Coronavírus impactou mais o mercado financeiro brasileiro, diz levantamento

23 de março de 2020 - Por

Coronavírus impactou mais o Brasil

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Esse texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: -5,22% (63.569 pts)

Dólar: +2,21% (R$ 5,13)

Casos de coronavírus: 1891 confirmados e 34 óbitos (fonte: Ministério da Saúde)*

Esta segunda-feira (23) foi uma grande montanha-russa para a Bolsa de Valores brasileira. Ela até abriu em alta, mas às 10h31 (horário de Brasília), o Ibovespa já registrava queda de 3,67%. O dia fechou com queda de 5,22%, o menor patamar desde julho de 2017. Com isso, o mercado segue com tendência de aversão a risco.

Boa parte da culpa pelo vai-e-vem foi a decepção com o Congresso americano, que não conseguiu chegar em um consenso sobre um pacote de socorro de US$ 2 trilhões, cujo objetivo é enfrentar o impacto econômico do coronavírus. As bolsas americanas também enfrentaram queda, fechando o dia com baixas próximas a 3%.

Não é só impressão: o Brasil sentiu forte o impacto da pandemia

De acordo com o banco americano Goldman Sachs, a bolsa de valores brasileira é a que mais tem sofrido com os impactos negativos do novo coronavírus. Para que se tenha ideia, o Ibovespa registrou uma queda de 52% (em dólar) em fevereiro, em relação ao mês de janeiro.

O Brasil também amarga o quarto lugar no ranking de moedas que mais se desvalorizaram no período – 22%. O real brasileiro só ficou atrás do peso mexicano, do rublo russo e da coroa norueguesa.

Por que você tem que saber? O dólar alto impacta seu dia a dia de diversas formas, desde o preço do combustível até do pãozinho que você come. A queda mostra como nossa economia ainda é frágil diante das intempéries do mercado internacional – e quem acaba sentindo no bolso é a população.

MP polêmica propõe que trabalhadora fique quatro meses sem salário

Diante do estado de calamidade pública causado pelo novo coronavírus, o presidente da República Jair Bolsonaro publicou, no último domingo (22), a Medida Provisória (MP) 927, que permitia a suspensão do contrato de trabalho por quatro meses – período este que o funcionário ficaria sem salário.

Este ponto não foi bem recebido pela população nas redes sociais. No Twitter, tags contrárias à MP inundavam os Trending Topics – área do site que mostra os assuntos mais debatidos naquele momento. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, também mostrou rejeição à medida.

Às 13h49, Bolsonaro anunciou em sua conta no Twitter que recuaria do artigo 18 da MP, que trata exatamente do ponto que levantou polêmica. Porém, essa revogação ainda não foi formalizada até a finalização deste texto. Vamos ficar atentas para trazer os próximos passos dessa MP no boletim de amanhã.

Por que você tem que saber? A MP 927 tem grande impacto na vida da trabalhadora pois, ao mesmo tempo em que visa ajudar os empresários – e, na ponta da cadeia, evita demissões em massa durante a crise causada pelo novo coronavírus –, estremece ainda mais as garantias trabalhistas. Na prática, a medida provisória diminuirá alguns entraves formais de atitudes que já estão previstas na CLT, mas que precisam de processos para valerem. Alguns exemplos são o trabalho remoto, permissão de férias coletivas e a contabilização de bancos de horas.

Coronavírus impactou mais o Brasil

O que o Banco Central anunciou para ajudar a economia brasileira hoje?

O Banco Central (BC) brasileiro e o Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciaram, na manhã desta segunda-feira (23), uma série de medidas que, de acordo com o comunicado oficial, tem como objetivo “aumentar a liquidez do Sistema Financeiro Nacional”. Isso significa que os ativos financeiros poderão ser convertidos em dinheiro com mais facilidade e, com isso, tem-se mais dinheiro girando na economia.

O BC prevê uma liberação de R$ 68 bilhões de economia a partir do dia 30 de março por meio da redução da alíquota do compulsório sobre os recursos a prazo, que foi de 25% para 17%.

O depósito compulsório é um dos instrumentos que a instituição usa para controlar quanto dinheiro circula na economia. Isso influencia tanto o crédito disponível quanto as taxas de juros cobradas. Ou seja, na prática, reduzir essa alíquota significa permitir que mais dinheiro circule.

Por que você tem que saber? Medidas como essa ajudam as instituições financeiras a captar dinheiro para oferecer crédito aos seus clientes, sejam eles pessoas física ou jurídica. Em momentos de crise, ter a possibilidade de pegar dinheiro emprestado pode ser o diferencial para sobreviver. Porém, cuidado com o desespero: nada de pegar empréstimo sem precisar e sem analisar as condições de pagamento.

EUA injeta mais dinheiro para conter impactos do coronavírus

Enquanto isso, o Banco Central americano (Federal Reserve, ou Fed), anunciou mais uma série de programas para lidar com o que chamaram de “graves perturbações” que o Covid-19 causou economia dos Estados Unidos e, consequentemente, do mundo.

As novidades prometem garantia de empréstimos estudantis, para pequenas empresas e empréstimos com cartão de crédito. O Fed também comprará títulos de grandes empregadores, além de oferecer a eles créditos que equivalem a quatro anos de financiamento.

Por que você tem que saber? A essa altura do campeonato, provavelmente você já percebeu que tudo que acontece na economia dos Estados Unidos tem forte impacto no mundo inteiro, inclusive por aqui. Essa notícia deixou os mercados animados o suficiente para o Ibovespa abrir o dia em alta. Porém, como vimos mais tarde, a volatilidade deu o tom e o índice fechou em queda.

Tesouro Direto interrompe negociações duas vezes nesta segunda (23)

Mais um dia volátil para os investidores do Tesouro Nacional. O sobe-e-desce rendeu duas suspensões no pregão.

Por que você tem que saber? Nestes momentos, a recomendação é segurar os títulos que você tem e esperar. Qualquer movimentação que você faça sem pensar pode acabar no prejuízo.

*Até o fechamento do texto

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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