Como o dólar alto afeta meu cotidiano?

3 de março de 2015 - Por

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As notícias sobre a alta do dólar não estão trazendo ânimo para ninguém. Como bem sabemos, a moeda valorizada não afeta somente quem tem intenção de viajar, mas os gastos no cotidiano de um modo geral. Em tempos de inflação alta e dólar valorizado, fazer as compras do mês no supermercado, renovar algumas peças no armário e consumir determinados produtos vira um verdadeiro desafio.

Com o orçamento apertado, é preciso ter criatividade para driblar os preços altos e encontrar alternativas mais viáveis para aliviar o bolso. Para entender melhor os efeitos do dólar alto em nosso cotidiano, conversamos com o economista da SCPC Boa Vista, Flávio Calife.

Antes de mais nada, é preciso lembrar que, por enquanto, não há nenhum sinal que indique que a moeda vá desvalorizar no curto prazo. O especialista reforça que o dólar é o instrumento mais complexo para traçar projeções, no entanto, o indicativo é que o cenário permaneça como está, sem a certeza de quanto tempo isso deve perdurar.

Compras

Entre os produtos que mais afetam o bolso do consumidor, o destaque é para alimentos e bebidas. Além do aumento dos impostos sobre importações, anunciado no início do ano pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o dólar alto obviamente encarece ainda mais o preço das mercadorias importadas.

Mas o problema não para por ai. A questão é que a alta dos importados acaba incentivando o produtor nacional a acompanhar esta tendência, ou seja, o preço dos produtos nacionais também acaba subindo. “É a brecha que o produtor tem para repassar seus custos ao consumidor. É ilusão pensar que o dólar alto afeta somente produtos estrangeiros”, comenta o economista.

Sendo assim, o momento pede mais cautela no consumo de alguns produtos. É hora de rever os supérfluos, analisar quais os produtos podem ser cortados do consumo e aqueles que podem ser substituídos por opções mais baratas.

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O outro lado da alta

Ainda que a perspectiva não seja agradável, um outro aspecto de nossa economia pode ser favorável a nós, consumidoras. Como a inflação já está alta (acumulada em 7,8% no período de um ano), o comércio não encontra brechas para fazer elevações mais bruscas. “Estamos vivendo um momento de recuo no consumo. Por um lado o comércio está com condições de oferecer um produto mais caro, por outro o consumidor está com o orçamento mais apertado e não está disposto a pagar muito”, analisa.

Neste cenário, se o comércio eleva demais os preços, a tendência é que os produtos permaneçam na gôndola, sem serem consumidos, ou seja, não há mais espaço para forçar demais os preços. Sendo assim, a consumidora ganha mais poder de barganha na hora das compras.

O alerta para as pesquisas de preços e os cortes naqueles itens que não são indispensáveis serve também para fora do supermercado. Calife lembra que os setores de vestuário e calçados são altamente impactados pelo dólar alto, basta ver a quantidade de produtos que consumimos vindos da Ásia, que estão diretamente sujeitos às oscilações da moeda.

Já que não dá para saber o que virá pela frente, o melhor é prevenir-se agora, não é mesmo? Então o conselho é ficar de olho nos preços todos os dias, evitar compras desnecessárias e aproveitar o poder de barganha. Afinal, não está fácil para nenhum dos lados dessa história!

 

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