Dólar fecha a R$ 5,86 e Bolsa cai com vídeo “devastador” contra Bolsonaro

12 de maio de 2020 - Por

Dólar fecha a R$ 5,86 e Bolsa cai com vídeo “devastador” contra Bolsonaro

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Esse texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: -1,51% (77.871 pts)

Dólar: +0,71% (R$ 5,86)

Casos de coronavírus: 173.141 confirmados e 12.065 óbitos*

Resumo:

  • Bolsa cai e dólar bate novo recorde graças a fatores internos e externos;
  • vídeo entregue ao STF confirmaria versão de Moro e pode ser “devastador” para Bolsonaro; mercado financeiro reagiu negativamente;
  • setor de serviços cai de 6,9% em março;
  • Bolsonaro inclui salões de beleza e academias no rol de serviços essenciais; governadores não cumprirão decisão do presidente;
  • bancos terão que esclarecer propaganda enganosa sobre prorrogar dívidas;
  • pedidos de seguro-desemprego saltam 39% de março para abril;
  • 1 em cada 5 trabalhadores formais já teve salário reduzido ou contrato suspenso.

O Ibovespa fechou em queda e o dólar bateu um novo recorde nesta terça-feira (12) com mais um capítulo da saga Estados Unidos versus China e Bolsonaro versus Moro.

Nos EUA, um grupo de senadores republicanos apresentou um projeto que inclui sanções a autoridades chinesas, levando a quedas nos índices Dow Jones, Nasdaq e S&P 500. Nem mesmo as notícias de remédios promissores contra o coronavírus trazidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) foram suficientes para sustentar ganhos.

Por aqui, fontes de diversos veículos – incluindo da jornalista Andréia Sadi (G1/GloboNews), O Globo e Folha de S. Paulo – classificaram como “devastador” o conteúdo do vídeo que o governo federal entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF), visto que ele confirmaria a versão de Sérgio Moro, ex-ministro da Justiça, de que o presidente Jair Bolsonaro estaria tentando interferir na Polícia Federal para proteger seus filhos e amigos.

A instabilidade política repercutiu no mercado financeiro nacional e, somado ao cenário internacional, o resultado acabou sendo amargo. Por volta das 16h – pouco tempo depois da divulgação das notícias –, o Ibovespa sofria queda de 0,23% a 78.885 pontos, enquanto o dólar comercial subia 1,04% a R$ 5,8823 na compra e a R$ 5,8848 na venda.

Setor de serviços cai de 6,9% em março; declarar salões e academias como “essenciais” é a solução?

O setor de serviços vem sofrendo, e muito, com a pandemia de coronavírus. Segundo dados divulgados nesta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de serviços prestados no Brasil sofreu tombo de 6,9% em março, ante a fevereiro.

Este é o pior resultado desde 2011, começo da série histórica. A queda mais acentuada coincide com o início das medidas de isolamento social, no último terço de março.

Dólar fecha a R$ 5,86 e Bolsa cai com vídeo “devastador” contra Bolsonaro

No começo da noite desta segunda-feira (11) – portanto, antes da divulgação dos dados do IBGE –, Jair Bolsonaro declarou salões de beleza, barbearias e academias como serviço essencial. Porém, o ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou não ter sido consultado a respeito.

Apesar da inclusão destes serviços parecer de benefício óbvio para a economia, segundo informações do próprio IBGE, as atividades de salões de beleza, barbearias e academias de ginástica representam apenas 1% e 2%, respectivamente, no volume da receita de serviços prestados às famílias brasileiras.

Sete governadores, entre eles Flávio Dino (Maranhão) e Ibaneis Rocha (Distrito Federal), já declararam que não cumprirão decreto sobre serviços essenciais.

Bancos terão que esclarecer propaganda enganosa sobre dívidas

Lembra quando os grandes bancos anunciaram medidas para prorrogar o pagamento das dívidas por até 60 dias – e, na prática, os clientes só encontraram mais juros, como falamos aqui? De acordo com decisão judicial, as entidades deverão informar aos clientes de forma clara e precisa a diferença entre prorrogar e negociar uma dívida, além de informar que a renegociação não é automática e deixar explícita a incidência de juros e outros encargos.

Essa determinação veio do juiz Sérgio Caldas Fernandes, da 23ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte, atendendo parcialmente o pedido do Instituto de Defesa Coletiva (IDC) em uma ação civil pública contra a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o Banco do Brasil, o Bradesco, o Itaú e o Santander.

A ação do IDC denunciou o não cumprimento das medidas que os bancos anunciaram, incluindo casos de clientes que não conseguiram acesso à promessa, tendo recebido diversas justificativas das instituições.

Na decisão, o juiz afirma que a publicidade das medidas pode ser classificada como enganosa. “As indicações trazidas levam a crer que, na prática, estão as instituições bancárias praticando alongamentos das parcelas, com o acréscimo proporcional dos juros remuneratórios no patamar contratado e IOF sobre a carência adicional no saldo devedor, retirando a confiança despertada pela publicidade original, esta que deve ser considerada como enganosa.”

Pedidos de seguro-desemprego saltam 39% de março para abril

Nesta terça-feira (12), a Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia informou que o número de pedidos de seguro-desemprego em abril foi 39,4% maior do que em março. Já em relação a abril do ano passado, o salto foi de 22,1%. O maior número de pedidos se dá em meio à crise provocada pela pandemia do coronavírus.

Neste mês, a maior parte dos pedidos vieram de trabalhadores do setor de serviço (41,6%), seguidos por comércio (27,7%), indústria (19%) e agropecuária (3,7%).

Em nota, a nota da Secretaria de Trabalho estima que até 250 mil pedidos ainda devem ser feitos nos meses seguintes por não poderem ter sido feitos de forma presencial nos meses de março e abril, de acordo com o G1, uma vez que o trabalhador tem até 120 dias para solicitar o seguro-desemprego.

Com a crise, 1 em cada 5 trabalhadores formais já teve salário reduzido ou contrato suspenso

Segundo o Ministério da Economia, já são 7,19 milhões as pessoas empregadas com carteira assinada que tiveram redução de jornada e salário ou suspensão do contrato de trabalho. O número representa 20,7% dos empregados com carteira de trabalho no setor privado, se considerarmos os 34.736 trabalhadores formais, incluindo os domésticos, contabilizados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua) do IBGE.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (12) e dizem respeito ao programa criado pelo ministério para reduzir os impactos da pandemia do coronavírus sobre as empresas e empregos – o chamado Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm).

O programa, criado via MP 936, autoriza redução de salário e jornada de 25%, 50% ou de 70% por até 90 dias.

*Até o fechamento do texto. Fonte: G1, via levantamento feito junto às secretarias estaduais de saúde

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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