Decisão de compra: entenda a ignição do consumo desenfreado

25 de abril de 2018 - Por

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*Carolina Camocardi

Antes que qualquer atividade aconteça, é tomada uma decisão. Na maioria das vezes, isso não é consciente e essa é a fonte do problema. A falta de consciência é um dos responsáveis pelo cenário caótico de consumo. Pessoas comprando cada vez mais, sem se darem conta do que está acontecendo. Como em uma multidão arrastada pela falta de espaço, o mesmo acontece nas grandes massas em busca de pertencimento e saciação do desejo: se endividam entorpecidas pela ilusão de status.

A intenção de consumo das famílias cresceu pelo nono mês consecutivo, segundo pesquisa do Fecomércio – SP, o maior patamar desde 2015. A euforia da compra que gera curtição acaba se tornando um hábito. Por consequência, o padrão de comportamento é reforçado até chegar ao desânimo e ansiedade por uma novidade. O próximo passo é seguir para uma nova compra. Ou seja, a famosa crise de abstinência que faz um novo ciclo de gastos.

Essa roda desenfreada de consumo individual só vai parar com consciência. A força da consciência é que desperta o processo de cura.

Qualquer mudança profunda de comportamento passa por três estágios, explica o mestre budista Lama Michel Rinpoche. “Primeiro precisamos entender onde estamos, essa é a base. Depois onde queremos chegar, o resultado. Por fim, pensar em como chegaremos lá, este é o caminho que deve ser percorrido”.

Tudo é uma questão de coerência de como alinhavar tais ensinamentos com os hábitos que precisam ser reconhecidos e mudados. Reconhecer o potencial de mudança é tomar consciência dos atos de consumo desenfreado e perceber como eles são nocivos.

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Ao reconhecer meu mau hábito de consumo, com objetivo de identificar e entender quais são os gatilhos e todo processo interno, decidi aderir ao desafio dos 6 meses sem compras. Já estou no terceiro mês, acompanhando, registrando emoções, desejos, impulsos e administrando a abstinência.

É preciso coragem para reconhecer os pequenos deslizes que podem parecer bobeiras insignificantes. O comportamento de consumo tem efeito colateral: abstinência com sensações bioquímicas. Para quem nunca teve um histórico de vício, é um belo laboratório entender e sentir o que acontece no corpo. E antes de chegar na metade do desafio, já consigo traçar um efeito positivo: o impacto financeiro das pequenas bobagens que custam tão pouco e não são mais compradas.

É muito fácil criticar e analisar um processo do qual não fazemos parte. Mas somente entendemos o todo quando olhamos cada pedaço.

*Carolina Camocardi é personal stylist e trabalha com o conceito da imagem consciente. Desenvolve consultorias personalizadas com foco no autoconhecimento da própria imagem, desconstrução de paradigmas e reorganização visual e conceitos. 

Fotos: Fotolia

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