Copa do Mundo: vale investir em infraestrutura para jogos de futebol?

5 de junho de 2018 - Por

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Estamos em contagem regressiva para a Copa do Mundo — faltam apenas nove dias para o evento de futebol mais importante do mundo, principalmente para os brasileiros. Mas, em meio à crise que enfrentamos nos últimos anos e o lento crescimento econômico, vale a pena investir em infraestrutura para acompanhar os jogos de futebol?

No Brasil, a cada quatro anos é comum as ruas ficarem cheias de bandeirolas e pinturas no asfalto. As cores verde e amarelo também invadem bares e restaurantes, em uma tentativa de chamar a atenção e conquistar mais clientes nos dias de jogos. Mas, neste momento de incertezas econômicas, é importante ter cautela na hora de investir em infraestrutura para a Copa.

“Também ocorre um aumento de consumo em locais onde as pessoas podem se reunir para confraternizar e torcer. Entretanto, é preciso ser comedido nos investimentos. Apesar desse factual aumento de demanda durante Copa, que é algo tradicional, não pode-se perder o ponto mais importante, que é a visão macro. O Brasil está saindo de uma crise profunda e os resultados do primeiro trimestre de 2018 infelizmente ainda não são muito positivos”, comenta Anderson Pellegrino, professor de Economia da IBE Conveniada FGV.

Crise econômica: nem os televisores escaparam

Os televisores são os aparelhos que são vendidos em maior volume em tempos de Copa do Mundo. De fato, a venda dos aparelhos deve aumentar com a aproximação do Mundial, com uma expectativa de vendas de 12,5 milhões de unidades — sendo 6,8 milhões no primeiro semestre, de acordo com dados da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros). Em 2017, foram vendidos 11.375 milhões de televisores no País.

Porém, mesmo com o aumento em relação ao ano passado, as vendas não devem ultrapassar o volume comercializado em 2014, quando a Copa do Mundo foi sediada no Brasil. Na época, foram comercializadas 14.993 milhões de unidades. Esses números significam que estamos em recuperação, mas ainda é algo lento e bastante frágil.

“Mesmo com esse aumento em televisores vendidos, não podemos esquecer que no primeiro trimestre do ano passado ainda estávamos em crise. Portanto, a base de comparação é ruim. Não estamos em um momento de bom desempenho e real crescimento da economia brasileira”, pontua Pellegrino.

 

Como se organizar com pouco orçamento? Abuse da criatividade!

Que brasileiro é um povo para lá de criativo todo mundo sabe. Em momentos de crise, essa qualidade fica ainda mais em evidência, já que é preciso criar oportunidades em um cenário de economia desaquecida. Quem pretende investir em algo para atrair mais clientes durante a Copa do Mundo, essa é uma qualidade importante a ser trabalhada.

Por exemplo, se você identificar uma oportunidade de promover eventos onde as pessoas possam assistir aos jogos e, ao mesmo tempo, consumirem produtos e serviços que você tem habilidade em oferecer, pode ser uma boa oportunidade. “Por outro lado, a curta duração do evento e a enorme quantidade de ofertas que surgirão será um limitador para essas oportunidades. Portanto, é preciso criar algo surpreendente e diferenciado para se obter sucesso”, ressalta Sergio Dias, economista e consultor do Sebrae.

Mas aqui vale um alerta: antes de desenvolver ações promocionais ou preparar o seu estabelecimento para o evento, vale checar algumas regras da Fifa e da CBF para não ter problemas com direitos autorais. Para você ter uma ideia, apenas patrocinadores podem utilizar o termos ‘Copa do Mundo’, ‘Copa do Mundo 2018’ e ‘Rússia 2018’ para fins comerciais. Você pode conferir as outras regras aqui.

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Planejar é a palavra-chave para o sucesso

Independentemente dos tipos de produtos ou serviços a serem oferecidos, é fundamental que seja feito um planejamento detalhado do que se pretende realizar. Nessa fase devem ser considerados os custos de aquisição e produção dos bens, valor de mão de obra, venda e distribuição, bem como as despesas de divulgação. Sem planejamento, os riscos aumentam e isso pode ser fatal para o seu negócio.

“Calculados todos os custos, inicia-se a fase de definição do preço de venda e estimativa de quantidades de itens a serem comercializados. Com isso, estima-se a receita provável. O resultado dessa operação (receita – despesas) é a margem de lucro. Deve-se considerar pelo menos 3 cenários: um realista, um pessimista e outro otimista. Para isso, trabalhe com margens de lucro distintas”, pondera Dias.

Caso você tenha feito todos esses cálculos e decidido investir em algo específico para a Copa do Mundo, é importante considerar o atual cenário econômico e como sua escolha influenciará no seu negócio futuramente.

“Meu conselho é não fazer grandes investimentos, no sentido de montar ou ampliar uma infraestrutura com a intenção de atender às necessidades do Mundial. Faça investimentos básicos e mínimos, principalmente pensando na parte comercial, e procure atender os seus clientes adequadamente com o menor volume de recursos possível”, conclui Pellegrino.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni
Gabriella Bertoni
Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
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