Como investir dinheiro para construir a reserva de emergência em meio à crise

30 de abril de 2020 - Por

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A crise decorrente da pandemia do COVID-19 deixou clara a necessidade de investir dinheiro para construir a reserva de emergência e ter um pouco mais de tranquilidade em situações imprevistas. O colapso econômico impactou pelo menos 5 milhões de brasileiros com carteira assinada que foram demitidos, tiveram o contrato de trabalho suspenso, sofreram corte de jornadas e salários, segundo o levantamento realizado pelo jornal Folha de S. Paulo por meio do cruzamento de dados do IBGE e Ministério da Economia.

Com o desemprego e a redução da renda, 52% dos brasileiros não conseguirão pagar as contas nesse momento de crise do coronavírus, aponta a pesquisa da Boa Vista. Não ter dinheiro para arcar com as despesas básicas é desesperador e embora a prioridade seja gastar dinheiro com o essencial, é importante despender algum valor para a reserva de emergência.

Carol Sandler, fundadora do Finanças Femininas, explica que é possível construir uma reserva de emergência durante a crise, mas primeiro é necessário garantir que todas as contas estão pagas. “A reserva de emergência rende muito pouco se comparado ao tamanho dos juros das nossas dívidas. Primeiro precisa quitar os débitos e depois começar a guardar dinheiro”, afirma.

Ela ainda recomenda cortar o máximo possível dos gastos com supérfluos. “As despesas com transporte e lazer fora de casa já foram cortadas. É importante que todas as economias que você conseguir fazer sejam transferidas da sua conta para a reserva de emergência”, diz.

Como organizar o orçamento familiar para começar a reserva?

Normalmente, a reserva de emergência corresponde a pelo menos seis meses do seu custo de vida. Portanto, para começar, é fundamental analisar o seu orçamento com todas as suas despesas fixas e gastos com supérfluos para saber quanto você gasta para se manter mensalmente e o valor que poderá poupar.

Sempre indicamos utilizar o modelo de orçamento 50/30/20 que é um método muito simples e prático para organizar a sua renda líquida mensal. A fórmula separa 50% do seu salário para os gastos essenciais – aluguel, alimentação, água, luz e internet – 30% para os supérfluos – compras, almoço ou jantar do seu restaurante favorito, entre outros – por fim, 20% é destinado para investir dinheiro na reserva de emergência ou na realização de algum sonho. Vale salientar que o sistema é adaptável a sua realidade financeira e você pode fazer 70/30/10 ou 60/20/10.

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“O ideal é guardar 20%, entretanto precisamos nos balizar no nosso custo de vida. Entender no detalhe quanto custa, quais são todas as contas que a gente precisa pagar todos os meses, separar um valor para supérfluos e guardar todo o resto. Agora é a hora de poupar o máximo possível, porque não temos clareza da duração dessa crise e quanto tempo os nossos empregos e renda serão impactados”, destaca Sandler.

Onde investir dinheiro para a reserva de emergência?

De acordo com Sandler, o dinheiro da reserva de emergência precisa ficar em alguma aplicação financeira que seja de fácil acesso, alta liquidez – rapidez e facilidade com que o ativo se converte em dinheiro – e poucos riscos.

“O ideal é colocar em um CDB de liquidez diária com rendimento 100% do CDI, em contas correntes que também rendem 100% do CDI ou então um fundo DI com taxa zero”, recomenda.

Atualmente, existem diversas opções de contas correntes com rendimento de 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) – taxa que acompanha a Selic que hoje está em 3,75%. Entre as alternativas mais comuns estão a NuConta do Nubank, PagBank do PagSeguro e o PicPay.

Outra alternativa interessante é o fundo DI taxa zero – disponível atualmente nas corretoras BTG, Pi, Rico e Órama.

Vale a pena deixar o dinheiro na poupança?

A poupança é a aplicação financeira preferida de 88% dos brasileiros, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Todavia, apesar da comodidade, a caderneta rende apenas 70% do CDI, enquanto as opções de contas correntes vão render 100%.

“É um pouquinho mais de trabalhoso montar uma reserva de emergência em outro investimento, mas depois a aplicação fica no automático e rende muito mais que a poupança”, comenta Sandler.

Posso colocar meu dinheiro da reserva de emergência em um investimento com maior rentabilidade?

É tentador investir dinheiro em aplicações que oferecem alta rentabilidade, mas no caso da reserva de emergência é primordial ter cautela, afinal é um valor que você vai precisar com certa rapidez em situações urgentes.

Minerva* decidiu construir sua reserva de emergência em 2019. Ela tinha uma parte do dinheiro guardado na NuConta e o restante na poupança do Banco Inter. “Na época, minha assessora disse que seria legal colocar em um fundo de investimentos que, até então, eu pensei que era de renda fixa. Questionei alguns fundos que ela me apresentou, porque a taxa de administração era muito alta, e acabei escolhendo um com taxa de 1% ao ano. Esqueci o dinheiro lá – afinal, reserva de emergência não é pra ficar sacando. Quando começou a crise, eu entrei no aplicativo da corretora e percebi que tinha perdido dinheiro. Pensei que era de renda fixa, então o mínimo seria conservar o que investi”, conta.

Minerva, que já tem experiência com investimentos, fez uma aplicação inicial no fundo Icatu Vanguarda Crédito Privado de R$ 2.500 e, atualmente, possui R$ 2.487,63. “Ainda bem que eu tenho uma parte em CDB no Inter. Nunca fui tão grata por não ir apenas pela cabeça da minha assessora e continuar mantendo uma parte no CDB, que pelo menos me garante o CDI. Hoje eu parei de investir dinheiro nesse fundo e estou alimentando o CDB”, diz.

Todas as investidoras precisam saber que os riscos são intrínsecos em qualquer investimento, alguns mais do que outros. Para evitar prejuízos, é essencial informar-se sobre o mercado financeiro, acompanhar o noticiário econômico, questionar e esclarecer todas as dúvidas com a assessoria de investimentos antes de aplicar o seu dinheiro.

Quando se trata de reserva de emergência, Sandler alerta que o problema de investir em um fundo de investimento que tem LCI (Letra de Crédito Imobiliário), por exemplo, é que você não conseguirá resgatar o dinheiro no momento que precisar porque não tem liquidez diária e geralmente possuem períodos específicos para o resgate.

“Para a reserva de emergência é melhor optar por aplicações com liquidez diária e 100% do CDI. Fundos de renda fixa, imobiliários e até a renda variável são para outros planos de investimentos”, conclui.

*O nome foi ocultado para preservar a fonte.

Fotos: AdobeStock.

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Carol Nogueira
Carol Nogueira
Repórter do Finanças Femininas, fã de David Bowie e John Coltrane. Passa o tempo livre pesquisando textos da Sylvia Plath e assistindo séries na Netflix.
Fale comigo! :) carolnogueira@financasfemininas.com.br

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