Dia da Mulher: conheça a linha de cafés 100% produzida por mulheres

Dia da Mulher: conheça a linha de cafés 100% produzida por mulheres

O Dia da Mulher é um dia de lutas desde seu nascimento. É nessa data que companheiras do mundo inteiro se levantam para exigir seus direitos e, claro, para comemorar as conquistas já realizadas, como o direito de participar de áreas historicamente dominadas por homens – não sem resistência, em muitos casos.

Uma dessas áreas é o agronegócio. Já contamos como a presença feminina é cada vez mais forte no campo – saiba mais aqui. Essa expansão chegou no setor do café e, nessa data, podemos comemorar o lançamento de um café 100% produzido por mulheres.

A princípio, isso pode parecer besteira, mas quem ama a bebida sabe que café não é tudo igual – ainda mais sabendo que o que seria um simples cafezinho mudou a vida de diversas produtoras. Nesse Dia da Mulher, trazemos a história do “Café das Moças”, projeto que traz grãos produzidos por pequenas produtoras no Estado do Paraná.

Quem o coordena é Estela Cotes (foto), que comanda a Microtorrefação Café do Moço ao lado do marido, Leo Moço. O casal tem tradição no mundo dos cafés: ele é barista tricampeão nacional. Ela foi campeã brasileira de preparo manual de café em 2015. Mas nem sempre Estela pertenceu a esse mundo: formada em jornalismo, teve um empurrãozinho de algumas matérias que cobriu há tempos.

Dar voz às produtoras de café

Foi em uma dessas coberturas – em um evento da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) – que Estela se surpreendeu com a quantidade de mulheres à frente de fazendas produtoras de café no mundo inteiro, desde Guatemala até a Etiópia.

“Peguei amostra do café de várias delas. Cheguei em casa muito tocada pelas histórias delas em um mercado historicamente dominado pelos homens. A produtora da Etiópia, por exemplo, não podia se apresentar como dona senão ninguém comprava seu café. Ela tinha que ter um ‘laranja’ que se colocava como dono”, conta.

Há tempos seu marido insistia para os dois trabalharem juntos, mas Estela não queria deixar o jornalismo de lado. “Aí o Léo falou: ‘por que você não participa do campeonato de preparo manual para contar a história dessas mulheres?’. Como boa jornalista, caí nesse conto”, brinca.

Na competição, a hoje barista e empresária se apresentou com um blend entre o café de uma produtora de Minas Gerais e da produtora da Etiópia. O resultado? O primeiro lugar do campeonato.

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Embalagens do Café das Moças estampadas com os rostos das produtoras. Design de Andressa Meissner.

“Um monte de mulheres começou a me procurar, inclusive a presidente da IWCA [International Women’s Coffee Alliance, ou Aliança Internacional das Mulheres do Café], para falar que elas nunca tiveram voz e eu não tinha noção da ajuda que eu tinha dado, pois saí em vários veículos falando sobre o assunto. Foi um caminho sem volta.”

Com essa exposição, em 2016, a empresária foi convidada pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER) para dar palestras a um grupo de cafeicultoras do Paraná, explicando como é o mercado de café especiais e como transformar seus grãos em um negócio – algumas produziam apenas para suas próprias famílias. Em 2017, a qualidade do café dessas mulheres já havia melhorado tanto que a EMATER decidiu promover o 1º Leilão das Mulheres do Café do Paraná.

Ouro em grãos

O sucesso do leilão foi tão grande que um dos grandes destaques da linha “Café das Moças” é o café Catuaí Vermelho, o mais caro da história do Paraná, produzido pela cafeicultora Ana Maria Garcia – que já havia participado das palestras da EMATER, no projeto Mulheres do Café, e recebido apoio do Café do Moço para aprender novas técnicas e cultivos.

A história de Ana Maria merece um capítulo à parte. A produtora, de 34 anos, estudou apenas até o 4º ano do Ensino Fundamental e descobriu seu potencial no projeto Mulheres do Café. “Ela me contou que não sabia falar em público direito, mas quando começou a participar do grupo, descobriu que era capaz, adquiriu conhecimento e o colocou em prática”, relembra.

O know how permitiu que Ana Maria – antes funcionária do sítio que hoje é sócia –, propusesse ao seu ex-chefe aplicar seus conhecimentos recém-adquiridos, desde que ela entrasse no negócio em sociedade. Seu café é tão especial e complexo que tem notas florais, algo raro no Brasil e comum apenas na África.

Esse processo de descoberta aconteceu com todas as produtoras que participaram do projeto: Maria José Faria Costa (Tomazina – PR), Claudete Valle Pires (Japira – PR) e Gláucia Daniele Mendes (Joaquim Távora – PR). Vale ressaltar que todos os detalhes do processo de produção foram realizados por mulheres, da colheita até a embalagem desenvolvida pela designer Andressa Meissner.

Orgulhosas, as cafeicultoras hoje estampam a embalagem dos produtos que cultivaram. “Elas estão se achando lindas nas ilustrações. O Café das Moças é uma das maneiras que a gente tem de falar para elas que elas têm muita capacidade, sim. O poder delas está aí. O resultado é esse”, finaliza Estela.

Fotos: Fotolia

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Ana Paula de Araujo

Ana Paula de Araujo

Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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