Como retomar a vida e a independência financeira depois de sair de um relacionamento abusivo

25 de outubro de 2018 - Por

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Apenas quem vive ou já passou por um relacionamento abusivo sabe como é difícil se livrar de uma relação tóxica, retomar a vida e ir em busca da independência financeira. Após viver uma relação assim, redescobrir-se não é tarefa fácil, tanto física quanto emocionalmente. Entretanto, é preciso colocar a vida nos eixos e saber que não está sozinha nessa.

“Terminar relações afetivas não é fácil, principalmente quando envolve filhos. E sair de relacionamentos abusivos torna-se um desafio ainda maior. Buscar ajuda profissional, como de médicos e psicólogos, é sempre muito importante. Principalmente para conseguir forças e sair de relações doentias. Superar as dores que um relacionamento abusivo provoca na esfera emocional demanda um grande investimento pessoal”, comenta a psicóloga Maria Carmen Tatagiba.

Segundo a especialista, a dica principal para conseguir se desvencilhar de um parceiro violento e abusador é se fortalecer. “Desenvolver a autoconfiança é o caminho para vencer as adversidades e potencializar a resiliência para lidar com problemas, superar obstáculos e resistir à pressão de situações adversas: conflitos, choque, estresse, perdas e tudo mais que envolve o término. Vencer o medo de ficar sozinha e a sensação de que falhou é muito significativo para reconstruir o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, além de alcançar a saúde física e mental no percurso de se reerguer.”

Primeiro, é preciso identificar se você está em um relacionamento abusivo

Identificar que vive em um relacionamento abusivo é uma das partes mais difíceis, já que isso pode acontecer em várias esferas da nossa vida, e não apenas em uma relação amorosa. De acordo com Márcia Modesto, psicóloga, psicanalista e terapeuta de família, caso você perceba que a pessoa é manipuladora, controladora, provoca situações humilhantes, cria vínculos de dependência e faz com que você sinta mal com frequência, é preciso acender o sinal de alerta.

Outras características relevantes é a perseguição por ciúme, o abusador querer saber tudo sobre a vida da outra pessoa e ser comum ameaças à vida da vítima. Além disso, ele procura manter controle do dinheiro, a impede de trabalhar e estudar e é sexualmente agressivo.

“Muitas vezes, por amor àquele parceiro e também por medo da reação dele, a mulher fica paralisada sem saber como sair do aprisionamento que a relação impõe. Neste momento, a força que vem da família e amigos servirá de mola para impulsionar a libertação de uma relação com tanto sofrimento. Por isso, ter um suporte externo é extremamente importante para que a mulher não desista de colocar fim a uma relação desse tipo”, ressalta Modesto.

Outro indicativo é você sempre fazer algo contra sua vontade por medo das reações que ele possa ter e da agressividade verbal e/ou física. Também é comum que o companheiro faça questão de afirmar que ninguém além dele vai lhe querer, como forma de aumentar seus medos e inseguranças e diminuir sua autoestima.

“Vale lembrar que, quando falamos de relacionamentos abusivos, é muito comum pensarmos apenas em violência física, por ser a mais visível. Mas ela não é única. Normalmente as agressões moral e psicológica ocorrem antes da agressão física, sem esquecer das frequentes promessas do agressor de que não acontecerão de novo”, pontua Tatagiba.

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Independência financeira é o start que faltava para você se libertar

A Carol Sandler, fundadora do Finanças Femininas, já falou como a independência financeira é uma arma contra a violência doméstica. Porém, é comum que ocorra uma restrição por parte do companheiro quando o assunto é dinheiro. Para conseguir sair dessa situação, é preciso buscar a segurança e a autonomia.

“A mulher que sofre uma situação de violência em casa precisa superar uma série de questões e conflitos muito grandes, não é só a independência financeira. Mas a mulher que tem essa independência se sente mais no controle da sua vida e sabe que ela pode recorrer a si mesma na hora em que for sair daquela situação”, pondera Sandler.

A dica da Carol é começar a guardar dinheiro todo mês e estudar sobre os diferentes tipos de investimentos. “Esteja essa mulher ou não em uma situação de abuso, é fundamental quitar todas as dívidas e começar a guardar uma quantia. Considere investir a médio e longo prazo, como no Tesouro Direto e previdência privada, mas também em curtíssimo prazo, como a poupança. Entender como esses investimentos funcionam te ajudará a construir o seu próprio patrimônio e, assim, achar uma saída importante para realmente conseguir se retirar de situações muito ruins.”

Alcance a independência financeira e invista na sua carreira

Depois de sair de um relacionamento abusivo é preciso trabalhar formas de recuperar a autoestima e resgatar o sentido de amor-próprio, dois sentimentos que são extremamente prejudicados nessas relações. Por mais que esse seja um processo lento de recuperação e superação, é preciso se manter firme.

“A autoestima é a mola mestra para impulsionar a vida na direção de encontrar o que temos de melhor. O diferencial que faz com que cada um consiga lidar com suas emoções é o autoconhecimento, que reforça a capacidade de você se gostar e de se aceitar como é. Isso exige investimento pessoal para vencer as barreiras do medo de nos depararmos com o nosso mundo interior”, esclarece Tatagiba.

Identificar e conhecer sentimentos, sensações, motivações, necessidades e desejos são formas de desenvolver o processo de autoconhecimento e resgatar a autoestima.

“Este processo é dinâmico, já que o ser humano está em constante transformação. E é um caminho que pode levar a muitas descobertas, principalmente profissionais, na direção de uma carreira promissora e de atuações que nos façam mais realizadas, reconhecidas e valorizadas. Olhar para si mesma é essencial para saber o que quer da sua vida. A carreira profissional pode ser um casamento importante para nos reencontrarmos como pessoas produtivas, confiantes e alcançar o que queremos”, conclui a especialista.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni
Gabriella Bertoni
Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
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