Como fazer compras em brechó pode te salvar do consumismo

1 de março de 2019 - Por

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Em nome do consumo consciente e sustentabilidade, muitas mulheres decidiram fazer compras apenas em brechós – ou, pelo menos, diminuíram drasticamente a compra de roupas novas. Essa mudança parece impensável para você?

Brecar o consumismo também parecia algo distante para a DJ e modelo Alline Resende – hoje com 26 anos – há 8 anos. “Eu era viciadíssima em shoppings. Quando completei 18 anos, fiz cartão de todas as lojas imagináveis, estourei todos e fiquei endividada até meus 20 e poucos.”

Passado o susto, ela começou a trabalhar na indústria têxtil, aprendendo mais sobre tecidos, processos, qualidade de produtos e preços. Foi quando veio o estalo: é possível pagar menos por peças de qualidade se você garimpar bem.

“Sempre curti um estilo vintage. Então, quando descobri os brechós, pensei: ‘Como assim as pessoas estão jogando isso fora?’”, conta.

Era o que faltava para despertar a garimpeira que existe na Alline. “Eu vou bem fundo, principalmente naqueles bazares que ninguém dá nada. Parece que não sou eu que encontro os brechós, eles que me encontram”, brinca.

Fazer compras em brechó: uma solução de consumo consciente?

“Quando você faz compras em brechós, deixa de estimular a indústria da moda a continuar produzindo mais e mais peças de roupas, que encaramos de forma descartável. Você pega algo que já foi usado e, estando em boas condições, pode dar um novo uso”, afirma Carol Sandler, fundadora do Finanças Femininas, coach de finanças e autora do livro Detox das Compras (Ed. Benvirá).

Isso não significa que você irá deixar de comprar roupas novas para sempre – o objetivo é que o momento de fazer compras seja um exercício de consciência.

“Eu não deixei de comprar roupas novas, mas hoje entendo que não preciso pagar caro ou me apegar a marcas para ter peças de qualidade. Vou equilibrando meu armário entre uma ou outra roupa nova e o resto vindo de brechós. Sobrevivo assim há uns anos e adoro”, relata Alline.

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Alguns looks da DJ Alline Resende, compostos majoritariamente por peças vintage

Além da economia, garimpar peças seminovas também tem seu lado lúdico. “Roupas têm uma história, Se você veste algo uma vez e, então, joga fora, ela não teve uma história. Você deveria saber que há vida nessas coisas”, afirmou Lauren Cowdery, uma assistente de marketing britânica que tem evitado comprar roupas novas, em entrevista ao jornal britânico The Guardian.

Cowdery ama roupas – especialmente as de veludo – mas encontrou formas mais seguras de consumi-las. Além dos brechós, ela também enxergou na troca de roupas uma forma de renovar o armário sem adicionar mais peças a ele.

Compras em brechós também podem salvar o meio ambiente

De acordo com a entidade filantrópica WRAP (acrônimo para Waste & Resources Action Programme, ou Programa de Ação Desperdício & Recursos), a vida útil média de uma peça de roupa no Reino Unido é de apenas 2.2 anos.

Por lá, estima-se que há mais de £ 30 bilhões (quase R$ 1.5 trilhão) em roupas nunca usadas penduradas nos guarda-roupas britânicos. Além disso, de acordo com relatório do McKinsey’s State of Fashion, mais da metade dos itens comprados em lojas de fast-fashion nessa região são jogados fora em menos de um ano. Por ano, 430 mil toneladas de roupas são jogadas sem serem recicladas no Reino Unido.

Benefícios de fazer compras em brechó

Bazares beneficentes costumam ter peças a preços amigos – e até alguns achados, como itens de grifes famosas e qualidade ímpar. Também existem os brechós “hypados”, com preços mais elevados, mas que contam com curadoria afiada. Em ambos os casos, as roupas passam por triagem, conserto e limpeza.

“Essa opção é bacana não apenas para o bolso, já que os itens de segunda mão costumam ser mais baratos do que os comprados em lojas, mas também porque é menos comum que se faça compras por impulso em um brechó. Mas compre apenas o que você, de fato quer, precisa e tem dinheiro para pagar”, finaliza Carol.

Matéria adaptada do site do jornal The Guardian.

Fotos: AdobeStock e Arquivo Pessoal

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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