira. “Divida a vida em datas comemorativas. E em determinadas idades dê um presente significativo para seu filho”, diz Cássia D’Aquino.

Um exemplo é deixar para dar a bicicleta aos 5 anos, por exemplo. Dessa forma você valoriza os presentes e impõe limites ao longo da vida.

Você tem dúvidas de como conversar sobre dinheiro com seu filho? Conta pra gente.

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Carol Sandler
Carol Sandler é fundadora do Finanças Femininas, a maior plataforma online do Brasil de empoderamento feminino através da educação financeira. Apresenta o quadro "Carol, cadê meu dindin" semanalmente no programa SuperPoderosas, da TV Band. Autora do livro "Detox das Compras (Saraiva, 2017) e coautora do livro “Finanças Femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva, 2015), junto com o economista Samy Dana. Estudou Jornalismo na PUC-SP e Economia e Relações Internacionais no Institut d’Études Politiques de la France, em Paris. Colunista do site da revista CLAUDIA e do portal Tempo de Mulher.

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