Discurso pessimista do Fed derruba Ibovespa nesta quarta-feira (10)

10 de junho de 2020 - Por

Discurso pessimista do Fed derruba Ibovespa nesta quarta-feira (10)

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Este texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: -2,13% (94.685 pontos)

Dólar: +1,05% (R$ 4,94)

Casos de coronavírus: 747.561 confirmados e 38.701 óbitos*

Resumo:

  • Discurso cauteloso de presidente do banco central estadunidense sobre o coronavírus derruba Bolsa;
  • mundo enfrentará recessão de pelo menos 6%; Brasil pode ter tombo de até 9,1% em 2020, segundo OCDE;
  • Brasil tem deflação de 0,38% em maio, menor índice em 22 anos;
  • 10 milhões de trabalhadores formais já tiveram redução de salário ou contrato suspenso.

Dias de reunião do banco central estadunidense – o Federal Reserve (Fed) – costumam deixar o mercado financeiro em atenção, o que resulta em muita volatilidade nas bolsas do mundo inteiro, e não seria diferente na B3.

A expectativa durou até o anúncio do Fed de que manteria taxa básica de juros entre 0% e 0,25% ao ano. A notícia até animou as bolsas ao redor do mundo, mas apenas até o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.

Ele foi cauteloso, afirmando ser possível que milhões de pessoas precisem de mais apoio econômico. Há, ainda, medo de acontecer uma segunda onda do coronavírus, que “afetaria indústrias que já devem ter uma recuperação lenta.”

O discurso pessimista foi um balde d’água fria nos investidores que esperavam algo mais otimista. O mergulho da Bolsa brasileira foi ainda mais intenso por conta das baixas nos papéis de bancos, Petrobras e Vale.

Apesar de deixar mercado internacional temeroso, uma possível segunda onda do coronavírus no Brasil não parece estar sendo tão levada em consideração. A reabertura do comércio na cidade de São Paulo causou aglomerações e filas na porta das lojas. No estado, o governo João Doria prorrogou quarentena até 28 de junho e colocou Grande São Paulo, litoral e Registro na zona laranja – com menos restrições. O estado é o epicentro da pandemia no Brasil, com 156.316 infectados e 9.862 mortos.

Mundo enfrentará recessão de pelo menos 6%; Brasil pode ter tombo de até 9,1% em 2020, segundo OCDE

Recessão mundial de 6% ou 7,6%? Tudo dependerá da pandemia do controle do coronavírus, de acordo com previsão da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicada nesta quarta-feira. Enquanto a primeira projeção considera a pandemia sob controle, a segunda pode ocorrer e caso de segunda onda.

Economia brasileira pode ter tombo de até 9,1% em 2020, segundo OCDE

Já para 2021, a Organização espera uma uma forte recuperação em caso de pandemia sob controle, com um crescimento de 5,2%, mas que pode ser limitada a 2,8% em caso de segunda onda.

No Brasil, a OCDE estima que o Brasil deve encolher 7,4% em 2020 e crescer 4,2% em 2021. No entanto, se houver uma segunda onda de surto, o tombo no PIB brasileiro pode chegar a 9,1% este ano, com crescimento de 2,4% no próximo.

A projeção da Organização é pior do que a do mercado financeiro brasileiro, que prevê encolhimento de 6,48% no PIB do Brasil em 2020, conforme a última pesquisa Focus do Banco Central. Também é mais pessimista do que as previsões do Banco Mundial e FMI, que estimaram queda de 5,2% e 5,3% no PIB brasileiro este ano, respectivamente.

Brasil tem deflação de 0,38% em maio, menor índice em 22 anos

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – índice de inflação oficial do País – teve queda de 0,38% em abril, divulgou nesta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recuo vem logo depois de outra queda de 0,31% em abril – ambas como consequência da pandemia de coronavírus.

“É o segundo mês consecutivo de queda nos preços e o menor índice desde agosto de 1998, quando ficou em -0,51%”, informou o IBGE. No ano, o IPCA acumula queda de 0,16% e, nos últimos 12 meses, alta de 1,88% – a menor taxa desde janeiro de 1999 (1,65%).

Os números refletem a baixa demanda e fraqueza da economia, uma vez que os brasileiros estão consumindo menos.

Na média, a maioria dos preços teve mais quedas do que aumentos: dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados, 5 tiveram deflação no mês passado. Entre as quedas, destaque para o grupo Transportes (-1,9%), altamente impactado pela queda no preço dos combustíveis (-4,56%) e das passagens aéreas (-27,14%).

Já o grupo Alimentação e bebidas voltou a registrar alta, com 0,24%, mas desacelerado em relação a abril, quando subiu 1,79%. Entre os itens que ficaram mais caros estão a cebola (30,08%), a batata-inglesa (16,39%) e o feijão carioca (8,66%) ficaram mais caros. Por outro lado, cenoura (-14,95%) e as frutas (-2,1%) recuaram em maio.

Veja como ficaram os demais grupos:

  • Alimentação e bebidas: 0,24% (0,05 ponto percentual)
  • Habitação: -0,25% (-0,04 p.p.)
  • Artigos de residência: 0,58% (0,02 p.p.)
  • Vestuário: -0,58% (-0,03 p.p.)
  • Transportes: -1,90% (-0,38 p.p.)
  • Saúde e cuidados pessoais: -0,10% (-0,01 p.p.)
  • Despesas pessoais: -0,04% (0 p.p.)
  • Educação: 0,02% (0 p.p.)
  • Comunicação: 0,24% (0,01 p.p.)

10 milhões de trabalhadores formais já tiveram redução de salário ou contrato suspenso

Mais de 10 milhões de trabalhadores já tiveram suspensão do contrato de trabalho ou redução de jornada e salário em meio à pandemia de coronavírus, segundo dados do Ministério da Economia divulgados nesta quarta-feira.

Até as 11h15 da manhã, eram exatos 10.135.241 acordos fechados entre empresas e trabalhadores – um total de 30% do universo de trabalhadores formais do setor privado, se levarmos em consideração os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua) do IBGE.

*Até o fechamento do texto. Fonte: levantamento feito por jornalistas de G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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