Dona Sônia: a história do feijão tropeiro mais famoso do Mineirão

17 de julho de 2018 - Por

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Se você é fã de futebol e já foi ao Estádio Mineirão ou gosta de apreciar uma boa comida mineira, já deve ter ouvido falar de Sônia Maria da Costa, mais conhecida como Dona Sônia, responsável pelo feijão tropeiro mais famoso de Minas Gerais. Em 32 anos de carreira, ela conquistou uma fama que percorre o País e que foi capaz de mudar para sempre a sua história.

Dona Sônia é uma senhora de sorriso frouxo e que se orgulha de contar sua trajetória. Conversar com ela, mesmo que por apenas alguns minutos, significa aprender um pouco mais sobre a vida e como aproveitá-la com mais serenidade e força de vontade. Essa mineira de Taquaraçu de Minas consegue cativar qualquer um que se aproxima.

Sua jornada de trabalho começou ainda bem cedo, visando ajudar a família. Sua história no Mineirão começou com uma barraquinha de cerca de um metro, até que conseguiu conquistar um espaço dentro do estádio e não saiu mais de lá. Desde então, Dona Sônia tem conquistado números impressionantes. Hoje, 22 bares do estádio pertencem à mineira, sendo cerca de 7 mil refeições por dia, dependendo do público dos jogos. Em dia de casa cheia, ela chega a precisar de até 130 amigos – como ela chama os seus funcionários. Ao todo, 16 pessoas da família trabalham todos os dias no Mineirão, e de lá conseguem se sustentar.

Ao ser perguntada sobre o seu faturamento, Dona Sônia desconversa com mais uma risada e apenas diz que o segredo do negócio é trabalhar com amor e respeitar o próximo. “Eu trabalho com muita dignidade e com muito carinho. Trato todo mundo muito bem, gosto de ver o freguês com um tropeiro delicioso e com um ótimo atendimento. Eu trato o torcedor como prioridade. Para prosperar, não precisa invadir a área do colega, afinal, tem serviço para todo mundo. É fundamental nunca passar por cima de ninguém”.

História de garra e superação

Quem via a jovem Sônia em uma barraca de um metro e meio do lado de fora do estádio, pegando chuva, não poderia imaginar o sucesso que faria. Ao receber a primeira oportunidade de trabalhar dentro do Mineirão, recebeu críticas da família. Motivo: não conseguia vender o suficiente para manter o negócio. Mas ela foi rápida e encontrou uma solução financeira para o problema.

“Só Deus sabe o quanto eu sofri lá fora. Do lado de dentro, não podia vender comida mais caro do que o valor estipulado, mas eu podia vender mais barato. Então, coloquei o feijão tropeiro com um copo de refrigerante por menos do que os outros colegas. Além disso, pagava uma pessoa para entregar uns bilhetinhos que eu fazia com o preço e o cardápio dentro dos ônibus das torcidas”, conta.

Hoje, ao final de cada dia, Sônia sabe exatamente quanto vendeu em cada um dos bares e controla de perto os pratos que chegam às mãos dos torcedores. Acanhada, ela ri quando questionada sobre a fama que conquistou ao longo dos anos. Inclusive, ela é amiga de pessoas reconhecidas no universo do futebol, como o goleiro Fábio, do Cruzeiro, a quem ela está abraçada na foto.

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“Quando falam comigo na rua, eu acho que estou ficando doida. Eu entro no supermercado e o pessoal pede para tirar foto comigo. Vem gente de outros estados e até estudantes de gastronomia para saber como faço meu tropeiro. É engraçado demais, fico rindo. Eu sinto muito orgulho de ter todo mundo que está do meu lado”, ressalta.

Exemplo de compaixão

De família grande, Sônia aprendeu desde cedo o valor do dinheiro. Começou a trabalhar com 7 anos em casas de famílias, junto à mãe, e só calçou o primeiro sapato aos 12. Aos 9, ganhou sua primeira boneca, fruto de doação de um centro que ajudava famílias de baixa renda. “Só que um dia, brincando do lado de fora da casa, esqueci ela no quintal. Depois, fui procurar e não achei mais. Tinha chovido e a boneca era de papel, derreteu toda”, relembra, emocionada.

Hoje, ela presenteia todas as crianças que vivem ao seu redor, mesmo fora de datas comemorativas. “Graças a Deus, hoje eu posso dar bonecas de presente. Lutei a vida toda e hoje dou valor. Não existe Natal e Dia das Crianças, existe o dia que você pode comprar o presente e dar.”

Dona Sônia tem orgulho de falar que o Mineirão deu o sustento para ela e sua família. Apaixonada pelo campo, o Estádio é como uma segunda casa, que foi capaz de ajudar os sobrinhos e os filhos de seus amigos a se formarem. “Tenho dois filhos, mas parece que tenho 100. Nunca passou pela minha cabeça ser a madrinha do estádio e ter todo esse reconhecimento.”

O que fazer para alcançar o sucesso

Durantes as palestras em que Dona Sônia conta sua trajetória, a pergunta que ela mais escuta é ‘como a senhora teve tanta coragem, por tudo o que passou na vida?’. A resposta é que tudo o que conquistou, foi fruto de muito trabalho. Como ela mesma diz: “Se você é a dona, tem que pegar no chifre e tomar conta do seu negócio. Para saber mandar, precisa saber fazer as coisas.”

Para trabalhar com ela, não pode ter preguiça em momento algum. “Isso é pior que um palavrão. O Brasil é excelente para ganhar dinheiro, tendo saúde e boa vontade, só basta respeitar o próximo. O segredo é tratar todo mundo bem, até o cachorro que passa na sua frente.”

Todos os dias de manhã, ela chega com pão e café para todos que quiserem sentar com ela e ter uma boa prosa de frente para o gramado. Dona Sônia é assim, tem orgulho do campo que alimentou seus filhos, sobrinhos e os filhos de seus amigos. Que deu oportunidade de estudo para todos.

“Meus filhos até choram quando falam daqui. Meu trabalho sustenta muita gente. É um trabalho freelance, mas o pessoal fica rezando para ter jogo. Eu não tenho funcionários, eu tenho amigos”, conclui Dona Sônia.

Fotos: Agência i7/Mineirão

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Gabriella Bertoni
Gabriella Bertoni
Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
Fale comigo! :) gabriella@financasfemininas.com.br

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