Devo me preocupar com o vazamento de dados do Banco Inter?

Devo me preocupar com o vazamento de dados do Banco Inter?

A última semana foi bem turbulenta para alguns bancos. Entre notícias de indenização e condenação judicial, surgiu também uma informação que chamou a atenção dos adeptos às fintechs: dados de cerca de 300 mil clientes do Banco Inter teriam sido roubados por um hacker e divulgados na última sexta-feira (04/05) – incluindo códigos de segurança e senhas. A instituição, por sua vez, nega o vazamento. A pergunta que fica agora é: ainda posso confiar no meu banco?

Essas novas financeiras digitais têm como premissa equilibrar a agilidade e a desburocratização com segurança, algo imprescindível para qualquer instituição que lida com dinheiro. Para que seu funcionamento faça sentido, elas utilizam recursos tecnológicos como centro de todas as operações. Mas isso não quer dizer que estão imunes aos ataques.

Segurança da informação: como ocorreu o ataque?

A situação veio à tona quando o site TecMundo publicou uma matéria afirmando ter recebido uma lista com parte dos dados de clientes do banco. De acordo com eles, o Inter sofreu uma tentativa de extorsão nas últimas semanas por um hacker que se identificou apenas como ‘John’, o qual enviou um manifesto de 18 páginas à plataforma. No documento, ele explica que teve acesso aos dados e quais foram as suas motivações.

Não demorou muito para o banco desmentir o ataque e atestar a robustez de seu sistema operacional. “O Banco Inter informa que foi vítima de tentativa de extorsão e que imediatamente constatou que não houve comprometimento da segurança no ambiente externo e nem dano à sua estrutura tecnológica. A companhia esclarece, ainda, que comunicou o fato às autoridades competentes e a investigação corre em sigilo”, disse em comunicado oficial à imprensa.

Afinal, devo me preocupar com esse suposto ataque?

O fato é que esse tipo de notícia sempre assusta, principalmente quando o assunto é dinheiro. Deparar-se com a possibilidade de seus dados bancários serem usados por estranhos faz com que tenhamos menos confiança na tecnologia. Mas a questão não é bem assim.

Sabemos o quanto a tecnologia muda rapidamente. A prova disso é que, desde 1950, quando o cartão de crédito foi criado, surgiram muitos outros produtos financeiros mais tecnológicos do que o dinheiro ou o cheque. Por conta de toda essa rápida evolução, não existe uma fórmula mágica, e sim um constante trabalho de aprimoramento dos sistemas de segurança.

“Acho pouco provável que a segurança dos dados seja um aspecto menor em fintechs e mesmo nos bancos tradicionais. Mas é inegável que novos caminhos e estudos podem ser seguidos com o surgimento de tecnologias mais aprimoradas, havendo maior rigidez em políticas e gestão de dados”, comenta Vinícius Tex, analista de redes e tecnologia e fundador do Instituto Brasileiro de Blockchain e Moedas Virtuais.

vazamento-dados

De acordo com o especialista, não possível afirmar que esse problema em específico tenha ocorrido por conta da falta de investimento em sistemas mais seguros. “Ao analisar o histórico de evolução e crescimento das principais fintechs, é difícil não associá-las à competência em modo exponencial. É preciso olhar caso a caso para saber se o problema é pontual,” reforça.

Ufa, estou segura! Não preciso mais me preocupar

Nada disso. Não é porque o ataque não foi comprovado e está em investigação que você pode acreditar em todas as novidades que aparecem. É certo que não estamos completamente seguras em nenhum lugar – as agências bancárias físicas também podem ser alvo de roubos, assim como sistemas de informação de grandes bancos. Mas tomar algumas precauções nunca é demais.

A dica de Múcio Zacharias, professor de Economia da IBE Conveniada FGV, é pesquisar bem sobre a fintech em que pretende colocar o seu dinheiro. Procure sempre saber informações básicas sobre a instituição, como endereço, registros para atuar no País e quais garantias ela é capaz de repassar ao cliente.

“Por serem empresas digitais, muitas pessoas não sabem nem onde elas estão fisicamente, e acabam se iludindo com as ofertas e os juros baixos. Isso tudo é algo novo, em 2010 foi quando surgiu a primeira proposta do tipo. Nos últimos três anos, as empresas começaram a crescer, mas ainda não são de grande porte. Em geral, são instituições idôneas, mas ainda assim é necessária uma análise profunda do próprio consumidor”, pontua.

Segundo Tex, as fintechs surgiram para preencher a lacuna da falta de serviços com menos burocracia, taxas menores e tratamento diferenciado dos bancos tradicionais. “Essas empresas prometem tecnologia de ponta para entregar flexibilidade de produtos, agilidade de prazos e modo de funcionamento descomplicado. Tudo com a mesma sensação de segurança dos bancos tradicionais. Tudo parece fazer sentido, desde que não se quebre a confiança em qualquer um desses alicerces”, conclui.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni

Gabriella Bertoni

Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
Fale comigo! :) gabriella@financasfemininas.com.br

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