Desigualdade de gênero: mulheres recebem, em média, 77% do salário dos homens, diz estudo

22 de junho de 2018 - Por

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Mais uma vez a desigualdade de gênero bate à nossa porta. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva, apresentada em junho deste ano no Women 20 Outreach Brazil, revelou que o salário das mulheres ainda corresponde a 77% da remuneração dos homens.

O estudo apontou que, enquanto os homens recebem, em média, R$ 2.408, as mulheres ganham R$ 1.863 no Brasil. Esses dados mostram o quanto a desvalorização da mulher como profissional é institucionalizada, uma vez que já ocupamos um grande espaço no mercado de trabalho.

Para você ter uma ideia, nos últimos 20 anos, o percentual de mulheres chefes de família passou de 22% para 44% dos lares, de acordo com dados apurados em 2017 pelo Instituto. No mesmo período, 8,3 milhões de brasileiras entraram no mercado formal de trabalho e respondem por R$ 41 de cada R$ 100 recebidos pelos trabalhadores brasileiros.

A situação das mulheres piora quando o assunto é preconceito racial. A média de salário de um homem branco é de R$ 3.137, enquanto a de um homem negro cai quase pela metade, indo a R$ 1.740. No universo feminino, a média salarial das mulheres brancas é de R$ 2.331 e a das mulheres negras fica em R$ 1.336.

Equiparação de salário só faz bem bem para a economia

Apesar da desigualdade salarial, as mulheres movimentam R$ 1,7 trilhão por ano no Brasil. De acordo com a pesquisa, existem hoje 107 milhões de brasileiras que, nos últimos anos, impulsionaram importantes transformações no País. Se houvesse uma equiparação de salários entre os sexos, seriam injetados R$ 461 bilhões na economia do País.

Ainda de acordo com dados do Instituto, em 20 anos, a variação do número de mulheres com carteira assinada teve um aumento de 113%, enquanto a população feminina aumentou 34% no País. Entretanto, mesmo com a crescente introdução de mulheres no mercado de trabalho, 31 milhões de homens acham que “é justo mulheres assumirem menos cargos de chefia do que homens, já que podem engravidar e sair de licença maternidade”. Além disso, 75% dos trabalhadores brasileiros já viram uma colega ser desqualificada no emprego apenas por ser mulher.

De acordo com Barbara Hannelore, especialista em desenvolvimento pessoal do projeto Arrase Mulher, para acabar com a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho, é fundamental que as empresas propiciem um ambiente de desenvolvimento na carreira e também adotem medidas para acabar com o preconceito.

“Os empresários e contratantes precisam enxergar as particularidades de cada mulher e, ao mesmo tempo, construírem políticas internas para as acolherem em diferentes momentos. Quando rompermos com o pensamento machista de que ‘mulher tem que ocupar menos cargos de chefia porque podem engravidar e sair de licença maternidade’, entre outras coisas, vamos ter uma sociedade mais próxima de se pensar e construir possibilidades”, comenta.

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O presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, complementa: “Se por um lado as mulheres foram fundamentais para modificar a economia brasileira na última década, por outro, o machismo naturalizado na sociedade brasileira segue produzindo injustiças que prejudicam não apenas as mulheres, mas toda a sociedade”.

E se o trabalho doméstico fosse remunerado?

Você já pensou em quanto tempo gasta com os afazeres domésticos e cuidados com a família? Ainda nos dias atuais ocorre uma forte desigualdade nas responsabilidades domésticas, de acordo com o levantamento. Entre os homens, 64% afirmaram realizar essas tarefas, totalizando 47 horas por mês. Enquanto isso, 93% das mulheres disseram ser responsáveis pelos afazeres domésticos e/ou cuidado de pessoas, o que totaliza 92 horas por mês.

Ao colocar isso na ponta do lápis, se fossemos remuneradas pelas horas trabalhadas em casa, ganharíamos mais R$ 1,066 trilhão por ano. “Olhando pelo prisma do reconhecimento próprio, tão necessário para que possamos nos sentir autoconfiantes, os resultados apresentam motivos concretos para que a mulher se valorize e ocupe seu espaço”, pontua Barbara.

“Quando nos apropriamos da nossa força, inclusive para movimentar a economia do nosso País, passamos a ver a nossa importância e a requerer direitos nos espaços que ocupamos. Embora exista ainda a diferença salarial entre os sexos, é importante que a mulher reconheça o seu valor para negociar melhores condições salariais e qualidade de vida no trabalho”, conclui.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni
Gabriella Bertoni
Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
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