Como o desemprego afeta a vida a dois

Como o desemprego afeta a vida a dois

Começar uma família requer muito planejamento, principalmente financeiro. Para que tudo ocorra bem, é importante que haja um equilíbrio entre a renda familiar e os gastos da casa. O problema pode começar quando um dos dois fica desempregado e a falta de rendimentos abala o orçamento. A partir daí, é importante tomar cuidado para que a situação não atrapalhe a relação do casal.

Para se ter uma ideia de como a falta de emprego atinge diretamente várias famílias brasileiras, entre 2016 e 2017 ocorreu um aumento de 1,47 milhão de desempregados. O total de pessoas sem trabalho passou de 11,76 milhões na média de 2016 para 13,23 milhões em 2017, um aumento de 12,5%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Contínua (Pnad Contínua), divulgada em janeiro.

Esse aumento começou em 2014, com o estouro da crise econômica, com um total de 6,7 milhões de desempregados na época. De 2012 para cá, houve um crescimento de 96% de pessoas que não conseguem encontrar emprego. “A redução da receita é uma consequência quase que imediata quando um dos contribuintes da casa fica desempregado, e também é um momento em que o emocional fica abalado. A situação se complica ainda mais se a pessoa que perdeu o emprego é a única provedora do lar”, comenta Leandro Trajano, especialista em planejamento financeiro familiar e pessoal.

Mais divórcios e menos casamentos

Não há, no Brasil, um levantamento específico sobre a quantidade de divórcios causados por conta de problemas financeiros. Porém, o número de separações aumentou exponencialmente. Em 2007, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o número de divórcios realizados no Brasil – 179.342. À época, o órgão fez uma comparação com o ano de 1984, quando apenas 30.847 casais pediram a anulação do casamento. Dez anos depois, o senso de registro civil revelou que, em 2016, foram concedidos cerca de 345 mil divórcios em 1ª instância e por escrituras extrajudiciais.

Houve um aumento de 4,7% em relação a 2015, quando foram registradas cerca de 330 mil separações. Em contrapartida, o número de casamentos caiu 3,7%, no mesmo período. Na maioria dos casos (47,%), as dissoluções de casamentos ocorreram em famílias com filhos menores de idade.

Um estudo da Universidade de Kansas (EUA) revelou que o dinheiro já é a principal causa de divórcios. Os pesquisadores acompanharam 4.500 casais durante alguns anos. Além do estresse causado pelas brigas por conta da falta de dinheiro, houve ainda o envolvimento de mentiras e desonestidade.

Quando o desemprego acontece, o casal começa a pensar nas privações e na redução do padrão de vida que ocorrerá nesse período de transição. “Com isso, na maioria dos casos, aumenta a ansiedade e a pressão para que o parceiro desempregado busque logo uma recolocação. Nessa fase, é essencial aumentar o companheirismo, o amor e a força de uma relação, pois o ambiente positivo se torna favorável. Dessa forma, o impacto emocional é minimizado, dando gás ao parceiro para se recolocar”, pontua Trajano.

Questão histórica: problemas de dinheiro afetam mais os homens

Mais mulheres (13,4%) ficaram desempregadas em 2017, contra 10,5% dos homens. Porém, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgado pelo IBGE este ano, os homens representam a maior parcela de desempregados – 6,07 milhões. Esse dado representa uma grande influência, ainda hoje, do que ocorre dentro das casas brasileiras. Para Trajano, a situação do desemprego se agrava quando é o homem quem não gera renda por conta de uma cultura histórica.

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“Heranças históricas ainda influenciam a cabeça de muitas crianças e jovens, onde alguns momentos e pessoas fazem parecer que estamos no tempo das cavernas. Com isso, muitos homens acreditam que precisam resolver aquela situação sozinhos, pois são ‘obrigados’ a promover o sustento do lar. Além disso, a maioria considera humilhante perder o emprego, quando é, na verdade, algo que pode acontecer com qualquer pessoa, em qualquer momento. Mas aos poucos essa realidade vem mudando e é comum ver famílias onde a mulher é a maior contribuinte para renda mensal. Cada vez mais as mulheres vêm dividindo espaço em lugares que antes eram erroneamente dominados pelos homens”, ressalta.

Para ajudar o casal a passar por esses problemas com união, é importante ter parceria e companheirismo. Trajano acredita que a mulher pode colaborar ao olhar quais gastos podem ser cortados neste momento, caso necessário, e formas de conseguir um valor extra. Além disso, é imprescindível o diálogo para se manter um bom convívio em um momento difícil como este.

“Uma família financeiramente saudável fala de dinheiro, dos projetos, das preocupações e conquistas de uma forma natural. Através da conversa é possível alinhar sempre as expectativas e ajustar os planos de acordo com as necessidades e prioridades do casal. A conversa sobre o dinheiro, as contas, os planos de estruturação ou investimentos tem relevância e o ideal é que de uma forma ou de outra, ocorram rotineiramente. Com isso, por exemplo, em caso de uma das pessoas ficar desempregada, todos estarão cientes da realidade da família, como anda a situação das finanças do casal e não existirão surpresas desagradáveis”, aconselha.

Em caso de desemprego, o que não deve ser no feito em hipótese alguma?

Na vida financeira, há diversos pontos que não podem ser ignorados. A dica mais importante do especialista é nunca mentir para o parceiro sobre a situação financeira. “Não dizer, por exemplo, que pagou uma conta quando na verdade não a pagou ou não contar que perdeu o emprego, na esperança de logo arrumar outro”, diz Trajano. Confira mais dicas rápidas do que não fazer quando a renda cair:

Depois do exercício do diálogo, chegou o momento de colocar em prática as mudanças na família e redistribuir as tarefas dentro de casa, até que o orçamento esteja normalizado. “Uma forma legal para redistribuir é de acordo com as habilidades de cada um. Veja a disponibilidade real e uma forma onde seja possível desenvolver o máximo de tarefas juntos, a fim de fazer companhia e se ajudarem. Lembrem-se, relacionamento se resume em parceria e diálogo”, conclui Trajano.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni

Gabriella Bertoni

Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
Fale comigo! :) gabriella@financasfemininas.com.br

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