Cuidado para não ficar negativada ao emprestar o seu nome a terceiros

4 de setembro de 2018 - Por

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Imagine precisar fazer uma compra, descobrir que está negativada e não fazer ideia de quando contraiu uma dívida que deixou o seu nome sujo? Isso não é algo difícil de acontecer, principalmente quando se acaba de completar 18 anos, não se tem muita informação sobre o universo financeiro e algum parente ou amigo pede seu nome emprestado.

A historiadora Ana* passou por algo semelhante, quando fez sua primeira conta bancária e começou a assinar cheques para ajudar a empresa da sua mãe. “Mas felizmente ela foi pagando as dívidas nos últimos anos. No ano passado tive outro problema, quando ganhei um imóvel no meu nome e descobri uma dívida de imposto sobre doação que nunca tinha sido protestado, mas que existe desde os meus 18 anos – ou seja, já tem 10 anos. A dívida está em mais de R$ 25 mil. Acabo de conseguir R$ 17.800 e, como é dívida com a Fazenda, vou tentar negociar para conseguir pagar”, conta.

Se você é uma leitora que acaba de completar seus 18 anos ou conhece alguém que está começando a descobrir como lidar com dinheiro, é fundamental saber os perigos em emprestar o nome a terceiros, principalmente quando envolve familiares. Esse conhecimento é necessário para que você evite restrições em seu nome no futuro.

“Emprestar o nome é uma armadilha que implica em uma série de riscos para quem se propõe a ajudar um parente ou uma pessoa amiga – seja com o cartão de crédito ou seu nome para que a pessoa faça uma compra ou um financiamento. Normalmente, quem solicita essa ajuda já deve estar com seu crédito negativado e consequentemente com dívidas de financiamentos anteriores. Portanto, o risco de que ela não consiga cumprir com o compromisso de pagar a dívida que você está contraindo é muito alto”, comenta Sergio Dias, economista e consultor do SEBRAE.

Prepare-se para lidar com dinheiro na vida adulta

Completar 18 anos representa um passo rumo à liberdade, mas também chegam novas responsabilidades do mundo adulto. Entretanto, é comum que esses assuntos não sejam abordados na maioria das famílias brasileiras, em parte devido ao fato de que as mesmas enfrentam situações de escassez de dinheiro. Por isso, é preciso estar atenta em tudo que pode te prejudicar futuramente.

“Por outro lado, o assunto não é uma prioridade na formação dos filhos nas famílias que dispõe de recursos, por uma questão cultural. O certo é que muitos jovens chegam nessa idade já com dívidas contraídas e sem a necessária disciplina no uso do dinheiro. A educação financeira deve fazer parte das disciplinas que possibilitarão aos jovens ter uma formação mais realista de como lidar com os recursos financeiros conquistados”, pontua Dias.

Para a psicóloga Juliana Orrico, iniciar a vida adulta com o nome negativado pode acarretar em transtornos psicológicos e dificuldades de se encaminhar no trabalho e até nas relações sociais. “É na fase da adolescência que os jovens formam os valores que os nortearão na vida adulta. Isto vale também para a relação com o dinheiro. É nesta fase que os pais devem ensinar educação financeira aos filhos e demonstrar o valor do dinheiro”, diz.

Pense bem antes de emprestar o seu nome

De acordo com um levantamento realizado em todas as capitais pelo Serviço ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), duas a cada dez pessoas ficaram com o nome sujo nos últimos 12 meses porque emprestaram seus documentos ou cartões para que outra pessoa fizesse compras a prazo.

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Para 51% dos entrevistados, a intenção era ajudar o amigo ou familiar, enquanto 13% ficaram com vergonha de negar o pedido. Outros 11% disseram ter ficado receosos de magoar quem pediu o nome emprestado, caso tivessem que negar o auxílio. Foram entrevistados 800 consumidores inadimplentes ou que estiveram inadimplentes nos últimos 12 meses, acima de 18 anos, de ambos os gêneros e de todas as classes sociais.

“As questões financeiras e a maneira como se opera com elas refletem na qualidade das relações familiares, interferindo nos sentimentos, nos afetos, na saúde e no equilíbrio emocional de todos os familiares envolvidos. Já o lado psicológico é o mais afetado quando vivemos situações conflituosas que envolvem dinheiro e afeto”, ressalta a psicóloga Maria Carmen Tatagiba.

“Eu não sabia” não te isenta da responsabilidade

Como tudo na vida adulta, você perceberá que a frase ‘eu não sabia’ não fará efeito quando você estiver em apuros financeiros. Isso porque a partir dos 18 anos você passa a responder por todos os seus atos: emprestar o seu nome para transações ou abertura de conta bancária, aquisição de empréstimos, cartões de crédito e afins.

“Ao completar 18 anos, pela lei a pessoa estará apta a realizar movimentações bancárias, contrair dívidas e assumir compromissos, mas de fato não dispõe de maturidade ou mesmo discernimento para compreender que aquilo que seus pais estão lhe propondo está fadado ao insucesso. Para evitar problemas futuros, a dica é não emprestar o nome. Se ainda assim insistirem, consulte um advogado – ainda que superficialmente, porque será o suficiente para que esse profissional lhe acene com um sinal de perigo”, pondera o advogado Carlos Maggiolo.

“Ninguém é obrigado a emprestar o seu nome, mas para aqueles que ficam constrangidos em negar um pedido de parentes ou amigos, ao adquirir cartões de crédito, talões de cheque ou quando adquire uma linha de crédito, a dica é não divulgar que possui essas disponibilidades – uma vez que a responsabilidade pelo adimplemento das dívidas adquiridas será do contratante e não daquele que pediu um favor”, acrescenta a advogada Cátia Vita.

Caí na armadilha e fiquei endividada. O que posso fazer?

Por mais que você tenha chegado nessa situação por responsabilidade de outra pessoa, a dívida continuará a ser cobrada de uma forma ou de outra, e ela precisa ser quitada. Se você tentou ao máximo fazer com que a pessoa que contraiu o débito arque com todos os custos, mas não obteve sucesso, é preciso procurar formas de pagá-la.

“Caso não tenha urgência e seja uma dívida tributária, o conselho é aguardar um parcelamento especial. Se essa jovem já está com a dívida feita e não tem bens no nome dela, a situação vai para a Justiça e será preciso contratar um advogado, o que gera ainda mais custos. Então, o melhor é encerrar essa dívida para não ficar com esse passivo a pagar”, explica Diego Barbieri, professor de Contabilidade da IBE Conveniada FGV.

Uma vez que a dívida for sanada, o importante é tirar uma lição de toda essa situação. O melhor conselho sobre educação financeira, principalmente para as jovens, é poupar uma parcela do que se ganha. Pode parecer simples, mas não gastar todo o salário é fundamental para sua saúde financeira.

Para o especialista em finanças Washington Mendes, investir é a melhor saída para preparar o futuro. “As pessoas costumam ser voláteis quando o assunto é dinheiro. Procure alocar de maneira distributiva aplicações a curto, médio e longo prazo como Bolsa de Valores, Tesouro Direto, CDB, LCI E LCA. Mas para isso, pesquise antes de investir e não cair em mais armadilhas.”

“Outra dica é não voltar a fazer dívidas que vão comprometer o seu futuro. A dívida precisa caber no seu orçamento. Uma margem saudável de dívida é 30% do seu salário – mais do que isso não vale a pena. Significa que você ainda não ganha o suficiente para aquele bem que quer comprar”, conclui Barbieri.

*Nome alterado a pedido da leitora.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni
Gabriella Bertoni
Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
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