Desigualdade salarial: mães recebem até 40% menos do que mulheres sem filhos no Brasil

17 de dezembro de 2018 - Por

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Não bastasse a desigualdade salarial entre homens e mulheres: as mães recebem salários até 40% menores do que colegas mulheres sem filhos no Brasil. Os números são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, compilados pela consultoria IDados.

Enquanto mulheres sem filhos ganham, em média, R$ 2.115 por mês, mães de um filho ganham 24% a menos. Quanto mais filhos, maior a lacuna: mulheres com três ou mais filhos têm queda de quase 40% na renda mensal.

Este levantamento considerou trabalhadoras casadas de 25 a 35 anos – afunilamento usado para diminuir distorções nos dados.

Por que as mães sofrem mais com a desigualdade salarial?

Bruno Ottoni, pesquisador do IDados e economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), comenta que a compilação de dados não buscou em si os possíveis fatores que causam tanta disparidade. Porém, existem outros estudos feitos ao redor do mundo que tentaram avaliar essa questão. Um deles, inclusive, foi publicado no Finanças Femininas (clique aqui e veja).

“Existem diversos estudos que avaliam a disparidade salarial entre homens e mulheres que abordam fatores provavelmente relevantes na nossa descoberta. Por exemplo, em países com creches e escolas em tempo integral públicas e de qualidade, observa-se uma menor diferença salarial entre os gêneros”, afirma.

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Isso porque, ele explica, políticas públicas deste tipo fazem com que a maternidade impacte menos a disponibilidade da profissional que é mãe no mercado de trabalho. A questão da disponibilidade é especialmente importante porque impede que mulheres com filhos tenham acesso a melhores oportunidades.

Por exemplo, se um patrão tem um curso no exterior para oferecer e duas candidatas – uma mulher grávida e uma não grávida -, é provável que ele conceda a oportunidade à segunda. “A gravidez e os primeiros meses da maternidade acabam limitando as oportunidades, podendo prejudicar a carreira e fatalmente gerando uma diferença salarial”, comenta Ottoni.

Essa também é uma questão de desigualdade de gênero

Há, ainda, a questão da licença maternidade, que ainda é amplamente discutida no mundo inteiro. A Islândia, por exemplo, reservou 13 semanas para pais deixarem o trabalho para cuidar dos filhos – obrigatoriamente. Como resultado, mais de 90% dos homens com filhos aproveitam o benefício. Isso também diminuiu a discriminação dos empresários, que sabem que tanto homens quanto mulheres gozarão de uma licença remunerada.

“Quantas mulheres com excelente formação e experiências são tolhidas do mercado de trabalho por serem mães? Se as empresas realmente quiserem acolher e aproveitar essa mão de obra, poderiam oferecer a essas mulheres uma creche próxima e outros tipos de auxílios e políticas. Isso aumentaria a sua produtividade e adaptação”, defende Ligia Molina, professora de gestão de pessoas da IBE conveniada FGV.

No campo privado, oferecer horários flexíveis e home office sem diminuir os salários por isso seria de grande ajuda. “Esse tipo de mudança cultural poderia ajudar muito na diminuição dessa diferença salarial. Ainda temos uma cultura em que o funcionário precisa estar presente e disponível na empresa e no happy hour, e isso tudo é muito custoso para a mãe”, completa Ottoni.

No entanto, além da mudança de cultura nas empresas, é fundamental o papel do governo em determinar políticas públicas que não apenas protejam as mães, mas também as ajudem a manter suas carreiras e incentivem os pais a dividirem os cuidados com os filhos.

“O Brasil tem avançado nessa agenda, principalmente na questão das escolas de tempo integral. As mães com condições financeiras podem pagar uma escola do tipo ou mesmo uma babá, mas e quem não tem? Essas têm que apelar a uma rede de apoio, com avó e vizinhas, que nem sempre está ali. Como elas vão focar no trabalho se não sabem o que o filho está fazendo fora da escola?”, comenta Ottoni.

A sociedade precisa avançar como um todo para acolher as mães no mercado de trabalho – afinal, a maternidade é uma nova experiência que pode contribuir, e muito, com o lado profissional.

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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