Dados positivos ajudam a Bolsa, mas investidores seguem com medo de coronavírus

29 de junho de 2020 - Por

Dados positivos ajudam a Bolsa, mas investidores seguem com medo de coronavírus

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Este texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: +2,03% (95.735 pontos)

Dólar: -0,73% (R$ 5,42)

Casos de coronavírus: 1.352.708 confirmados e 57.774 mortes*

Resumo:

  • Bolsa abre a semana com saldo positivo, mas investidores mantêm receio por segunda onda de coronavírus;
  • para mercado, economia tombará 6,54% este ano e Selic sofrerá novo corte;
  • Brasil entrou em recessão no 1º trimestre, afirma comitê da FGV;
  • País fecha quase 332 mil postos de trabalho formal em maio, aponta Caged;
  • Caixa começa a depositar saque emergencial do FGTS nesta segunda

A semana abriu positiva para o Ibovespa, que retomou o caminho de alta nesta segunda-feira (29). O leve frescor veio de alguns dados que vieram mais positivos do que o esperado tanto no exterior quanto no Brasil.

Nos Estados Unidos, as vendas pendentes de moradias em maio tiveram alta de 44,3% em relação a abril, ante à expectativa do mercado de um crescimento de 18,9%.

Por aqui, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de maio apontaram perda de 331.901 postos de trabalho formal, como você verá adiante. Este foi o pior maio da série histórica iniciada em 1992, porém, projeções apontavam para a perda de 900 mil postos de trabalho, segundo o Broadcast.

No entanto, ainda é cedo para retomar o otimismo. O volume negociado hoje foi relativamente baixo, mostrando que os investidores seguem cautelosos com o crescimento nos casos de coronavírus nos EUA – o país já responde por 20% dos casos do mundo. Para que se tenha ideia, os estados da Flórida, Texas e Califórnia estão retomando medidas de isolamento social para tentar frear o ritmo de contaminação. Já outros 12 estados congelaram processos de reabertura, de acordo com a CNN estadunidense.

O mesmo vem acontecendo na China, especialmente em rígidas em regiões próximas a Pequim. Existe a preocupação de que os impactos econômicos se estendam por mais tempo do que o esperado.

Apesar de não estar afetando diretamente a Bolsa, o aumento de casos de coronavírus no Brasil é preocupante – já respondemos por 11% do total de mortes no globo. O Fundo Monetário Internacional (FMI) já divulgou um relatório afirmando que as falhas que países da América Latina cometeram no combate à COVID-19 devem afetar a economia da região no terceiro trimestre deste ano, conforme contamos aqui.

Para mercado, economia tombará 6,54% este ano e Selic sofrerá novo corte

Para mercado, economia tombará 6,54% este ano e Selic sofrerá novo corte

Depois de darem uma folga na semana passada – como mostramos aqui –, os profissionais do mercado financeiro começaram a enxergar uma nova piora na economia brasileira. A nova estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2020 é de uma queda 6,54%, ante os -6,50% da última segunda-feira (22).

A previsão faz parte do relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, que ouviu a opinião de profissionais de mais de 100 instituições financeiras.

Os economistas também passaram a projetar que o ano terminará com a taxa Selic em 2% ao ano. Atualmente ela é de em 2,25% a.a.

Brasil entrou em recessão no 1º trimestre, afirma comitê da FGV

O uso da palavra “recessão” pede cuidado, visto que exige uma série de critérios técnicos. No entanto, o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), da Fundação Getulio Vargas (FGV) – que estuda ciclos econômicos – identificou um forte indício de que, sim, o Brasil entrou em recessão já no 1º semestre de 2020. Foi a ocorrência de um um pico no ciclo de negócios brasileiro no quarto trimestre de 2019.

Em comunicado, o grupo afirmou: “O pico representa o fim de uma expansão econômica que durou 12 trimestres — entre o primeiro trimestre de 2017 e o quarto de 2019 — e sinaliza a entrada do país em uma recessão a partir do primeiro trimestre de 2020.”

Existem vários jeitos de definir uma recessão. A chamada “recessão técnica”, por exemplo, acontece quando o Produto Interno Bruto (PIB) de um país cai por dois trimestres consecutivos.

Já o Codace considera recessão quando se observa uma queda generalizada no nível de atividade econômica, independentemente de haver dois trimestres seguidos de PIB negativo. Entre os indicadores analisados estão consumo, nível de emprego, importações e exportações, investimento e afins, por exemplo.

País fecha quase 332 mil postos de trabalho formal em maio, aponta Caged

O mês de maio terminou com 331.901 vagas com carteira assinada fechadas, apontam dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta segunda-feira.

Os quase 332 mil postos formais perdidos são, na verdade, o saldo líquido das vagas: foram 1.035.822 demissões contra 703.921 admissões no mês. O acumulado do ano também apresenta saldo negativo em 1.144.875, considerando as 5.766.174 contratações e 6.911.049 demissões que ocorreram nos cinco primeiro meses de 2020.

O setor que mais sofreu com o fechamento de vagas foi o de Serviços, que perdeu 143.479 postos formais de trabalho, seguida por Construção (-18.758), Comércio (-88.739) e Indústria Geral (-96.912). Já Agricultura teve saldo positivo de 15.993 vagas.

Caixa começa a depositar saque emergencial do FGTS nesta segunda

A Caixa Econômica Federal (CEF) começa a pagar, nesta segunda-feira (29), o valor de até $ 1.045 do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Os primeiros a serem beneficiados serão os nascidos em janeiro com contas sociais digitais no banco.

O dinheiro será liberado para todos os trabalhadores que tenham saldo em contas ativas ou inativas no FGTS de acordo com o mês de nascimento. O máximo que poderá ser sacado é R$ 1.045, que é o valor do salário mínimo – mesmo que o cidadão tenha mais recursos na conta. Além disso, cada trabalhador terá direito a um único saque, mesmo que tenha mais de uma conta.

O saque em espécie será permitido apenas a partir de 25 de julho. Até lá, o dinheiro poderá ser movimentado pelo aplicativo da Caixa, seja para pagar contas ou fazer compras.

*Até o fechamento do texto. Fonte: levantamento feito por jornalistas de G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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