Dólar bate novo recorde, Bolsa fecha em queda e Selic cai para 3% a.a.

6 de maio de 2020 - Por

Selic cai para 3% a.a., menor patamar da história; dólar fecha em R$ 5,70

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Esse texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: -0,51% (79.063 pts)
Dólar: +2,03% (R$ 5,70)
Casos de coronavírus: 121.778 confirmados e 8.037 óbitos*

Resumo:

  • Banco Central reduz taxa Selic para 3% ao ano;
  • Desemprego e tensão entre EUA e China derrubam Bolsa nesta quarta (6);
  • dólar comercial renova máxima histórica;
  • PEC do “orçamento de guerra” é aprovada pela Câmara dos Deputados;
  • Fitch: perspectiva de nota de crédito do Brasil cai de “estável” para “negativa”;
  • Bolsa ganha 440 mil novos investidores em dois meses;
  • auxílio emergencial pode ser sacado em caixas do Banco 24 Horas;
  • renda dos 1% mais ricos é 33,7 vezes a dos 50% mais pobres, segundo IBGE.

O cenário de desemprego nos Estados Unidos voltou à cena em um dia de perdas para bolsas do mundo inteiro – o que respingou na nossa B3. Na abertura do pregão, o mercado ainda sentia o ânimo pela abertura gradual de alguns estados estadunidenses – conforme explicamos no resumo de ontem.

No entanto, o cenário virou com os dados do instituto de pesquisa ADP, que divulgou que os EUA perderam 20,236 milhões de empregos em abril. Além disso, o governo estadunidense segue ameaçando a China de sanções econômicas.

Os acontecimentos internos também influenciaram amplamente o resultado obtido pelo Ibovespa. Foi aprovada ontem a chamada PEC do “orçamento de guerra”, que trata do socorro aos estados e municípios diante da pandemia do coronavírus. Ao passar pela Câmara dos Deputados, o projeto de emenda constitucional ampliou os servidores que não terão seus salários congelados até 31 de dezembro de 2021 – o que vai contra o discurso do ministro da Economia, Paulo Guedes, de enxugar os salários.

Aliás, os atritos políticos estão entre os motivos que fizeram a Fitch Ratings, uma das três maiores agências de classificação de risco de crédito, revisar a perspectiva de nota de crédito do Brasil de “estável” para “negativa” e reafirmou o rating em “BB-”.

De acordo com a agência, essa decisão “reflete a deterioração dos cenários econômico e fiscal brasileiro e de riscos de piora para ambas as dimensões, diante da renovada incerteza política, incluindo tensões entre o Executivo e o Congresso, além das incertezas sobre a duração e intensidade da pandemia de COVID-19”, reportou o Valor Econômico.

Todos estes fatores, somados à queda histórica da Selic, colaboraram para que o dólar batesse um novo recorde de cotação nominal (sem considerar a inflação): fechou em R$ 5,70 pela primeira vez.

Banco Central reduz taxa Selic para 3% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, em reunião na tarde desta quarta-feira (6), reduzir a taxa básica de juros para 3% a.a. Antes da decisão de cortar 0,75 ponto percentual, a Selic estava no patamar de 3,75% a.a. – o menor nível da história até então. Com o novo corte, o Copom renova a mínima histórica. Este é o sétimo recuo consecutivo.

O principal principal papel da taxa Selic dentro da política monetária brasileira é controlar a inflação. Contudo, com a forte queda da atividade econômica, os preços também estão caindo – e, com eles, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice que mede a inflação oficial. Para que se tenha ideia, o mercado financeiro prevê que o IPCA ficará em 1,97% neste ano, 0,57 ponto percentual abaixo do piso de 2,5% definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Por que você precisa saber? O novo corte impactará a rentabilidade investimentos de renda fixa e castigará ainda mais quem mantém dinheiro na poupança. Segundo a atual regra de remuneração, quando a Selic está abaixo de 8,5% a.a., a caderneta rende 70% da taxa básica de juros mais a Taxa Referencial (que costuma ser 0).

Portanto, com a taxa Selic a 3% a.a., a poupança módicos 2,10%. a.a., ficando muito próximo ao valor da inflação, portanto, longe de garantir ganhos reais.

Dólar bate novo recorde, Bolsa fecha em queda e Selic cai para 3% a.a.

Bolsa ganha 440 mil novos investidores em dois meses, apesar do cenário de crise pelo coronavírus

A grande volatilidade não impediu que a B3 registrasse 440 mil novos CPFs cadastrados em corretoras, subindo o total de contas para 2,4 milhões, aproximadamente. No mesmo período, o Ibovespa caiu 22,7%, de acordo com o InfoMoney.

Em março, quando a Bolsa registrou seis circuit breakers, foram 300 mil novos investidores. Já no mês seguinte, mais 140 mil.

Em entrevista ao InfoMoney, Juliana Inhasz, coordenadora do curso de graduação em Economia do Insper, considera o movimento perigoso, uma vez que uma parte muito significativa dos novos entrantes são investidores com foco no curto prazo. “Estamos falando de um investidor que não conhece muito as regras do jogo, não sabe como o cenário macro pode influenciar as empresas, e acaba entrando em uma companhia como Petrobras achando que nunca vai ter perdas.”

Por que você precisa saber? Aviso às navegantes: entrar na Bolsa em períodos de volatilidade exige estômago forte, sangue frio e um bom plano de ação. Geralmente, apontamos investimentos em ação como algo para o longo prazo, visto que elas costumam se valorizar ao longo do tempo. Quem começa a investir esperando ganhos rápidos pode ter grandes dores de cabeça.

Auxílio emergencial pode ser sacado em caixas do Banco 24 Horas

Além dos saques nas agências da Caixa Econômica Federal – que têm ficado cheias nas últimas semanas –, será possível sacar a renda básica emergencial nos caixas eletrônicos da rede Banco 24 Horas por meio do Mercado Pago, fintech do Mercado Livre.

Para tanto, o beneficiário deverá transferir o dinheiro da conta poupança social da Caixa para uma conta do Mercado Pago. Depois, ir até um caixa eletrônico da rede, abrir o aplicativo e usar um código QR gerado pelo próprio app da fintech. O único porém é o custo do saque: R$ 4,90 por operação.

Por que você precisa saber? Qualquer ajuda para evitar aglomerações em tempos de coronavírus deve ser considerada, ainda mais quando há urgência em sacar o dinheiro. Se é o seu caso, coloque essa opção em sua lista.

Renda dos 1% mais ricos é 33,7 vezes a dos 50% mais pobres, segundo IBGE

A desigualdade social aumentou de 2018 para 2019, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta quarta-feira (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As informações, que consideram todas as fontes de renda de uma pessoa, apontam que a parcela dos 1% mais ricos do Brasil (2,1 milhões de pessoas) teve renda média mensal de R$ 28.659 no ano passado – 33,7 vezes mais do que a média de R$ 850 da metade mais pobre da população brasileira, grupo com 104,7 milhões de pessoas.

Em coletiva de imprensa, Tedros Adhanom, diretor geral Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmou que não é possível acabar com a pandemia sem abordar a desigualdade social.

*Até o fechamento do texto. Fonte: G1, via levantamento feito junto às secretarias estaduais de saúde

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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